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Bebê de 'Três Graças' é real? Entenda a tecnologia e a lei por trás da cena de parto da Globo

Cena de parto em 'Três Graças' utiliza boneco reborn e IA para contornar restrições do ECA e garantir realismo sem riscos à saúde infantil

26 fev 2026 - 13h48
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A cena do parto de Joélly (Alana Cabral) na novela "Três Graças" acendeu um debate acalorado nas redes sociais. A perfeição dos detalhes fez o público questionar: o bebê é de verdade, um boneco ou fruto de Inteligência Artificial? A colunista Carla Bittencourt, do Leo Dias, apurou os bastidores dessa produção e a resposta envolve um mix de arte hiper-realista e tecnologia de ponta.

Bebê de 'Três Graças'
Bebê de 'Três Graças'
Foto: Reprodução/Globo / Contigo

Boneco Reborn e Inteligência Artificial: O segredo técnico

Para alcançar o realismo que impressionou os telespectadores, a produção de arte da Globo não utilizou apenas um recurso, mas uma combinação deles. O ponto de partida é um bebê reborn físico, finalizado digitalmente na pós-produção.

Muito além da estética, a escolha é pautada pela legislação. Para garantir a segurança e cumprir as normas brasileiras, a Globo não utiliza recém-nascidos reais em suas cenas. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e diretrizes do Ministério do Trabalho, a participação de bebês em produções audiovisuais só é permitida a partir dos seis meses de idade.

As reações que confundiram o público — como movimentos sutis e respiração — são inseridas através de Inteligência Artificial (IA). Essa tecnologia resolve o antigo problema dos "bebês gigantes" em cenas de parto, já que bebês de seis meses (idade mínima permitida) obviamente não aparentam ser recém-nascidos.

Por que a Globo não usa recém-nascidos reais?

A escolha vai além do cumprimento do ECA. O ambiente de um set de gravação é considerado insalubre para crianças tão pequenas devido a diversos fatores técnicos:

  • Iluminação e Ruído: Refletores intensos e microfones próximos.
  • Temperatura: Oscilações constantes entre ar-condicionado e calor das câmeras.
  • Imunidade: Recém-nascidos ainda não possuem proteção completa contra viroses e bactérias.

Um set de filmagem está longe de ser o lugar ideal para um recém-nascido: câmeras superaquecidas, luzes intensas e a constante marcação técnica são riscos reais para quem ainda não tem imunidade formada. Somando-se a isso o barulho e as longas jornadas, fica claro por que a produção evita bebês de verdade. No fim das contas, a escolha por tecnologia em vez de atores reais é uma medida de proteção que une responsabilidade médica e exigências da lei.

O fim dos memes: Realismo vs. Ética

Durante anos, o público ironizou bebês grandes demais em novelas. Agora, a solução que une bonecos detalhados e finalização digital parece ter atingido o equilíbrio perfeito entre a ética e a estética audiovisual.

A Inteligência Artificial é utilizada para animar o boneco hiper-realista com expressões e movimentos sutis, criando uma ilusão de vida impressionante. Essa abordagem harmoniza a ética e a legislação com as necessidades da narrativa visual. O sucesso da técnica ficou evidente com a repercussão nas redes sociais: ao deixar o público em dúvida sobre a veracidade do bebê, a dramaturgia provou ter alcançado seu objetivo máximo.

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