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Mulheres dominam estreia empolgante de A Regra do Jogo

1 set 2015 - 09h15
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Atena, Adisabeba e Tóia: o capítulo foi delas (Fotos: Divulgação/TV Globo)
Atena, Adisabeba e Tóia: o capítulo foi delas (Fotos: Divulgação/TV Globo)
Foto: Sala de TV

Cada tabuleiro de xadrez tem apenas duas rainhas. Mas em A Regra do Jogo, novela das 21h da Globo que estreou na segunda-feira (31), será necessário expulsar alguns reis ou bispos para acomodar mais damas. As mulheres foram o destaque do primeiro capítulo.

A começar por Giovanna Antonelli. Numa trama carregada no drama, a personagem Atena oferece alívio cômico. É uma golpista viciada em boa vida. Tresloucada, tem a risada forçada como marca registrada.

Ancorada na caricatura, a atriz, sempre competente e carismática, construiu um tipo crível. O mundo está cheio de Atenas, prontas para furtar o cartão de crédito da amiga, tentar seduzir um ricaço (no caso da personagem, o alvo foi o jogador Neymar) e até fugir de uma suíte presidencial levando bules de prata na bolsa.

Em Avenida Brasil (2012), o autor João Emanuel Carneiro presenteou o telespectador com uma das melhores vilãs de todos os tempos, a dissimulada Carminha (Adriana Esteves). Em A Regra do Jogo, Atena é a oferenda da vez.

Não menos 'lacradora', Adisabeba se mostrou uma espécie de rainha do Morro da Macaca. A ex-prostituta comanda a boate local. A personagem é uma perua assumida, com personalidade carnívora. Parece um alter ego da própria intérprete, Susana Vieira, 73 anos reluzentes.

Uma cena representativa do 'estilo Adisabeba de ser': ela está subindo uma ladeira do morro quando, na direção contrária, surgem vários motoboys. 'Sai da frente, deixa eu passar', berra. Imediatamente as motos abrem alas para a poderosa. Mais Susana Vieira, impossível.

A heroína de A Regra do Jogo, Tóia, parece feita sob medida para o talento de Vanessa Giácomo.  A moça é romântica e sonhadora sem deixar de ser realista. Ainda que honesta por princípio, ela rouba dinheiro do cofre da boate onde é gerente para pagar a cirurgia que salva a vida da mãe de criação, Djanira (Cassia Kis).

O capítulo termina com a mocinha da história assumindo voluntariamente a culpa pelo crime. O autor faz uma provocação: a quebra de uma virtude pode ser justificada numa situação-limite? Merece perdão quem comete um deslize moral impelido pelo amor incondicional a alguém?

Os homens de A Regra do Jogo também tiveram bons momentos. Alexandre Nero está convincente no papel do herói-bandido Romero Rômulo. O ator conseguiu exorcizar o fantasma do Comendador de Império, ainda fresco na memória do público.

Cauã Reymond é a 'Nina/Rita' da vez: já sinalizou que passará a novela toda em busca de justiça. O personagem, Juliano, apresenta quesitos de sobra para conquistar a torcida dos noveleiros. Entre eles, o peso da punição por um crime supostamente não cometido.

Tony Ramos foi a ausência sentida no primeiro capítulo. Seu personagem, o também injustiçado Zé Maria, não apareceu.

De acordo com dados prévios do Ibope, a novela sob o comando da diretora Amora Mautner marcou 31 pontos de média. O índice oficial será divulgado ao meio-dia. A trama anterior, Babilônia, registrou 32.3 na estreia.

Comparações à parte, A Regra do Jogo mostrou potencial para crescer rapidamente em audiência, fazendo a Globo e o público logo esquecerem o fiasco da antecessora.

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