Reino Unido: Tapeçaria de Bayeux provoca corrida por ingressos antes da visita de Macron e Charles III
A Tapeçaria de Bayeux virou um dos grandes eventos culturais do ano no Reino Unido: 100 mil ingressos foram vendidos nas primeiras 24 horas de abertura das vendas, e a exposição já está esgotada até o fim de dezembro. Nesta quarta-feira (2), o presidente francês Emmanuel Macron e o rei Charles III fazem uma visita antecipada à peça no British Museum, em Londres, em um encontro que também simboliza a aproximação entre França e Reino Unido após os anos de tensão provocados pelo Brexit.
Pela primeira vez fora da França, a histórica Tapeçaria de Bayeux será exposta no British Museum, em Londres, após empréstimo articulado por Emmanuel Macron. A mostra da obra do século XI provocou forte corrida por ingressos, com 100 mil entradas esgotadas em 24 horas. Antes da abertura oficial, Macron e o rei Charles III visitarão a peça. O evento impulsiona o turismo e simboliza a reaproximação diplomática franco-britânica em temas como defesa, energia e controle migratório.
Macron, acompanhado da esposa Brigitte, e Charles III, ao lado da rainha Camilla, visitarão a exposição antes da abertura ao público, prevista para 10 de setembro. O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, e sua mulher, Marie-France van Heel, também participarão do encontro.
Com quase 70 metros de comprimento, a tapeçaria foi bordada no século XI e narra a conquista normanda da Inglaterra, culminando na batalha de Hastings, em 1066, quando Guilherme, duque da Normandia, derrotou o rei anglo-saxão Haroldo. A obra havia deixado Bayeux apenas duas vezes, em 1803, quando Napofvisileão a levou a Paris, e em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial. Mas nunca havia saído do território francês.
A transferência para Londres foi resultado de uma iniciativa pessoal de Macron, que decidiu pelo empréstimo de um ano durante sua visita de Estado ao Reino Unido, em julho de 2025. A peça ficará no British Museum até 11 de julho de 2027 e será apresentada pela primeira vez em Londres estendida horizontalmente e em toda a sua extensão.
Ingressos esgotados até 31 de dezembro
O interesse do público britânico já supera as expectativas. Cerca de 100 mil ingressos, vendidos por aproximadamente € 35 (cerca de R$ 208), foram adquiridos nas primeiras 24 horas. Não há mais disponibilidade até 31 de dezembro, e uma nova leva de entradas será colocada à venda em outubro para visitas no início de 2027. O British Museum espera receber mais de 7 milhões de visitantes durante o período da exposição.
A procura chegou ao ponto de hotéis de luxo oferecerem pacotes que combinam hospedagem em suítes de alto padrão com ingressos para a exposição, por cerca de € 1.000 (quase R$ 6 mil) a diária. A BBC também preparou uma programação especial dedicada à tapeçaria e à conquista normanda, enquanto livrarias britânicas passaram a vender obras infantis produzidas em parceria com o British Museum.
O entusiasmo se estende à própria cidade de Hastings, palco da batalha de 1066, que lançou uma nova campanha turística para aproveitar o interesse provocado pela exposição e atrair visitantes à região.
Além do aspecto cultural, a visita de Macron ocorre em um momento de tentativa de aprofundamento das relações franco-britânicas. O presidente francês se reúne com Burnham nesta quinta-feira (3) para discutir cooperação entre Londres e a União Europeia, além de temas como defesa, energia e a questão migratória no Canal da Mancha.
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