Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Antônio Fagundes sobre novelas: "é muito desgastante"

27 mai 2012 - 12h56
Compartilhar

Geraldo Bessa

Antônio Fagundes se diz um apaixonado pela obra de Jorge Amado. Por isso, é com evidente satisfação que ele fala sobre o Coronel Ramiro Bastos, seu personagem na remake de Gabriela, novela baseada no livro homônimo do autor baiano - que tem previsão de estreia para o próximo dia 19 de junho, na Globo. "Li todos os livros do Jorge. E Gabriela, em especial, é uma obra muito rica, que envolve política e sexo dentro de uma sociedade em desenvolvimento", valoriza o ator carioca de 63 anos. Na Ilhéus dos anos 20, Jorge retrata um Brasil que acabara de se tornar democracia. E o personagem de Fagundes é um legítimo representante do coronelismo exercido pelos grandes latifundiários de terras da região, algo que, na visão do ator, ainda é recorrente. "Tudo na cidade tinha de passar pela aprovação dele. Não mudou muita coisa. Atualmente, são deputados e senadores que ainda agem de acordo com interesses próprios e dos grandes donos de terras e empresários", analisa.

Ciente do êxito da primeira versão da trama, exibida em 1975, Fagundes sabe do risco de reviver um personagem defendido por Paulo Gracindo. No entanto, garante que tem poucas referências da novela original. "Era um momento onde eu estava muito envolvido com os palcos e via pouco televisão. É claro que sei da grandiosidade do Paulo, mas quero buscar novas nuances para esse personagem, assim como o Walcyr está fazendo com a trama", conta, referindo-se ao fato do autor, Walcyr Carrasco, estar mais focado em readaptar o livro de Jorge Amado, do que em fazer um remake da trama adaptada por Walter George Durst no passado.

Interpretar um fazendeiro baiano plantador de cacau não é nenhuma novidade para Fagundes. Em Renascer, de 1993, ele deu vida ao rústico José Inocêncio, protagonista da história. De súbito, o ator trata logo de demarcar as devidas diferenças entre os papéis. "Ao contrário do Ramiro, que é o grande vilão da história, Zé Inocêncio era um coronel 'bonzinho'", explica, entre risos. Inclusive, no ano em que completa 44 anos de televisão - ele estreou em Antônio Maria, folhetim produzido pela extinta TV Tupi, em 1968 -, Fagundes escolhe Zé Inocêncio como o personagem mais significativo de sua trajetória no veículo, que conta com mais de 30 produções. "É um trabalho inesquecível. E voltar a gravar na Bahia me deixa emocionado e pensando nas gravações de Renascer", destaca.

Além do reencontro com o jeitinho e sotaque baianos, Fagundes assume que participar de um projeto especial e com apenas 74 capítulos de duração foram fatores importantes para ele aceitar o convite do diretor de núcleo Roberto Talma. "Fazer novela é desgastante para todos os envolvidos. Tenho a impressão de que existe uma tendência em diminuir a duração das tramas e fico feliz com isso. Acho que os folhetins precisam durar o necessário para contar a história e pronto", aponta o ator, que está longe da TV desde a insossa Insensato Coração, exibida no ano passado.

Atualmente, na ponte aérea entre o Rio de Janeiro e a Bahia para as gravações de Gabriela, Fagundes ainda concilia o trabalho na TV com a peça Vermelho, do dramaturgo norte-americano John Logan, em cartaz em São Paulo. No espetáculo, o ator trabalha pela primeira vez ao lado de Bruno, seu filho mais novo. "A peça fala sobre jogos de poder e filosofia no universo das Artes Plásticas. É ótimo atuar ao lado do meu filho em um texto tão forte e original", elogia.

Antônio Fagundes comemora papel em 'Gabriela'
Antônio Fagundes comemora papel em 'Gabriela'
Foto: Luiza Dantas/Carta Z Notícias / TV Press
Fonte: TV Press
Compartilhar
TAGS
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra