Rayssa Leal vence o SLS Rio Takeover no Maracanãzinho e dedica título ao pai
Brasileira, de 18 anos, supera queda no treino do dia anterior e bate a campeã olímpica Momiji Nishiya com somatório de 20,9 pontos
Rayssa Leal fez o Maracanãzinho vibrar neste domingo, 9, ao conquistar o título da terceira etapa da temporada da Liga Internacional de Skate Street (SLS), o Rio Takeover. Com 20,9 pontos, somatório construído a partir das notas 6,8, 7,1 e 7,0 nas melhores manobras, a brasileira garantiu a vitória antes mesmo da última tentativa. A japonesa Momiji Nishiya terminou em segundo (20,7), e a espanhola Daniela Terol completou o pódio (17,7). A também brasileira Gabi Mazetto ficou em quarto, com 14,8.
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O triunfo teve um sabor ainda mais especial por acontecer no Dia dos Pais e em um cenário inédito: o Maracanãzinho recebeu, pela primeira vez na história, uma competição de skate. Emocionada, Rayssa dedicou o troféu à família.
"Bom, estou muito feliz, principalmente porque hoje é Dia dos Pais. Meu papai está assistindo, então dedico este troféu a ele e, principalmente, a nós, atletas, que sabemos como é competir no Maracanãzinho — pelo menos eu estou descobrindo como é hoje. É uma experiência muito bacana. Fico muito feliz de vir aqui, mostrar meu skate; foi uma competição muito divertida. A gente deu um show e é isso", contou à Rolling Stone Brasil, parceira da SLS Rio de Janeiro Takeover.
O pai, Haroldo, não pôde estar presente porque a mãe de Rayssa está grávida e aguarda o nascimento de mais uma filha.
Rayssa também falou sobre a importância do técnico Felipe Gustavo ao seu lado durante a competição. "Eu e o Felipe temos uma amizade de anos; então, principalmente dentro da pista, é uma pessoa que eu olho e que me passa confiança, e isso é muito importante. A gente leva isso tanto nos treinos quanto andando de skate na rua e em competição. Você sempre vai me ver falando com ele, porque a gente sempre fala de estratégia, pontuação, e é ele que faz os cálculos e fica ali perto para saber qual manobra eu tenho que fazer. Eu só ando de skate; ele que fala 'faz isso' e eu vou lá e faço", disse a skatista.
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O caminho até o título, porém, não foi simples. Na véspera da final, Rayssa caiu no treino e torceu o pé direito, chegando a mancar na pista. Ainda assim, seguiu com a preparação e entrou na decisão sem se poupar. Na final, caiu logo na primeira tentativa, mas respondeu nas sequências seguintes com duas das melhores manobras do dia. Quando Nishiya, campeã olímpica em Tóquio 2020 e dona da maior nota do evento (8,7), assumiu a liderança, a brasileira precisou reagir. E reagiu.
A vitória no Rio é a segunda de Rayssa na temporada 2026 da SLS, ela também venceu a etapa de Sydney, em fevereiro. Com o resultado, a skatista lidera as duas listas de classificação para o Super Crown, a grande final do ano, marcada para dezembro, em São Paulo. Para garantir vaga na decisão, Rayssa está bem posicionada tanto no ranking do Takeover quanto no da Arena, os dois critérios usados pela SLS para definir quem disputa o título mundial.
Depois da conquista, Rayssa também comentou, em entrevista coletiva, a preparação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 e afirmou que o trabalho mental tem sido central no processo.
"Não estou fazendo nada de muito diferente da minha rotina, mas estou trabalhando muito mais na terapia. Minha cabeça vai chegar lá 100%. Acho que essa foi uma das coisas que mais brecou o meu nível em Paris, em 2024, porque eu sei, hoje eu me entendo, o tamanho da pressão e o que é ir para uma Olimpíada — o peso é diferente".
A próxima etapa da temporada da SLS acontece em Tempe, nos Estados Unidos, em 29 de agosto.
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