Daniel de Oliveira sobre TV: "quando pintar convite irrecusável, eu volto"
Com uma extensa carreira no cinema, Daniel de Oliveira está habituado a passar por grandes transformações para interpretar papéis em longas-metragens. Como aconteceu em Cazuza – O Tempo Não Para e no recente Boca.
Já na TV, o ator encontrou, no geral, personagens que se escoravam na sua aparência de bom moço. No entanto, em Doce de Mãe, Daniel apareceu diferente na pele de Jesus. No telefilme escrito e dirigido pela dupla Jorge Furtado e Ana Luiza Azevedo, exibido pela Globo em 2012, os dreadlocks e a barba comprida davam ao mendigo uma aparência muito diferente da cara limpa de tipos como os cândidos Luis Gerônimo, de Cabocla, e Duda, de Cobras & Lagartos, transmitidas pela Globo em 2004 e 2006.
Depois de ser resgatado das ruas por Picucha, de Fernanda Montenegro, Jesus volta à série com um visual mais "clean". "Ele largou o vício da bebida, casou, teve uma filha. Não poderia continuar com aquele visual desleixado. O que, para mim, foi ótimo. Imagina ter de ostentar aquela barba nesse calor?", brinca, citando a união de seu personagem com Suzana, interpretada por Mariana Lima.
Natural de Minas Gerais, aos 36 anos, Daniel não atua em novelas desde Passione, de 2010. Para ele, estar longe de tramas com uma duração mais longa é uma opção para que possa priorizar outros trabalhos. "Quando pintar um convite irrecusável, como Doce de Mãe, eu volto", garante.
Enquanto isso, o ator segue gravando os episódios da série em Porto Alegre e no Projac – centro de produções dramatúrgicas da Globo – e se preparando para lançar quatro filmes em 2014, Sangue Azul, Deserto Nu, Órfãos do Eldorado e Estrada 47. "Viajei para o Deserto do Atacama, no Chile, para Fernando de Noronha, para Belém e para a Itália para filmar. Agora, quero me dedicar aos lançamentos e aos festivais de cinema", afirma.
Antes de integrar o elenco do telefilme Doce de Mãe, você estava sem fazer tevê desde Passione, de 2010. A que credita esse distanciamento?
Daniel de Oliveira –
É uma opção minha. Gosto da liberdade da caminhar para outros lugares, outros lados. Explorar minhas possibilidades como ator. E eu encontro muito essa diversidade no cinema. Além disso, a teledramaturgia prende por mais tempo. Mas é claro que, quando rolar um convite irrecusável, como foi o de
Doce de Mãe, eu volto
Nesses últimos quatro anos, faltaram convites para bons personagens na TV?
Daniel de Oliveira – Sempre rolam convites, disso eu não posso reclamar. Mas optei por ficar mais livre para me jogar no cinema. Prefiro estar em tramas mais curtas, quando é possível. Me dá mais liberdade para trilhar projetos paralelos. Estou muito satisfeito com os trabalhos que tenho feito, tanto na tevê quanto fora dela. Então, não fico pensando muito se estou mais lá ou cá. Vou atrás de personagens que me desafiem.
Quando você filmou o telefilme Doce de Mãe, já imaginava que poderia virar uma série?
Daniel de Oliveira – De jeito nenhum! Lá atrás, não sabíamos que ia virar isso tudo. O sucesso todo foi a coroação de um trabalho de equipe. O fato de a Fernanda (Montenegro) ter ganhado o Emmy pela Picucha também é prova disso. Estamos contando uma grande história, encabeçada por uma grande atriz. O papel da Picucha caiu como uma luva para ela e é um prazer trabalhar com uma atriz como ela. É, ao mesmo tempo, uma diversão e uma responsabilidade muito grande.
No telefilme, Jesus era um mendigo que foi resgatado por Picucha. Na série, o personagem já é um pai de família. Como você lidou com a virada da história dele?
Daniel de Oliveira – Ele é um ex-aluno do falecido Fortunato, marido da Picucha. É um agrônomo formado, mas, por causa da bebida, acabou nas ruas. E ela sempre teve esse carinho de mãe por ele. Acho incrível essa história. Todo mundo merece uma segunda chance, é preciso mostrar isso. E também mostrar que as pessoas precisam ter força de vontade para sair da zona de conforto.
Com quatro filmes para estrear este ano e com as gravações de Doce de Mãe, sobra tempo para ter outro projeto em vista?
Daniel de Oliveira – Sempre (risos)! Além de acompanhar as estreias e ir nos festivais de cinema, tanto nacionais quanto internacionais, vou começar a rodar um outro longa ainda este ano. Vou interpretar o matador de aluguel Júlio Santana em O Nome da Morte. O filme é uma adaptação do livro homônimo de Klester Cavalcanti, que conta a história real do pistoleiro que assassinou cerca de 500 pessoas no Maranhão.