B3 tem lucro líquido recorrente de R$1,5 bi no 1º tri, com receita recorde
A B3 reportou nesta quinta-feira lucro líquido recorrente de R$1,5 bilhão no primeiro trimestre, crescimento de 33,1% ante igual intervalo de 2025, em meio a forte crescimento de receitas, diante de perspectivas de queda de taxas de juros, fluxo estrangeiro no mercado de ações e alta volatilidade nos mercados.
Na base trimestral, o lucro aumentou 2,6%. Estimativas compiladas pela LSEG apontavam lucro líquido de R$1,46 bilhão.
A receita avançou 20,5% ano a ano, para o recorde trimestral de R$3,2 bilhões. Em relação ao quarto trimestre de 2025, cresceu 8,5%. O grupo de receitas pró-cíclicas, composto por derivativos e renda variável, registrou incremento de 23,7%, enquanto o grupo de receitas recorrentes mostrou alta de 17,2%.
As despesas totalizaram R$918,7 milhões, alta de 10,9% na comparação anual e em linha com os últimos três meses do ano passado.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) recorrente totalizou R$2,06 bilhões, alta de 23,9% ano a ano, com margem de 71,6%. Estimativas compiladas pela LSEG apontavam Ebitda de R$2,07 bilhões.
De acordo com o diretor financeiro da B3, foi um trimestre que demonstrou a importância da estratégia de diversificação de negócios da companhia, com os negócios mais recorrentes -- como renda fixa, dados e tecnologia -- continuando a apresentar uma boa performance, enquanto há uma aceleração "bem grande" dos negócios pró-cíclicos.
Ele destacou o fluxo maior de investidores estrangeiros ajudando a impulsionar os volumes de negociação nos mercados de renda variável, enquanto a maior volatilidade no período -- seja pela aproximação de um ciclo de corte de juros, seja pelas incertezas que a guerra trouxe para os preços e, consequentemente, para a trajetória da taxa de juros -- fez com que a B3 tivesse volumes recordes em alguns casos durante esse primeiro trimestre.
"Tudo isso se traduziu em um resultado também recorde histórico para a companhia, em receita e em lucro", afirmou o executivo em entrevista à Reuters.
Milanez afirmou que há espaço para a continuidade do fluxo estrangeiro na renda variável, após o primeiro trimestre registrar um saldo positivo de capital externo de R$38 bilhões."Não sei se na mesma intensidade, na mesma magnitude do que se viu, mas acho que, certamente, há espaço para que continue", estimou.
Para o investidor local, ele destacou que as taxas de juros ainda representam um desafio grande. Apesar dos cortes recentes, o executivo destacou que os juros ainda estão muito elevados. "Aí é difícil ver uma migração de fluxo mais forte para a renda variável", acrescentou, destacando que é necessário ter juros menores ou pelo menos uma clara indicação (de queda) para começar a se ver um volume mais forte de alocação vindo do investidor local.
IPOs
O CFO da B3 afirmou que no começo do ano havia um grau de otimismo maior em relação a IPOs (oferta pública inicial de ações), mas o cenário mudou com a guerra no Irã, que trouxe pressões inflacionárias e volatilidade para a curva de juros. "Todo mundo está tentando entender o que isso vai significar do ponto de vista de direção do Banco Central quanto à política monetária", acrescentou.
De acordo com ele, não há problema de oferta, com cerca de 100 empresas que poderiam acessar o mercado nos próximos 18 meses. "Há cerca de 50 empresas que fizeram seu registro como companhia aberta junto à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que ainda não têm operações no mercado, mas que mantiveram esses registros ativos justamente para facilitar ou acelerar o processo de acesso ao mercado de capitais quando tiverem uma oportunidade", afirmou.
Para Milanez, o IPO da Compass pode animar um pouco mais investidores e empresas a depender do seu resultado. "Tudo indica que vai ser um IPO bem-sucedido pelo que temos escutado, e isso pode abrir ou animar outras companhias e investidores a tentarem esse caminho.. É difícil dizer se isso de fato acontecerá, depende de uma série de fatores, mas acho que voltar a ter um IPO por si só vai ser positivo."
A Compass Gás e Energia precifica nesta quinta-feira seu IPO, que pode quebrar um jejum de quase cinco anos de IPOs na B3.
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