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Crise epiléptica: quais as causas? É perigosa? Como é o tratamento? Tire dúvidas

Tema repercutiu nas redes sociais após o ator Henri Castelli deixar o Big Brother Brasil

15 jan 2026 - 16h08
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Durante a participação em uma prova de resistência do Big Brother Brasil, o ator Henri Castelli teve uma crise epiléptica. Levado ao hospital para exames, ele teve um segundo episódio ao retornar à casa e, por orientação médica, deixou o programa.

Os acontecimentos com o participante tomaram as redes sociais e geraram dúvidas sobre a condição.

O ator Henri Castelli deixou o BBB 26 após apresentar crises epilépticas.
O ator Henri Castelli deixou o BBB 26 após apresentar crises epilépticas.
Foto: Manoella Mello/Globo/Divulgação / Estadão

O neurologista e especialista em epilepsia Lécio Figueira explica que a crise epiléptica é qualquer manifestação, física ou subjetiva, de alteração do funcionamento cerebral.

"Como essa alteração pode ser localizada, mais ampla ou atingir todo o cérebro, dependendo da região afetada, o paciente pode apresentar tipos diferentes de crises", diz.

No caso do ator, o quadro apresentado foi o de crise tônico-clônica, em que todo o cérebro é atingido por um "curto-circuito", segundo Figueira. Nesse tipo de crise, os sinais são perda de consciência, queda e movimentos involuntários intensos, além de possibilidade de mordida na língua, salivação excessiva e perda urinária.

Uma crise isolada, no entanto, não caracteriza epilepsia.

O quadro pode ser investigado como epilepsia quando a pessoa apresenta duas ou mais crises, com intervalo superior a 24 horas entre elas, ou quando há alto risco de recorrência, de acordo com a neurologista Liz Rebouças, da UPA Vila Santa Catarina, unidade gerenciada pelo Einstein Hospital Israelita.

"A investigação sempre é indicada em pacientes que nunca tiveram crise epiléptica e também naqueles com episódios recorrentes ou prolongados", afirma a médica.

O que causa uma crise?

No caso de uma crise isolada, é comum que o episódio esteja relacionado a uma causa pontual e reversível, como hipoglicemia ou alterações de eletrólitos, de acordo com Liz. Os gatilhos mais comuns para as crises costumam ser privação de sono, estresse intenso, infecções e estímulos luminosos.

Segundo a médica, o esforço físico raramente desencadeia crises epilépticas. No entanto, em uma minoria de pacientes, especialmente aqueles com epilepsia associada a lesão estrutural cerebral, o esforço físico intenso pode atuar como fator precipitante.

Sintomas

Os sintomas que precedem uma crise epiléptica incluem confusão, tontura, dor de cabeça, enjoo e dor abdominal e podem surgir minutos ou horas antes do episódio.

Outros sinais que podem anteceder a crise incluem olhar fixo e movimentos repetitivos involuntários da boca, mãos e pernas.

Mas os especialistas ressaltam que nem sempre há um indício antes do início da crise, muitas acontecem de forma abrupta, sem sintoma prévio. "Em geral, quando as pessoas percebem, já é o início da crise", diz Figueira.

Em pacientes com epilepsia e crises frequentes, podem ser comuns sensações de angústia, taquicardia e ansiedade.

Fatores de risco

Ter uma crise é sempre um fator de preocupação e deve ser investigado, segundo Figueira, para descartar alterações neurológicas graves, como tumores e acidente vascular cerebral (AVC).

Crianças com menos de cinco anos, especialmente em contexto de febre, também podem ter crise. Nessas situações, os episódios podem estar relacionados à maturação cerebral, e ainda assim exigem avaliação.

Os principais fatores de risco para crise epiléptica incluem:

  • lesões cerebrais estruturais (como traumatismo cranioencefálico e acidente vascular cerebral)
  • tumores
  • histórico familiar de epilepsia
  • crises febris na infância
  • infecções do sistema nervoso central
  • complicações perinatais
  • distúrbios metabólicos (como hipoglicemia e hiponatremia)
  • uso e abuso de álcool ou drogas ilícitas
  • privação de sono
  • estresse intenso

Tratamentos disponíveis

No caso de pacientes com epilepsia diagnosticada, o tratamento envolve principalmente medicamentos antiepilépticos. Quando não há controle adequado das crises, a equipe pode considerar também dietas terapêuticas, cirurgia ou neuromodulação.

Estadão
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