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Terry Crews diz que comida é 'a linguagem do amor' e estreia como apresentador de reality

À frente de 'A Batalha dos 100 Cozinheiros', que estreia em 27 de julho, o americano fala sobre afeto, família, vulnerabilidade e sua paixão por churrasco brasileiro

21 jul 2026 - 06h11
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Comida é gente. O ator e apresentador Terry Crews repete essa ideia de formas diferentes ao longo de toda a conversa com Paladar, quase como se fosse o refrão de uma música que ele mesmo compôs. Para o americano, que estreia como anfitrião de A Batalha dos 100 Cozinheiros no dia 27 de julho, no Discovery Home & Health e na HBO Max, a cozinha nunca foi sobre técnica pura. É sobre o que se esconde atrás dela.

"O coração da comida caseira é a linguagem do amor de cada um", disse Crews, tentando explicar por que via diferença entre o novo reality e outras competições gastronômicas que já acompanhou. "Eles falam através da comida. É a cultura deles, é a história deles".

A Batalha dos 100 Cozinheiros, com nove episódios, parte de uma premissa simples: cem cozinheiros amadores, nenhum deles preparado para saber, a cada rodada, se vai cozinhar ou qual prova terá que enfrentar. Um sorteio decide isso por eles. Quem avalia os pratos e decide quem segue na disputa são a chef Alex Guarnaschelli e o criador de conteúdo gastronômico Nick DiGiovanni.

Para Crews, os 100 cozinheiros se tornaram próximos do apresentador.. "Cada um deles parecia um membro da minha família. Irmãos, irmãs, avós, avôs, tios. Eu nunca me senti tão parte de uma família quanto nesse programa", afirma.

O convite chegou em um momento que o próprio apresentador descreve como quase profético. Fã declarado de Food Network, Crews contou que já vinha anotando, havia anos, o desejo de estrelar um projeto que unisse sua imagem à comida. Até que o telefone tocou. "Meu agente me ligou e disse que a Food Network estava fazendo a maior competição que eles já fizeram, com um prêmio de US$ 250 mil, e que eles queriam que eu apresentasse", relembrou. "Eu pensei: nossa, isso é perfeito. Eu já sabia exatamente o que eu queria fazer".

Um pouco de Brasil na receita

Crews não escondeu o entusiasmo ao falar do Brasil. Logo que Paladar entrou na sala virtual de entrevistas, o apresentador abriu um sorriso e gritou "Brasil! Brasil!".

Ex-jogador de futebol americano e autoconfesso "cara de proteína", ele lembrou com carinho de uma viagem ao Rio de Janeiro, onde conheceu uma churrascaria e, segundo ele, experimentou "alguns dos melhores momentos" de sua vida. "Amo carne, e é por isso que amo o Brasil", afirmou, antes de emendar uma declaração sobre o poder social da mesa. "Quando você coloca as coisas em torno da comida, isso dá a todo mundo uma ótima desculpa para se abrir".

A relação de Crews com ingredientes brasileiros, aliás, vem de mais longe. Ele conta que descobriu o açaí em 2010, numa época em que praticamente ninguém nos Estados Unidos sabia pronunciar o nome da fruta — muito menos imaginava que ela se tornaria febre global poucos anos depois. "Ainda existem tantas frutas que vocês têm no Brasil que a gente nem descobriu", disse, quase como uma promessa. "Eu quero trazer um pouco disso e espalhar pelos Estados Unidos".

A humildade como ingrediente principal

Apesar do entusiasmo contagiante diante das câmeras, Crews fez questão de deixar claro que não assiste à competição de fora, como espectador distante. Antes das gravações, ele próprio passou pelo mesmo processo de aprendizado que os cem cozinheiros amadores do programa. Visitou o restaurante Butter, de Alex Guarnaschelli, uma das jurados da atração, e recebeu em casa a visita do também jurado Nick DiGiovanni, que não poupou críticas às suas técnicas. "Suas facas não estão afiadas. Você não fez isso direito. Você não corta a cebola assim", recordou, imitando o tom do amigo. "Eu me coloquei pelo mesmo processo que os cem cozinheiros passaram".

Dessa experiência, tirou uma das reflexões mais sinceras da conversa: a comida, disse ele, tem o poder de tornar humilde quem se acha bom demais para errar. "Você não pode ser arrogante com a comida, porque ela vai te humilhar se você não fizer algo direito e as pessoas não gostarem", afirmou. "Mas quando você acerta, é tão satisfatório".

É esse equilíbrio — entre talento e vulnerabilidade, entre técnica e afeto — que Crews promete guiar como fio condutor de A Batalha dos 100 Cozinheiros. Já no episódio de estreia, mais de 50 participantes serão sorteados aleatoriamente para enfrentar cinco desafios diferentes, avaliados por Guarnaschelli e DiGiovanni, e 26 deles vão deixar a competição já na primeira noite. Os demais seguem para uma disputa de oito semanas, na qual, se depender do apresentador, o que vai determinar quem chega ao final não será apenas talento na cozinha, mas a história que cada prato carrega.

Estadão
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