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SBT vira pró-LGBTQIA+ para agradar agências e atrair verbas

Canal tenta limpar sua imagem após vários episódios de suposta homotransfobia

3 jan 2022 11h15
| atualizado em 13/1/2022 às 10h36
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Silvio continua bolsonarista, mas o SBT agora é pró-LGBTQIA+
Silvio continua bolsonarista, mas o SBT agora é pró-LGBTQIA+
Foto: Fotomontagem: Blog Sala de TV

Basta prestar atenção nos intervalos da TV para constatar a presença de negros, LGBTQIA+ (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, queers etc.) e portadores de deficiência em praticamente todos os comerciais de grandes marcas. Trata-se da era da diversidade racial, de gênero e sexual na publicidade.

As maiores agências do País e seus clientes com verbas milionárias querem transmitir a imagem de inclusão. Trata-se de marketing social explícito e, ao mesmo tempo, a busca por atrair perfis que ascenderam economicamente nos últimos tempos. Afinal, o lucro não tem raça, cor, sexualidade nem limitações físicas. O novo consumidor (e seu dinheiro), seja quem for, é sempre bem-vindo.

Por isso, o SBT se viu obrigado a abraçar o chamado ‘politicamente correto’. Um vídeo em circulação na internet mostra apresentadores e funcionários da emissora defendendo o combate ao preconceito. “LGBTfobia é crime”, diz uma colaboradora do canal. “A família SBT quer evoluir junto com você”, informa Celso Portiolli.

Patrícia Abravanel, filha de Silvio Santos, também está na mensagem. Ela protagonizou uma polêmica na mídia e nas redes sociais em junho, quando reclamou em seu programa, o ‘Vem Pra Cá’, a respeito da cobrança para compreender e aceitar os LGBTQIA+.

“Eu acho que assim como o ‘LGBTYH’, não sei, querem o respeito, eles têm que ser mais compreensivos com aqueles que hoje ainda não entendem direito. E é difícil quando a gente vai educar filhos falar disso, sabia? O que eu vou falar pro meu filho? Como falar? Porque a gente não sabe lidar. Então tem que ter respeito, compreensão e não massacre, cancelamento”, disse a apresentadora evangélica.

A declaração foi interpretada como desdém à discriminação de gays, lésbicas e demais membros da comunidade, e em defesa de quem não se sente obrigado a agir contra a homotransfobia. O próprio Silvio gerou controvérsia incontáveis vezes com comentários considerados preconceituosos ou depreciativos.

Uma postura negacionista ou indiferente em relação aos LGBTQIA+ não é mais aceita no universo corporativo e no mercado publicitário. A campanha do SBT tenta limpar a imagem da emissora. Um veículo de comunicação associado a qualquer tipo de preconceito está condenado a perder anunciantes – e a sobrevivência do negócio exige faturamento alto; ideologia cultural-religiosa não paga as contas.

Paradoxalmente, o mesmo SBT, visto hoje como bolsonarista e anti-LGBTs, deu valioso espaço a gays, travestis e transformistas nos programas de Silvio Santos décadas atrás, antes da popularização do discurso pró-inclusão. Aliás, o apresentador sempre brincava de se insinuar para as belas artistas travestis que se apresentavam no palco. Suas ‘colegas de auditório’ riam e aplaudiam quando o Homem do Baú ficava de queixo caído diante daqueles corpos perfeitos.

De acordo com alguns relatos na imprensa, Jair Bolsonaro não gostou da adesão do SBT ao discurso pró-LGBTQIA+. Após assistir ao vídeo, o presidente teria reclamado com o ministro das Comunicações, Fábio Faria, casado com Patrícia Abravanel. Silvio Santos é um entusiasmado apoiador de Bolsonaro, mas, pelo que indica, a preocupação com a sobrevivência de seu canal vem antes do ativismo político.

 

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