Uma nova voz no cenário da inclusão
Michele Fátima de Almeida Lafraia: trajetória, pesquisa e liderança em prol da inclusão por meio do esporte
Michele Fátima de Almeida Lafraia, professora de educação física e pedagoga formada pela Universidade Tuiuti do Paraná e pela Faculdade Campos Eliseos, sempre acreditou que o esporte é uma ferramenta de inclusão. Com mais de duas décadas de experiência em escolas de Curitiba, onde também atuou como coordenadora de ensino, ela se viu diante de um desafio crescente: o número de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) matriculados na educação básica saltou de 636 202 em 2023 para 918 877 em 2024. "Percebi que muitos dos meus alunos autistas tinham dificuldades motoras que iam além da sala de aula. Precisávamos de soluções baseadas em evidências, não apenas intuição", conta.
A inquietação virou pesquisa. Em maio de 2026, Michele publicou na revista científica Núcleo do Conhecimento o artigo acadêmico "Intervenções esportivas no Transtorno do Espectro Autista (TEA): análise de evidências neuropsicomotoras e paradigmas para a educação inclusiva", no qual revisa estudos de alto rigor para mostrar como programas de atividades físicas estruturadas — como atividades aquáticas, mini-basquete, equoterapia, artes marciais e exergames — melhoram a coordenação motora, a autorregulação emocional e as funções executivas de crianças autistas. A pesquisa lembra que, além das alterações na comunicação, o TEA está associado a déficits motores significativos e baixa participação em atividades físicas, o que torna o esporte uma política de inclusão e saúde pública. "Não se trata de recreação; é intervenção terapêutica. Nosso trabalho defende que a educação física escolar seja planejada com base em evidências e apoiada por legislação como a Lei Berenice Piana e a LDB", explica Michele.
A escolha do periódico também foi estratégica. A Núcleo do Conhecimento é uma revista científica multidisciplinar, eletrônica, de acesso gratuito e periodicidade mensal, indexada no Dataverse Harvard e com fator de impacto SJIF 5,999 e classificação Qualis B1. Além disso, está presente em bases como Latindex, Google Scholar, OpenAIRE, Science Open, Scite, CiteFactor e outros indexadores internacionais. "Ter meu artigo revisado por pares, às cegas, e divulgado em uma revista com alcance global foi fundamental. É emocionante saber que pesquisadores de Harvard ou da Europa podem acessar nossos dados e replicar práticas inclusivas", diz a autora.
No texto, Michele cruza dados do Censo 2022, que estima 2,4 milhões de brasileiros diagnosticados com TEA, com literatura internacional, demonstrando que a prevalência e a demanda educacional cresceram mais rápido do que a formação docente. Ela defende que professores de educação física recebam capacitação continuada e que escolas adotem paradigmas de ensino estruturado. "A inclusão precisa ser uma rotina verificável, e não apenas um conceito bonito. Os programas que analisamos mostram que quando há estrutura e planejamento, crianças autistas desenvolvem habilidades motoras, sociais e cognitivas, o que abre portas para a participação plena", comentou.
Além de pesquisadora, Michele está nos Estados Unidos aperfeiçoando o inglês e atuando como voluntária em projetos esportivos para crianças e jovens com necessidades especiais, experiência que considera fundamental para trazer novas práticas ao Brasil. Ela lembra que a formação em educação física e pedagogia a prepara para articular teoria e prática. "Ver o brilho nos olhos de uma criança que aprende a nadar e ganha autonomia me faz acreditar que estamos no caminho certo. Meu sonho é que cada escola enxergue o esporte como direito e oportunidade de inclusão."
O conteúdo publicado na plataforma científica reforça a urgência de políticas públicas baseadas em dados e valoriza iniciativas individuais como a de Michele, que transforma estatísticas em histórias de superação. Ao dar voz a educadores que unem ciência e experiência, a matéria mostra que a inclusão pela atividade física pode ser um legado de alcance internacional.
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