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Beijo entre Clara e Marina não exorciza preconceito contra lésbicas na TV

1 jul 2014 - 11h43
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Um selinho bonito, mas sem consistência dramática (Foto: TV Globo/Divulgação)
Um selinho bonito, mas sem consistência dramática (Foto: TV Globo/Divulgação)
Foto: Sala de TV
A terça-feira amanheceu com o país fazendo apostas sobre o placar entre Brasil e Colômbia, jogo decisivo da Copa. Este foi o principal assunto na imprensa. Já o beijo entre Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller), exibido no capítulo de segunda-feira (30), na novela 'Em Família', resultou em desdém. A cena teve emoção zero e nenhuma polêmica. Simplesmente passou. Relevância zero.Foi um beijo discretíssimo. Um selinho morno. As atrizes se esforçaram. Houve a troca de olhares cúmplices, a aproximação com certa hesitação, o riso nervoso, a criação da expectativa. Porém faltou o conteúdo dramático atrás do beijo. Não se viu o básico: uma história de amor forte, consistente, envolvente atrás daquele gesto. Tudo foi muito fácil para Clara e Marina. Os conflitos logo se dissiparam, não houve aprofundamento emocional.Em relação ao público, pior do que a rejeição é a indiferença. Foi essa a resposta do telespectador ao momento de maior intimidade, até aqui, entre as personagens. Há quem argumente: a falta de polêmica — e o quase silêncio da audiência — significa o arrefecimento do preconceito. Pode até ser. Mas, antes da reação popular, está o papel da teledramaturgia. As tramas deveriam, em tese, incomodar, desestabilizar, provocar discussão, estimular mudanças na sociedade. 'Em Família' não conseguiu gerar nada além de críticas negativas sobre a própria novela.Obviamente o impacto do beijo gay entre Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso), na novela 'Amor à Vida', não será alcançado tão cedo por outro casal homossexual da ficção na TV. Mesmo assim, a relação de Clara e Marina tinha o potencial de exorcizar a frustração deixada por vários casais de lésbicas sabotados pela pressão de telespectadores conservadores e entidades com poder de censura. Foram os casos de Cecília (Lala Deheinzelin) e Laís (Cristina Prochaska) em 'Vale Tudo' (1988), e Rafaela (Christiane Torloni) e Leila (Silvia Pfeifer) em 'Torre de Babel' (1998).O selinho entre Clara e Marina teve menos sensualidade dos que os selinhos tascados pela saudosa Hebe em seus convidados na TV e em quem mais pedisse. Está previsto um outro beijo entre elas, mais ardente, na cerimônia de casamento. Se realmente apresentar maior envolvimento físico entre as atrizes, esse segundo beijo poderá até repercutir. Menos pelo conteúdo dramático, mais pelo aspecto explícito da ação. Contudo chocar por chocar não tem valor algum.
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