Dólar se firma em baixa ante real após dados de inflação nos EUA
O dólar opera em queda ante o real nesta sexta-feira, cotado a R$ 5,07, após a inflação dos EUA vir dentro do esperado em agosto, o que enfraqueceu a moeda frente a divisas emergentes. No cenário interno, a deflação de 0,32% no IPCA e desdobramentos políticos no STF, envolvendo a abertura de inquérito contra Flávio Bolsonaro, também impactam o mercado, que acompanha a corrida presidencial e leilões de swap do Banco Central em meio à oscilação nos preços internacionais do petróleo.
O dólar passou a exibir baixas ante o real nesta manhã de sexta-feira, acompanhando o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes após a inflação dos Estados Unidos em agosto ficar em linha com o esperado.
Às 10h28, o dólar à vista cedia 0,44%, a R$5,0788 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro para outubro -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- caía 0,58%, aos R$5,0980.
O Escritório de Estatísticas do Trabalho informou que o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,4% em agosto, em linha com o projetado pelos economistas em pesquisa da Reuters, mas acima da taxa de 0,1% em julho. Nos 12 meses até agosto, a inflação ao consumidor avançou 3,4%, em linha com a projeção e com a taxa de julho.
Após a divulgação, o dólar perdeu força no Brasil e se firmou em baixa, em sintonia com o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes, como o rand sul-africano, o peso chileno e o peso mexicano.
O movimento ocorre em meio ao recuo do petróleo Brent em Londres, mas com a commodity se mantendo em níveis elevados após a disparada dos últimos dias. Às 10h12, o Brent cedia 3,48%, aos US$103,88 o barril.
Mais cedo no Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA, o índice oficial de preços, registrou deflação de 0,32% em agosto ante julho. A queda de preços foi maior que a projeção de economistas ouvidos pela Reuters, de deflação de 0,29%. Nos 12 meses encerrados em agosto, houve alta de 4,22%, abaixo dos 4,27% projetados.
Os desdobramentos da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) também seguem no radar dos investidores, após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de parte do caso Master.
Mendonça levantou o sigilo do procedimento principal sobre o Master e de 14 outros procedimentos relacionados a ele. A derrubada do sigilo das apurações indicou ainda que Mendonça determinou em julho a abertura de inquérito contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas no caso do filme "Dark Horse".
Flávio é atualmente o principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida pelo Planalto. Nas últimas semanas, o fortalecimento do candidato do PL nas pesquisas eleitorais tem servido de gatilho para a queda do dólar e das taxas futuras de juros, já que parte do mercado vê chances maiores de ajuste fiscal em eventual vitória de Flávio.
Às 11h30, o Banco Central realiza seu leilão regular de rolagem, com oferta de 50.000 contratos de swap cambial tradicional para 1º de outubro.
(Edição de Isabel Versiani, Camila Moreira e Eduardo Simões)
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