Airbus terá em breve decisão sobre aumento de produção de jato A350
A Airbus planeja decidir em breve sobre a ampliação da taxa de produção do jato A350 e estuda versões maiores deste modelo e do A220 para atender à forte demanda de mercado. Embora confiante nas metas de entrega do ano e projetando um novo jato de corredor único para 2030, a fabricante ainda enfrenta desafios operacionais, sobretudo atritos e incertezas com a Pratt & Whitney quanto ao fornecimento de motores para a família A320, além de atrasos pontuais no fornecimento de assentos.
A Airbus planeja decidir "o mais rápido possível" sobre o aumento da capacidade de produção de seu jato de fuselagem larga A350, afirmou o presidente-executivo da divisão de aviação comercial do grupo, Lars Wagner.
A maior fabricante de aeronaves do mundo também está estudando ativamente versões maiores do A350 e do modelo menor, o A220, que vem gerando prejuízos, com decisões sobre ambos os projetos previstas para o início de um período de planejamento de cinco anos, disse ele.
"A decisão de aumentar a taxa de produção do A350 é inevitável. Vamos fazê-lo porque o mercado claramente exige mais aeronaves", disse Wagner a jornalistas.
"É uma grande decisão, por isso precisamos levá-la ao conselho de administração. Mas isso vai acontecer mais cedo ou mais tarde."
A Airbus possui uma linha de montagem para o concorrente das séries 787 e 777 da Boeing, projetada para produzir de 12 a 13 jatos por mês. Aumentar essa produção exigirá uma nova linha e um novo sistema industrial, disse Wagner.
Separadamente, o executivo disse que há "claramente demanda" por um A350 mais longo e com mais assentos, amplamente conhecido como A350-2000, e por uma versão maior do A220, de aproximadamente 130 assentos, conhecido como A220-500.
O ex-presidente-executivo da MTU Aero Engines, que assumiu o comando da maior divisão da Airbus este ano, se recusou a dizer se a Airbus poderá abrir mão da posição de ter a Rolls-Royce como única fabricante de motores do A350 quando se trata de equipar a nova versão.
Fontes do setor afirmam que a Airbus cogitou a possibilidade de usar um motor da GE Aerospace para o A350-2000, com cerca de 400 assentos, mas que o interesse da fabricante de motores tem sido discreto até o momento.
Wagner reiterou que a Airbus está confiante em atingir as metas de entrega até o final do ano, apesar das recentes falhas de qualidade.
A longo prazo, a Airbus continua considerando a data "teórica" de 2030 para o lançamento de um jato de corredor único totalmente novo, disse Wagner.
O momento do lançamento dos sucessores das séries mais vendidas, o Boeing 737 e o Airbus A320, é uma das decisões mais aguardadas do setor, impulsionada em parte pelas pesquisas das empresas de motores.
Alguns analistas estão céticos quanto à possibilidade da próxima geração de jatos tomar forma já em 2030, à medida que os fabricantes de motores aperfeiçoam tecnologias avançadas. O presidente-executivo da Boeing, Kelly Ortberg, disse à Aviation Week em julho que a próxima geração está "avançando na direção certa".
MOTORES PRATT & WHITNEY
No curto prazo, a Airbus afirmou que continua enfrentando incertezas quanto ao fornecimento de motores Pratt & Whitney para os jatos da família A320.
A Airbus e a subsidiária da RTX vêm debatendo quem terá acesso prioritário ao fornecimento de motores, as fábricas de aeronaves ou as oficinas de reparo das companhias aéreas.
A Airbus afirmou que ainda não chegou a um acordo com a Pratt sobre o fornecimento após 2026.
"Estamos lidando com isso com muita seriedade junto à Pratt & Whitney e tentando avançar o máximo possível", disse Florent Massou dit Labaquere, chefe de operações da Airbus.
O número de aeronaves em serviço imobilizadas devido a atrasos no fornecimento de motores de reserva é "ainda bastante significativo", acrescentou ele.
A Reuters informou em março que a Airbus havia dado o pontapé inicial em uma ação por indenização por atrasos na entrega de motores, em uma disputa que pode chegar a bilhões de dólares.
As negociações entre as duas empresas para evitar uma batalha judicial ainda não resultaram em avanços significativos, segundo fontes do setor.
A Airbus acusou a Pratt de voltar atrás quanto ao número de motores alocados às suas fábricas. A Pratt, que fornece cerca de 40% dos jatos A320, informou que houve progresso na estabilização dos suprimentos.
"A Pratt & Whitney aumentou as entregas anuais de novos motores desde 2019, superando o setor e nossa participação geral no mercado para a frota", afirmou a RTX em comunicado enviado por email, acrescentando que continua a expandir a capacidade de manutenção.
Massou disse, no entanto, que as interrupções no fornecimento de um modelo diferente de motor da Pratt para o A220 praticamente desapareceram. Os motores da Rolls-Royce também estão em dia após preocupações anteriores, mas os atrasos no fornecimento de assentos continuam sendo uma questão urgente para os jatos de fuselagem larga, acrescentou ele.
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