Silvana Tavano e Ana Maria Vasconcelos vencem Prêmio Oceanos 2025; conheça os livros
'Ressuscitar Mamutes' venceu como melhor livro de prosa e 'Longarinas', como o melhor de poesia
Ressuscitar Mamutes (Autêntica Contemporânea) é o melhor livro de prosa publicado em países de língua portuguesa em 2024, segundo o júri do Prêmio Oceanos 2025. O romance da paulista Silvana Tavano desbancou obras de autores como Mia Couto e José Eduardo Agualusa. O anúncio foi feito na noite desta terça-feira, 9, durante cerimônia na Biblioteca Mario de Andrade, que premiou, ainda, Longarinas (7 Letras), da alagoana Ana Maria Vasconcelos como o melhor livro de poesia.
Concorrendo com autores de diversos países lusófonos, as brasileiras ganham R$ 150 mil cada uma.
Silvana Tavano nasceu em 1957, é jornalista e lançou alguns livros para a infância antes estrear na literatura adulta com O Último Sábado de Julho Amanhece Quieto, também publicado pela Autêntica Contemporânea. Ressuscitar Mamutes parte do vínculo entre uma mãe e sua filha para discutir tempo, memória e laços familiares. A narradora, uma mulher madura, revisita acontecimentos de sua vida em diálogo com descobertas científicas e inquietações existenciais.
O resultado é, de acordo como júri, "uma narrativa que aborda de modo imaginativo e comovente as possibilidades de lidar com o tempo, de fazer uma redenção e uma modificação do passado (e, portanto, do futuro) pela imaginação". Silvana também foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura 2025, na categoria de Melhor Romance, e semifinalista do Jabuti 2025, em Romance Literário.
Emocionada, Silvana Tavano disse não não esperava o prêmio. "Não me permiti sonhar com isso. Já estava feliz em estar entre os finalistas. Não tenho palavras", disse ela. A autora agradeu o apoio de sua editora, que teve "a coragem de publicar uma autora que só tinha livros escritos para crianças". "Foi muito difícil publicar meu primeiro romance. Foi a Autêntica que me abriu o caminho."
Já Longarinas (7 Letras) é o 4º livro de Ana Maria Vasconcelos, nascida em 1988. Ele reúne poemas que exploram imagens arquitetônicas e corporais.
A obra "privilegia a forma curta para tratar da passagem do tempo e da permanência; uma poesia que se organiza em torno do mínimo e da observação", explicou o curador do Oceanos no Brasil, Manuel da Costa Pinto. A poeta alagoana foi semifinalista do Oceanos 2024, com o livro O Rosto é uma Máquina Aquosa (Ofícios Terrestres).
Ana Maria, também muito emocionada, disse que, como Silvana, não esperava ganhar. E lembrou da feliz coincidência de vencer no dia em que Clarice Lispector é lembrada pelo seu aniversário de morte. "Foi por causa dela que comecei a escrever", revelou.
Os finalistas do Oceanos foram selecionados entre 3.142 concorrentes de 488 editoras, com representantes de Angola, Moçambique e Portugal, além do Brasil. Eles passaram por três etapas classificatórias e foram lidos e avaliados por três júris formados por especialistas de três continentes, até chegar aos dois vencedores.
Este é o terceiro o terceiro ano em que o Prêmio Oceanos (nascido como Prêmio Portugal Telecom) foi dividido em prosa e poesia. Antes, o Oceanos, que é organizado pela Associação Oceanos e pela Oceanos Cultura, com apoio Itaú Cultural, não fazia distinção de gênero.