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Custos de empréstimos de 10 anos nos EUA recuam de 5% e levam alívio para Bessent

11 set 2026 - 14h01
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Resumo
A inflação nos EUA dentro do esperado e a queda do petróleo aliviaram os mercados globais, fazendo o rendimento dos títulos de 10 anos recuar para 4,93% e afastar o temido patamar de 5%. A trégua trouxe alívio ao secretário do Tesouro, Scott Bessent, que tenta conter a alta dos juros por meio de recompras de títulos. Apesar da recuperação pontual das ações, persiste a cautela dos investidores com o déficit fiscal, o endividamento recorde e as incertezas geopolíticas globais.

A queda generalizada nos mercados globais de ‌títulos dava uma trégua nesta sexta-feira, depois que um relatório sobre a inflação nos Estados Unidos ficou em linha com as expectativas de economistas, elevando as apostas em altas das taxas de juros e, ao mesmo tempo, alimentando a expectativa de que o Federal Reserve possa adotar uma postura de esperar para ver.

Prédio do Departamento do Tesouro dos EUA em Washington
11 de julho de 2026. REUTERS/Daniel Heuer/Foto de arquivo
Prédio do Departamento do Tesouro dos EUA em Washington 11 de julho de 2026. REUTERS/Daniel Heuer/Foto de arquivo
Foto: Reuters

Essa trégua foi uma boa notícia para os membros do governo dos EUA, que vinham tentando reduzir as taxas de empréstimo sem grande sucesso, com a ansiedade concentrada no nível de 5% que se aproximava para o título de referência dos EUA.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou nesta semana uma recompra incomum de Treasuries, em uma ⁠tentativa de melhorar o funcionamento do mercado e, presumivelmente, reduzir os rendimentos dos títulos de prazo mais longo. A medida não conseguiu acalmar a ansiedade dos investidores em relação ‌aos enormes déficits fiscais dos EUA, à enxurrada de emissões de títulos corporativos e governamentais e ao tão comentado marco de US$40 trilhões em dívida que o país ultrapassou recentemente.

Nesta sexta-feira, os índices acionários dos EUA subiram 1% ou mais após a notícia de que o índice de preços ao consumidor subiu 0,4% no mês ‌passado. Nos 12 meses até agosto, a inflação ao consumidor avançou 3,4%, mesma taxa de julho.

Os ‌rendimentos dos Treasuries estavam em sua maioria em baixa após subiram na esteira da divulgação do relatório, com o rendimento do título de 10 anos ⁠caindo 1 ponto-base, para 4,93%, refletindo o alívio por parte dos investidores que temiam que um relatório extremamente forte desencadeasse outra liquidação de títulos e forçasse o Fed a aumentar os juros em sua reunião da próxima semana.

"O mercado está dando um suspiro coletivo de alívio porque a inflação do índice de preços ao consumidor hoje não superou as expectativas nem disparou", disse Adam Sarhan, diretor executivo da 50 Park Investments. "É provável que o Fed continue dependendo dos dados e monitore a situação, pois os preços mais altos da energia e dos alimentos funcionam como um imposto indireto sobre consumidores e empresas."

O mercado de petróleo subiu acentuadamente nesta semana com a intensificação ‌do conflito no Oriente Médio, mas o petróleo Brent registrava queda de 3%, a US$104, após atingir na quinta-feira a maior cotação em quatro meses, acima de US$108. A ‌queda no preço do petróleo é positiva para os ⁠mercados em geral, pois tende a reduzir ⁠um imposto sobre consumidores e empresas e a amenizar as preocupações com a alta inflação, que estão no centro da liquidação de títulos.

A dívida soberana define a referência para os ⁠custos de financiamento das empresas e de outros empréstimos, incluindo hipotecas residenciais, e taxas mais altas são amplamente ‌vistas como fatores que provavelmente desacelerarão a atividade ‌econômica. Michael Metcalfe, chefe de estratégia macroeconômica da State Street em Londres, afirmou que os rendimentos estão se aproximando do ponto em que poderiam desencadear uma onda de vendas no mercado de ações.

"Vimos um período muito longo de atividades de assunção de risco por parte dos investidores. Assim, tivemos 108 dias consecutivos em que os investidores aumentaram a exposição ao risco em todas as classes de ativos. E isso literalmente acabou nesta semana", disse ele.

Os investidores estão ⁠exigindo retornos mais altos para a manutenção de títulos de longo prazo, em vez de dívidas de prazo mais curto, a fim de compensar a incerteza em torno das taxas de juros, da inflação e do crescimento.

"Isso continuará pressionando essa ideia de que as autoridades estão tentando conter essa tendência, mas os fundamentos não mudaram", disse Metcalfe.

Bessent supervisionou a decisão de seu departamento de, pelo menos, dobrar o volume de recompras de títulos de prazo mais longo para, no mínimo, US$4 bilhões, a fim de conter o aumento dos rendimentos dos Treasuries de 30 anos, que estão em ‌seu nível mais alto desde 2007 e continuam subindo.

Ele também indicou que é a favor de usar o poder financeiro de Washington como ferramenta de política externa, alertando nesta semana os operadores de mercado para que não tentem forçar demais as duas alavancas do sistema financeiro dos EUA — o dólar e os títulos ⁠do Tesouro.

Os rendimentos de referência de 10 anos para as economias do G7 subiram em média quase 19 pontos-base nesta semana, na pior liquidação semanal desde o início da guerra no Irã.

Os rendimentos de dois anos, que são mais sensíveis a mudanças nas expectativas de inflação e taxas de juros, subiram em média 22 pontos-base, com os de grandes importadores de energia, como Itália e Reino Unido, apresentando os maiores aumentos.

"Mais uma vez, são os temores geopolíticos que estão impulsionando tudo", disse o estrategista do Deutsche Bank, Jim Reid.

O Banco Central Europeu elevou os juros na quinta-feira e alertou que as pressões sobre os preços podem se mostrar duradouras.

O aumento dos rendimentos eleva as taxas de hipotecas e empréstimos para famílias e empresas e significa que governos com dificuldades financeiras precisam gastar mais apenas para pagar os juros de sua dívida.

Uma quebra sustentada da marca de 5% para o Treasury de 10 anos é vista por alguns analistas como um limite crítico que poderia tornar os títulos mais competitivos em relação às ações, potencialmente retirando dólares dos mercados acionários.

Com exceção de algumas breves incursões acima de 5% no final de 2023 e nos anos de 2006 e 2007, o rendimento do Treasury de 10 anos não permaneceu por um período significativo acima desse limite desde 2002.

Os rendimentos do Treasury de 10 anos chegaram a 4,979%, o nível mais alto desde o final de 2023, mantendo o clima de nervosismo em outros mercados regionais, antes de recuarem na esteira dos dados dos preços ao consumidor.

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