'Seinfeld' bate recorde e atinge novo patamar de audiência
Levantamento da Nielsen revela que 72 milhões de norte-americanos assistiram à comédia nos primeiros oito meses de 2026.
Mesmo 28 anos após o fim, Seinfeld segue quebrando recordes: cerca de 72 milhões de norte-americanos assistiram à série em 2026. O sucesso contínuo se deve ao encerramento no auge, em 1998, quando Jerry Seinfeld recusou US$ 110 milhões para uma nova temporada. Com direitos de 15% das reprises retidos pelos criadores, o programa já gerou mais de US$ 4,5 bilhões com sindicação e streaming, rendendo mais de US$ 600 milhões a Seinfeld e consolidando a comédia como um dos negócios mais lucrativos da TV.
Mesmo após 28 anos da transmissão de seu episódio final, a sitcom clássica Seinfeld continua mobilizando multidões. Levantamentos elaborados pela consultoria Nielsen apontam que aproximadamente 72 milhões de norte-americanos — o que representa quase um quarto dos habitantes dos Estados Unidos — assistiram a pelo menos um capítulo da produção somente nos primeiros oito meses de 2026.
A relevância duradoura da atração foi tema de uma análise publicada no The Wall Street Journal por David Rosenthal e Ben Gilbert, apresentadores do podcast Acquired. Para os comunicadores, o grande diferencial esteve no encerramento planejado antes de qualquer saturação da narrativa.
Essa postura ficou evidente em dezembro de 1997, quando o comediante Jerry Seinfeld recusou uma oferta financeira sem precedentes para produzir mais histórias. Na ocasião, o líder da General Electric (controladora da rede NBC), Jack Welch, ofereceu US$ 5 milhões por episódio para encomendar um décimo ano com 22 episódios. A proposta garantiria ao protagonista US$ 110 milhões imediatos, mas o projeto foi formalmente finalizado em maio de 1998, ao término de nove temporadas de sucesso de crítica e público.
A decisão de interromper a série também se apoiou em uma estrutura contratual vantajosa. Em razão das normas estabelecidas pela Comissão Federal de Comunicações (FCC), os canais de TV aberta nos Estados Unidos não podiam manter a totalidade dos direitos das atrações exibidas no horário nobre. Com essa regra, Jerry Seinfeld e o cocriador Larry David asseguraram com a produtora Castle Rock uma cota avaliada em 15% cada sobre os rendimentos futuros obtidos em licenciamentos de reprises.
Os reflexos financeiros dessa negociação transformaram o programa em um dos maiores negócios da indústria televisiva. A primeira rodada de cessão para sindicação movimentou cerca de US$ 500 milhões, enquanto a segunda rodada, concretizada em 1998, ultrapassou US$ 1 bilhão. Com a chegada do streaming, a Netflix comprou os direitos mundiais por mais de US$ 500 milhões em 2019 para uma janela de cinco anos, acertando depois uma renovação por valores similares.
Atualmente, as estimativas apontam que a comédia acumulou mais de US$ 4,5 bilhões em ganhos brutos com transmissões e exibições digitais desde seu fim. Desse total, calcula-se que a participação individual de Jerry Seinfeld tenha superado os US$ 600 milhões, confirmando a força e a rentabilidade do formato de televisão nostálgica no cenário atual.
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