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Globo tem cobertura tranquila da eleição enquanto há 4 anos via repórteres hostilizados e era ameaçada de sair do ar

Maior contratempo enfrentado pela emissora foi causado por ela própria: cancelar o debate de presidenciáveis em cima da hora

4 out 2026 - 16h34
(atualizado às 16h34)
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O jornalismo da Globo experimentou uma incomum tranquilidade na cobertura do 1º turno das eleições. 

Na maioria das cidades, suas equipes de reportagem não encontraram clima de hostilidade nas ruas nem provocações nas zonas de votação.

Uma situação bem diferente daquela vivida no pleito de 2022.

Jair Bolsonaro era presidente e tentava a reeleição. Ele havia elegido a principal emissora da família Marinho — ao qual xingava de “globolixo” — como seu inimigo número 1 na grande mídia.

Jornalistas da emissora até evitavam usar vermelho, cor associada ao PT e à Lula, para evitar ataques de bolsonaristas.

Em gravações e entradas ao vivo, alguns repórteres foram interrompidos, intimidados e até agredidos naquele período tenso.

Nas redes sociais, o monitoramento do Repórteres sem Fronteiras mostrou recorrentes ataques contra William Bonner, Andréia Sadi, Miriam Leitão e outros profissionais de vídeo.

Em várias ocasiões, Bolsonaro cogitou não assinar o decreto de renovação da concessão pública da TV Globo, o que poderia comprometer a continuidade do funcionamento do canal.

Faltando menos de duas semanas para o fim de seu mandato, acabou estendendo a outorga da emissora por mais 15 anos. A TV líder de audiência está garantida no ar até 2037.

Hoje, a realidade é outra: Bolsonaro está incomunicável em prisão domiciliar, Bonner deixou o ‘JN’ e o jornalismo diário, os atuais presidenciáveis criticam a Globo sem ameaçá-la. Um momento mais favorável à liberdade de imprensa.

O maior revés foram as decisões judiciais que fizeram o Conselho da emissora ordenar o cancelamento do debate com candidatos ao Planalto. 

Uma decisão que parece muito mais política, a partir de interesses do canal, do que uma resposta à alegada interferência do Judiciário.

Alvo de incontáveis ameaças nas eleições passadas, Bonner foi sucedido na cobertura eleitoral da Globo por Tralli, que trabalha sem ser hostilizado nas ruas e na internet
Alvo de incontáveis ameaças nas eleições passadas, Bonner foi sucedido na cobertura eleitoral da Globo por Tralli, que trabalha sem ser hostilizado nas ruas e na internet
Foto: Divulgação/TV Globo
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