Ausência de presidenciáveis em debates expõe o medo do poder de influência da velha televisão
Veículo continua a ter papel central no mais importante ciclo eleitoral do país
O primeiro turno da campanha presidencial teve três debates cancelados: ‘O Momento da Decisão’ (Terra, CNN Brasil, RedeTV! e outros oito veículos), Record/Estadão e Globo.
O mesmo número de cancelamentos do primeiro turno da eleição de 2014, quando TV Gazeta, TV Cultura e RedeTV! suspenderam os eventos com candidatos.
Independentemente da contestação do formato e da alegada interferência indevida do STF e do TSE, a ausência proposital de presidenciáveis em debates reforça dois aspectos.
O primeiro é o medo de serem confrontados em um ambiente fora da zona de conforto, ao vivo, com a possibilidade de apresentar um desempenho ruim diante das câmeras e, com isso, perder votos.
O segundo, o poder da TV, muito maior do que a influência de uma ‘live’ ou um podcast.
Enquanto Lula reuniu ao mesmo tempo 1,6 milhão de pessoas assistindo à sua entrevista no Flow, na quinta-feira (1º), um debate na Globo — como o que seria realizado na mesma data e foi cancelado — pode alcançar 20 milhões de telespectadores simultaneamente nas 15 regiões que compõem o PNT (Painel Nacional de Televisão).
Essa audiência gigantesca se mostra decisiva em uma eleição tão imprevisível como a atual, com os dois principais candidatos em empate técnico na maioria das pesquisas.
Lamentavelmente, ao invés de aproveitá-la, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) preferiram desperdiçar a oportunidade. Com isso, ressaltam a relevância da velha TV, ao mesmo tempo que a enfraquecem com o duplo boicote.
Em uma campanha eleitoral considerada desanimadora pelos analistas políticos, o evento na Globo serviria como uma injeção de ânimo ao eleitor. Mas ele foi dormir frustrado.
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