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'Passione' se destaca com temas fortes e uma estética apurada

28 jun 2010 - 07h17
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Mariana Trigo

O excesso de sofisticação em Passione impressiona. Com um rebuscado figurino e uma produção de arte e cenografia impecáveis, a história de Silvio de Abreu agrada visualmente desde a interessante abertura com obras de sucata do artista plástico Vik Muniz. Este início já demonstra a estética aprimorada da trama bem conduzida por uma ágil e elaborada direção de Marcos Schechtman - que ainda não conseguiu superar a baixa audiência de 32 pontos de média. Dentre os maiores estímulos visuais, no entanto, estão as locações paradisíacas da Toscana e sua requintada rusticidade, que volta e meia é entremeada por necessários, mas stock shots quase sufocantes da cidade de São Paulo. Em meio a esse clima que mescla o berço do Renascentismo com cenários de famílias quatrocentonas da capital paulista, a trama se desenrola visivelmente focada num público mais adulto e instruído.

Sem núcleos adolescentes e apelos populares, a história é preenchida por temas fortes. Prostituição e ninfomania são alguns dos assuntos abordados. Valentina, a disfarçada cafetina vivida por Daisy Lúcidi tenta, a todo custo, vender os serviços sexuais de sua neta Kelly, de Carol Macedo. Enquanto isso, Clara, de Mariana Ximenes, volta a se prostituir, e Stela, de Maitê Proença, desfila com seus carros milionários em busca de jovens para satisfazer seus incontroláveis impulsos sexuais. E afogar suas mágoas de um casamento fracassado com o grosseirão Saulo, de Werner Schunemann. Com cenas sensuais e pouco agressivas, a trama consegue manter sua elegância e já demonstra que Silvio pretende pegar mais pesado. Como, por exemplo, começar a demonstrar indícios sutis de que Gerson, de Marcelo Anthony, é um pedófilo.

Um dos méritos do autor nesse desenrolar de personagens dúbios, como a sofrida Felícia, de Larissa Maciel, que em breve revela que é mãe da adolescente Fátima, de Bianca Bin, tem sido tentar aguçar o telespectador numa espécie de jogo de adivinhação. Afinal, parte dos personagens camufla segredos que são revelados ao longo da trama no familiar clima de mistério pelo qual Silvio de Abreu sempre trilhou em suas novelas.

Para dar um respiro na história, o autor inseriu um núcleo cômico de novos ricos, com direito a muito dourado, expressões chulas e até mesmo um casal assanhado de terceira idade, caso de Clô e Olavo, de Francisco Cuoco e Irene Ravache. Só esqueceu que pesou demais a mão e acabou enveredando por cenas de comédia pastelão, com atuações rasas, salvo de Irene como a deslumbrada Clô. Já Cuoco e Bruno Gagliasso, que vive seu genro italiano Berilo, pecam constantemente pela caricatura em suas atuações.

Quem também não tem conseguido convencer desde o início da trama é Reynaldo Gianecchini com seu sofrível vilão Fred. Com os olhos apertados e um semblante de "eu sou mau" em todas as cenas, o ator ainda não conseguiu persuadir com o papel. Principalmente quando é engolido em cena pela perspicácia interpretativa de Mariana Ximenes como a gananciosa Clara. Com uma dosagem afinada em sua primeira vilã, a atriz confirma que tem jogo de cintura e vai se tornando um dos principais atrativos da história, assim como o impagável Totó, do sempre excelente Tony Ramos, ou a simpática Gemma, de Aracy Balabanian. Nessa perspectiva da trama, pode até ficar mais fácil se apaixonar pela história.

Em 'Passione', Maitê Proença e Werner Schunemann interpretam um casal que lida com o fracasso de seu casamento
Em 'Passione', Maitê Proença e Werner Schunemann interpretam um casal que lida com o fracasso de seu casamento
Foto: TV Press
Fonte: TV Press
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