Novelas usam bichos cada vez mais inusitados
É só eles entrarem em cena para roubar a atenção. Os bichos já são presença nas tramas televisivas há muito tempo, desde os tempos do intrépido cão Lobo, do Vigilante Rodoviário, agora reprisado no Canal Brasil.
Mesmo não sendo novidade nos folhetins, sempre rendem assunto. O que era costume ver nas novelas limitava-se a gatos, cachorros e pássaros. Os bichos domésticos continuam a aparecer, porém os animais exóticos são cada vez mais comuns em cena. Um exemplo bom para isso é a vaca de Caminho das Índias.
Tony Ramos, no papel do indiano Opash contracena com a novilha, que é chamada carinhosamente de Emília. O ator conta que até seus netos já quiseram ir gravar com ele só para conhecer a "estrela" da faixa das oito.
E que, apesar de ter recebido críticas por fazer carinho no ruminante, considerado sagrado na Índia, adora quando grava ao lado de Emília. "É bonito poder mostrar essa relação com animal de maneira poética, lúdica. Não entendo o preconceito das pessoas. Você não faz cafuné no cachorro? Porque não pode fazer carinho no papo da vaca?", questiona o ator.
E, mesmo não sendo tão bonitos, os bichos ainda assim incrementam as tramas. E o que atrai é a espontaneidade que os animais têm em cena. E é por esse "quesito especial" que a consultora animal In-Coelum Perdigão procura em um bicho.
"Minha estratégia é achar animais que ajam com naturalidade, que sejam sociáveis. Quando o bicho tem esse talento é ótimo. E é isso que dá ibope", analisa a consultora.
Betty Gofman, por exemplo, gravou ao lado de camelos e elefantes na Índia para viver Dayse, em Caminho das Índias. Mas a atriz não achou nada de muito anormal estar ao lado de bichos não tão fofinhos assim.
"Eu tenho uma ligação muito forte com bicho e adoro esse contato. Foi super bacana gravar com elefante, vaca, camelo. Foi tão especial que não tive dificuldades", garante, apesar de ter sido encharcada com o espirro de um elefante.
Outra que teve ao lado um animal não tão confiável foi a atriz Anna Markun. Ela interpretou a primeira Mulher Cobra em Caminhos do Coração, da Record, e andava com o bicho enrolado no pescoço.
Na época, a atriz chegou a escolher com qual de três cobras queria contracenar. Eram duas do tipo Piton e uma Jibóia, que acabou sendo a escolhida. O medo, a atriz diz que passava bem longe. "Cheguei a levar Ritinha para a minha casa. Ela era adestrada, então era tranqüilo", relembra.
Os bichos da floresta, aliás, nunca estiveram tão em evidência. Em Caras e Bocas, próxima novela das sete da Globo, um chimpanzé terá destaque. Ele contracenará ao lado de Marcos Pasquim e David Lucas e terá grande importância na trama.
"Além do chimpanzé, teremos vários outros macacos em cena. Torço para que eles se saiam bem", brinca o diretor Jorge Fernando.
David Lucas, que já gravou ao lado de gansos, galinhas e macacos em outras novelas, diz estar ansioso para que a cena com o companheiro inusitado seja gravada logo.
"Ainda não fizemos, mas quero muito ver no que vai dar. Vai ser muito engraçado", diz ele, após citar uma vasta lista de animais com os quais já gravou.
Outro que já começou a gravar ao lado de animais é Luciano Szafir. Em Promessas de Amor, novo folhetim da Record, ele viverá Amadeus, dono de um Haras na cidade de Petrópolis, Região Serrana Fluminense.
Apesar de gostar muito de bichos, o ator só teve um único problema ao montar. É que por conta de seus 1,91 cm de altura, a produção teve de buscar o maior cavalo para que as pernas de Luciano não ficassem muito perto do chão.
"No primeiro dia que cheguei para gravar, vim até mais cedo para brincar com o cavalo. Só foi um pouco complicado para achar um do meu tamanho", conta o ator que garante que já anda de cavalo desde a adolescência.
Confusão no set
Eles são carismáticos e podem até ser "bom atores". Mas nem sempre tudo dá certo em um set de gravação com animais. David Lucas, por exemplo, já passou por muitas situações em cena.
Quando gravava O Pequeno Alquimista, em 2004, uma galinha voou em sua cara. Ao participar do especial Mãe Natureza, do Fantástico, um macaco chegou a tacar fezes no ator. "Foi horrível, mas engraçado ao mesmo tempo. Eles não fazem por maldade", conta aos risos.
Já Jorge Fernando guarda boas lembranças de 1996, quando dirigiu Vira-Lata, novela de Carlos Lombardi. "Cheguei a dirigir uma cena com18 cachorros juntos. Era uma loucura, mas o aprendizado foi excelente", relembra.
A consultora de animais In-Coelum, que preparava os cachorros, tem na memória que o diretor usou a reação natural dos bichos para que a cena desse certo.
Já que apenas um cão tinha de ligar a TV ou atender o telefone, ele resolveu soltar vários cachorros no cenário cercado por grades, e o que estava mais perto do aparelho, a câmara pegava. "Aquilo era uma muito difícil, mas foi espetacular e muito divertido", conta.
Instantâneas
# A vaca Emília, de Caminho das Índias chega a faturar R$ 350 por dia de gravação.
# Em um projeto de minissérie intitulado Para Sempre, da Globo, In-Coelum vai levar para o estúdio um gato e um cachorro.
# Na minissérie Amazônia - De Galvez a Chico Mendes, da Globo, mais de 150 animais foram usados nas gravações, entre eles, onças, aves, macacos e até um boto cor de rosa.
# Em Caras e Bocas está prevista a entrada da atriz cega Danieli Haloten. É provável que no meio da trama ela receba um cão-guia, assim como Quartz, o labrador que acompanhava Jatobá, vivido por Marcos Frota em América, em 2005.
# A pata Doralice era a companheira inseparável de Mirna, personagem da atriz Fernanda Souza em Alma Gêmea, também em 2005.