Script = https://s1.trrsf.com/update-1789154714/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

Antes das bets, emissoras perderam o dinheiro fácil do 0900, de discos, dos cigarros e da publicidade infantil

Decisões judiciais e mudanças culturais tornaram alguns canais dependentes da verba de igrejas e de locação de horários

29 set 2026 - 09h37
(atualizado às 09h37)
Compartilhar
Exibir comentários

Como a coluna informou no sábado (26), as casas de apostas investiram R$ 542,4 milhões na TV aberta entre janeiro e agosto. Média de R$ 67,8 milhões por mês.

A publicidade de bets está proibida em consequência da medida provisória do governo federal. 

Da noite para o dia, as emissoras perderam as verbas do mercado que mais anunciava. Era um dinheiro previsto para fechar as contas no fim do ano. 

Agora, com contratos rescindidos, restará encontrar alguma compensação: buscar outros clientes, realizar cortes de despesas ou suspender investimentos.

Não é a primeira vez que a televisão fica sem uma fonte abundante de dinheiro.

Liga, liga, liga e paga, paga, paga

Na década de 1990, emissoras como Globo, SBT, Bandeirantes, Record, CNT e Manchete promoviam telessorteios pelo telefone 0900. Parte da arrecadação iria para entidades sociais.

O espectador pagava pela ligação e concorria a prêmios. Somente em 1997, o esquema arrecadou R$ 276 milhões.

No ano seguinte, uma liminar suspendeu a prática após ações civis públicas movidas pelo Ministério Público contra o que chamou de exploração comercial disfarçada de filantropia.

Grandes emissoras perderam importantes fontes de renda ao longo das últimas décadas
Grandes emissoras perderam importantes fontes de renda ao longo das últimas décadas
Foto: Ilustração: Sala de TV

Canções & milhões

Outra receita perdida pela televisão foi a queda na venda de LPs e CDs devido à mudança no consumo de música no país e à pirataria vendida em certas lojas, feiras e barracas de camelô.

O recorde aconteceu em 1997, com 3 milhões de cópias vendidas dos dois álbuns de ‘O Rei do Gado’.

Os primeiros quatro CDs de ‘Chiquititas’, do SBT, alcançaram o mesmo patamar.

Novelas como ‘Tieta’ e ‘Vale Tudo’ venderam cerca de 1,5 milhão cada.

Mídias físicas com trilhas de produções da Globo deixaram de ser comercializadas em 2021.

A maioria dos compradores de vinis, CDs e fitas K7 se transferiu para plataformas de streaming como Spotify, Deezer e Apple Music.

“Manhê, compra pra mim!”

A publicidade de produtos direcionados às crianças era um filão lucrativo na TV. Havia propaganda de brinquedos, alimentos, eletrônicos, calçados, artigos com a marca de apresentadores famosos, entre uma infinidade de outros itens com forte apelo popular.

Em 2014, uma resolução tornou abusivo o direcionamento da publicidade à criança com intenção de persuadi-la ao consumo. A mensagem da propaganda deveria ser dirigida aos adultos.

Na prática, muitas empresas deixaram de anunciar. Com isso, ruiu a estrutura comercial que manteve os programas infantis desde a inauguração da televisão no Brasil, em 1950.

Hoje, entre as grandes redes, só o SBT mantém atrações para crianças.

Adeus, Homem Marlboro

Quem não se lembra do glamour dos comerciais de cigarros, sempre com belos homens personificando o sucesso e lindas mulheres prontas para serem seduzidas?

Essa estética onipresente nos intervalos da programação foi restringida em 1996, quando o incentivo ao fumo ficou restrito à faixa das 21h às 6h e acompanhado de advertência sobre o risco à saúde.

Quatro anos depois, uma lei determinou que a propaganda de cigarros só poderia ocorrer dentro dos pontos de venda. Com isso, a publicidade em televisão desapareceu.

Dinheiro para sobreviver

Ao serem impedidas de aceitar determinados anúncios, algumas emissoras passaram a locar horários para igrejas, televendas e produções de terceiros.

No momento, ocorre principalmente na Band e RedeTV!, onde até parte do horário nobre foi negociada.

A concorrência da internet, que atrai cada vez mais verbas antes destinadas à TV, agrava a situação.

A esperança das emissoras é a TV 3.0, tecnologia que permitirá integrar o comércio eletrônico à televisão, transformando a tela em um catálogo de produtos e gerando um faturamento extra.

Sala de TV Blog Sala de TV -  Todo o conteúdo (textos, ilustrações, áudios, fotos, gráficos, arquivos etc.) deste blog e a obtenção de todas as autorizações e licenças necessárias são de total responsabilidade do colunista que o assina. As opiniões do colunista não representam a visão do Terra. Qualquer dúvida ou reclamação, favor contatá-lo diretamente no e-mail beniciojeff@gmail.com.
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra