Cortes de custos ajudam Mercedes a estabilizar lucro, preocupações com China afetam perspectivas
A Mercedes-Benz registrou um lucro maior no segundo trimestre, impulsionado por rigorosos cortes de custos, o que fez com que suas ações subissem nesta terça-feira, no entanto, a intensa concorrência chinesa prejudicou as perspectivas para as vendas de automóveis e a receita.
Os resultados representaram um raro alívio para os investidores do setor automotivo alemão, que vem sendo afetado pelo aumento dos custos com tarifas e pela intensificação da concorrência dos rivais chineses, levando a Volkswagen , a Mercedes e a BMW a acelerar os cortes.
As ações da Mercedes subiram até 5,9% após o anúncio, antes de reduzir os ganhos para uma alta de 2,58% por volta de 9h50 (horário de Brasília).
"Em um ambiente em que algumas montadoras estão soando o alarme sobre seu posicionamento competitivo, a Mercedes transmitiu uma mensagem clara e confiante", disse a analista da Morningstar, Rella Suskin.
A Mercedes confirmou a previsão de lucro para seu negócio principal de automóveis e registrou um retorno ajustado sobre vendas de 4,0% no segundo trimestre, acima das expectativas e confortavelmente dentro da faixa de 3% a 5%.
A rival BMW reduziu drasticamente suas perspectivas em junho, à medida que a desaceleração no mercado automotivo chinês intensificou a pressão sobre as vendas.
O lucro operacional da Mercedes no segundo trimestre subiu 22%, para 1,5 bilhão de euros (US$1,7 bilhão), apesar de uma queda de 3% na receita, impulsionado por cortes nos gastos administrativos e com pesquisa e desenvolvimento, bem como pelos sólidos resultados de suas unidades de serviços financeiros e de vans.
A empresa também se beneficiou de um ganho de 131 milhões de euros relacionado à venda planejada de sua subsidiária de leasing, a Athlon.
Mas a montadora sediada em Stuttgart está longe de estar a salvo. Depois de ter sofrido pesadas perdas nas mãos de fabricantes locais no mercado chinês, outrora lucrativo, esses mesmos concorrentes chineses agora buscam cada vez mais exportar para a Europa.
A margem anual do negócio de automóveis da empresa está atualmente estimada na extremidade inferior da faixa prevista, disse o diretor financeiro Harald Wilhelm, com as vendas mais elevadas na Europa de veículos elétricos — cuja produção é mais cara — devendo pesar sobre o lucro.
As vendas de automóveis no segundo trimestre caíram 30% na China, o maior mercado automotivo do mundo, levando a Mercedes a descartar as previsões de vendas estáveis de automóveis e receita do grupo. Agora, a empresa espera um ligeiro declínio em ambas as frentes em comparação com o ano anterior.
As fábricas alemãs estão na mira de uma pressão intensificada por uma produção mais enxuta, informou a empresa, que se recusou a dar mais detalhes, pois está em negociações com representantes dos trabalhadores.
Ao mesmo tempo, a Mercedes está ampliando sua presença produtiva em países mais baratos da Europa Oriental, como a Hungria — com a expansão de sua fábrica em Kecskemét — e a Polônia.
"Precisamos continuar trabalhando a todo vapor para reduzir custos, de modo que possamos permanecer competitivos nos preços de nossos produtos", afirmou o presidente-executivo Ola Kaellenius.
Quanto às montadoras chinesas que estão entrando no mercado europeu, ele disse que o principal alvo delas atualmente são os mercados de grande volume, e não o segmento premium da Mercedes.
"Mas isso não é motivo para ficarmos de braços cruzados e relaxarmos."
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