Russell Brand diz que amigos o abandonaram após acusações "devastadoras" de crime sexual
Em julgamento em Londres por estupro e agressão sexual contra seis mulheres entre 1999 e 2009, o ator Russell Brand negou categoricamente todas as acusações perante o júri, defendendo que o consentimento é fundamental. Classificado pela promotoria como um predador sexual, o comediante afirmou que o impacto das denúncias foi devastador para sua vida pessoal, relatando ter sido abandonado por amigos e colegas que se recusaram a depor a seu favor após a ampla repercussão do caso.
O comediante e ator britânico Russell Brand afirmou na quarta-feira que amigos e colegas se voltaram contra ele após as acusações de crimes sexuais, antes de dizer ao júri de um tribunal de Londres que o consentimento é fundamental.
Brand, que já foi uma figura constante na televisão britânica e astro de vários filmes de Hollywood, está sendo julgado sob acusação de três crimes de estupro, três de agressão sexual e uma tentativa de atentado ao pudor envolvendo seis mulheres entre 1999 e 2009.
O ex-marido da cantora norte-americana Katy Perry, de 51 anos, nega todas as acusações.
Ao comparecer no banco das testemunhas na terceira semana de seu julgamento na Corte da Coroa de Southwark, em Londres, Brand disse "não" em voz alta e clara quando seu advogado perguntou se ele havia cometido algum dos crimes alegados.
O júri já havia sido informado de que todas as denunciantes procuraram os detetives após a exibição de um documentário em 2023, juntamente com uma série de artigos de jornal nos quais outras mulheres — que não estão envolvidas no julgamento — fizeram acusações anônimas.
Brand, vestindo um terno preto com camisa branca de gola aberta e gravata preta folgada, disse que o impacto havia sido "devastador", já que amigos lhe deram as costas e nenhuma pessoa se dispôs a testemunhar a seu favor.
Questionado por seu advogado, Ian Winter, se alguém "chegaria perto dele nem que fosse com uma vara de dez metros", ele respondeu: "Não".
Ao descrever como sua imagem pública cresceu ao longo do tempo, Brand disse que seu casamento com Katy Perry, em 2010, lhe trouxe "fama impressionante". O casal se separou 14 meses depois.
Os promotores, que encerraram a apresentação de suas alegações contra ele na manhã desta quarta-feira, descreveram Brand como um predador sexual.
Eles afirmaram que Brand estuprou uma mulher após conhecê-la em um evento paralelo à conferência do Partido Trabalhista em 1999, forçou uma mulher a praticar sexo oral nele no banheiro de um bar em Londres em 2004 e molestou outra mulher em uma emissora de rádio em 2004 ou 2005.
Ele também é acusado de tentar puxar uma mulher para o banheiro masculino da MTV Europe, em Londres, onde ela trabalhava em 2001, e de, em 2009, ter estuprado analmente uma mulher que havia concordado em ter relações sexuais consensuais na casa dele.
A última acusação é de que ele agrediu uma mulher que trabalhava na emissora de TV Channel 4, onde ambos estavam envolvidos em um projeto de gravação.
Ao descrever o impacto das acusações contra ele, Brand disse que foi impedido de entrar no hospital onde seu filho estava passando por uma cirurgia de coração aberto após a exibição do documentário.
"Minha vida inteira foi consumida por esses eventos, essas alegações, essas acusações e o impacto dessas alegações e acusações", declarou. "Eu me dediquei inteiramente a essas questões."
Brand afirmou que a primeira denunciante havia mantido relações sexuais com ele de livre e espontânea vontade.
"O consentimento é fundamental, essencial, necessário e, de fato, mais importante do que o próprio sexo", disse ele.
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