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Do agro à inteligência artificial: o que marcou o Suno Invest 2026

13 set 2026 - 10h34
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Resumo
O Suno Invest 2026 reuniu especialistas para debater estratégias práticas de alocação de patrimônio e gestão de riscos no longo prazo. O evento destacou os impactos da reforma tributária no planejamento financeiro e defendeu a diversificação global real além do dólar. Também foram abordadas as oportunidades no crédito agrícola e na monetização da inteligência artificial, reforçando que a regularidade e a constância dos aportes são mais determinantes para o investidor do que acertar o momento de entrada.
Suno Invest 2026 reuniu especialistas para discutir economia e investimentos.
Suno Invest 2026 reuniu especialistas para discutir economia e investimentos.
Foto: Suno

O mercado financeiro saiu da teoria e foi para os temas que mais afetam o patrimônio dos investidores. Realizado no último sábado (12), em São Paulo, o Suno Invest 2026 reuniu especialistas para discutir juros, inflação, cenário econômico, investimentos internacionais, reforma tributária, fundos imobiliários, agronegócio e novas tecnologias.

Ao longo do evento, as apresentações combinaram explicações sobre o ambiente econômico com orientações sobre construção de carteira, gestão de riscos e planejamento de longo prazo. O debate político apareceu em alguns painéis, mas sempre relacionado aos efeitos sobre a economia, os juros, a inflação e as decisões de investimento.

Cenário econômico e mudanças na tributação

As discussões sobre o cenário macroeconômico abordaram o comportamento da inflação, a trajetória dos juros no Brasil e no exterior e os impactos das decisões dos bancos centrais sobre os ativos financeiros.

Também houve espaço para a reforma tributária e seus efeitos sobre empresas, famílias e investidores. O painel tratou de temas como tributação de dividendos, diferença entre lucro contábil e lucro fiscal, distribuição de juros sobre capital próprio e planejamento patrimonial.

A principal orientação foi que a tributação passe a ser considerada dentro da organização financeira ao longo do ano. A combinação entre renda fixa, dividendos, juros sobre capital próprio, pró-labore e outras fontes de renda pode alterar a carga efetiva de cada investidor.

Investimento internacional vai além do dólar

A internacionalização da carteira foi outro tema central do evento. Marcela Rocha, da Avenue, afirmou que comprar ativos brasileiros negociados em dólar não representa, necessariamente, diversificação.

Um investidor que compra ADRs da Petrobras (PETR3; PETR4) ou da Vale (VALE3) no exterior continua exposto a empresas brasileiras e aos riscos ligados à economia do país. Nesse caso, há uma mudança de moeda, mas não necessariamente de mercado ou de tese de investimento.

A executiva defendeu uma alocação internacional estrutural, com exposição a diferentes economias, setores e fontes de retorno. O painel também discutiu o papel do dólar no sistema financeiro global e destacou que, apesar do avanço de outras moedas, ainda não existe um substituto evidente para a moeda americana em liquidez, reservas e transações internacionais.

Inteligência artificial muda a alocação

O avanço da inteligência artificial apareceu tanto nas discussões sobre empresas quanto na avaliação de oportunidades para os investidores. O chamado capex de IA, que reúne gastos com data centers, chips, servidores, energia e infraestrutura digital, tornou-se uma das principais frentes de investimento das grandes empresas de tecnologia.

A discussão deixou de ser apenas se existe uma bolha e passou a envolver a capacidade de transformar os investimentos em receita e geração de caixa. Empresas de chips, semicondutores e computação em nuvem já apresentam modelos de monetização mais claros, enquanto outras áreas ainda precisam demonstrar como os recursos aplicados serão convertidos em retorno.

O tema também alcança a renda fixa. Empresas de tecnologia têm recorrido ao mercado de dívida para financiar projetos de inteligência artificial, aumentando a oferta de títulos corporativos e a disputa por recursos com os títulos do Tesouro americano.

O método para investir no longo prazo

O painel "O Método" tratou da dificuldade de escolher o momento perfeito para investir. Tiago Reis resumiu a discussão com a frase "tempo no mercado vale mais que o momento de entrada".

A apresentação mostrou estudos comparando investidores que aplicam em diferentes datas, incluindo aqueles que tentam acertar as menores cotações. A conclusão foi que a diferença acumulada entre as estratégias é menor do que muitos investidores imaginam, especialmente quando os aportes são feitos durante vários anos.

Nos fundos imobiliários, Marcos Baroni afirmou que a regularidade dos aportes é mais importante do que a busca por um dia mágico. O especialista também destacou a necessidade de acompanhar imóveis, contratos, gestão, endividamento e relatórios dos fundos.

Crédito e oportunidades no agronegócio

A terra foi apresentada como um ativo relevante para o financiamento do agronegócio. Felipe Marques, CFO da Boa Safra (SOJA3), afirmou que o momento de maior estresse no crédito pode abrir espaço para investidores com visão de longo prazo e capacidade de selecionar operações.

Jônatas Couri, diretor de Agro da Suno, destacou a profissionalização dos produtores, o uso de tecnologias e a estrutura de distribuição de insumos no país. Segundo ele, cerca de 80% das vendas de insumos são feitas a prazo, o que mostra a importância do crédito para o funcionamento das safras.

O painel também explicou por que o crédito rural exige uma análise diferente da utilizada em imóveis ou infraestrutura. Plantio, colheita, clima, cultura escolhida, produtividade e preços das commodities podem alterar o fluxo financeiro de cada operação.

Carteira precisa combinar diferentes fontes de retorno

As conversas do Suno Invest 2026 convergiram para a importância de distribuir o patrimônio entre classes, setores, geografias e prazos diferentes. A diversificação apareceu como forma de reduzir a dependência de um único cenário econômico e de ampliar o acesso a oportunidades.

Ao apresentar temas que vão da política monetária à inteligência artificial, do crédito rural aos fundos imobiliários, o evento mostrou como diferentes decisões econômicas se conectam à vida financeira do investidor.

Suno
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