Globo sofre constrangimentos com presidenciáveis desde 2018: salário de Renata, verba de Vorcaro, dólares, ditadura e mais
Sabatinas ao vivo geraram momentos tensos em que emissora virou alvo e, em alguns casos, precisou se posicionar
No ‘Entrevista com o Candidato’, Flávio Bolsonaro comparou o patrocínio de Daniel Vorcaro ao filme ‘Dark Horse’ a uma verba de publicidade à Globo.
“É o mesmo tipo de relação privada de um banqueiro que investiu também R$ 160 milhões de reais em um programa do Luciano Huck aqui da Globo.”
O presidenciável se referia, provavelmente, aos anúncios do Will Bank, braço digital do Banco Master, no ‘Domingão’.
Tralli saiu em defesa da Globo dizendo que todas as relações comerciais do canal acontecem dentro da lei.
Este é mais um constrangimento imposto à emissora em uma sabatina com candidato à Presidência.
Desde a campanha de 2018, o canal sofreu vários momentos similares.
PowerPoint - Na entrevista do último dia 27 de agosto, Lula disse que não esqueceu do “PowerPoint mentiroso”, em referência à apresentação feita pela equipe da Lava Jato em 2016 para apontá-lo como chefe de um esquema de corrupção.
Tralli, porém, entendeu que o presidente citava o PowerPoint exibido em março no ‘Estúdio i’ da GloboNews, com informações incompletas e fazendo uma ligação direta do petista com Daniel Vorcaro. O âncora lembrou que a emissora havia se retratado pelo erro.
Cola ‘ameaçadora’ - Na sabatina de agosto de 2022, Jair Bolsonaro tinha o nome ‘Dario Messer’ escrito na palma de uma mão.
O doleiro preso sob acusação de lavagem de dinheiro e evasão de divisas havia afirmado em delação ter feito repasses em dólares à família Marinho, dona da Globo.
Ele não apresentou provas e garantiu nunca ter se encontrado pessoalmente com qualquer membro do clã.
Os Marinhos afirmaram não possuir contas não declaradas nem ter realizado operações de câmbio clandestinas.
Apesar da ‘cola’ vista por todos, Bolsonaro não tocou no nome do doleiro ao longo da entrevista. Mas o recado foi dado.
O passado sombrio - Na campanha de 2018, Bolsonaro também gerou clima tenso na bancada do ‘Jornal Nacional’ ao se defender do questionamento se respeitaria a democracia.
Rememorou o alinhamento do fundador da Globo com os militares responsáveis pelo golpe de 1964. “Roberto Marinho foi um ditador ou um democrata?”
Ao fim do telejornal, William Bonner leu uma nota reconhecendo que o citado apoio à ditadura havia sido um erro.
Disparidade salarial por gênero - Jair Bolsonaro protagonizou outro momento tenso ao discutir desigualdade salarial entre homens e mulheres no ‘JN’.
O então candidato quis comparar os contracheques de Bonner e Renata Vasconcellos. “Estou vendo aqui uma senhora e um senhor, e há uma diferença salarial aqui”.
A apresentadora reagiu: “O meu salário não diz respeito a ninguém”. O candidato dobrou a aposta e atacou a emissora: “Vocês vivem em grande parte aqui de recursos da União”.
Dúvida sobre isenção da Globo - Ao ser entrevistado no ‘Jornal Nacional’, o presidenciável Fernando Haddad reagiu a um comentário sobre o grande número de integrantes do PT investigados em casos de corrupção.
“Você não pode, em função de um indício, condenar. Eu penso, Bonner, que a Rede Globo muitas vezes condena por antecipação”, disse o substituto de Lula na chapa. “Não é fato, candidato”, respondeu o apresentador.
Na sequência, o petista fez outra crítica à emissora. “Vocês não tratariam os problemas da Rede Globo como tratam os nossos.”
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