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'Queria que o leitor se sentisse sempre desestabilizado', diz Riley Sager, que lança 'Desconhecido'

Autor também de 'O Massacre da Família Hope', ele explora medo e incertezas e faz critica a Hollywood em seu novo trabalho; leia entrevista

25 out 2026 - 05h41
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Resumo
Em "Desconhecido", novo suspense lançado pela Intrínseca, Riley Sager narra o drama de uma equipe de cinema isolada em uma ilha para gravar um filme sobre o sumiço de cinco mulheres em 1926. Em duas linhas temporais, a trama aposta na paranoia e no sobrenatural para desestabilizar os personagens e o leitor, enquanto faz uma crítica aos bastidores e às ambições desmedidas de Hollywood. Com manipulação psicológica e reviravoltas, a obra questiona os limites impostos na busca pelo sucesso.

Desconhecido, novo livro de Riley Sager, fará o leitor questionar quais são os limites para se alcançar o sucesso.

Autor também de O Massacre da Família Hope, o escritor americano aposta, no thriller recém lançado no Brasil pela Intrínseca, em duas linhas do tempo. Em 1926, um grupo de cinco mulheres some de uma ilha isolada em Vermont. A única pista: seus vestidos pendurados em uma árvore. O destino delas não é um consenso. Enquanto alguns acreditam que elas apenas deixaram o local, outros afirmam que foram assassinadas.

Cem anos após esse fato, uma atriz, Marin Keane, vê a oportunidade de uma mudança de vida quando é convidada para estrelar o filme sobre o mistério. Para isso, ela e a equipe filmarão em Nova Avalon e passarão até mesmo por algumas técnicas imersivas.

Os problemas se iniciam quando eventos inexplicáveis começam a acontecer. A dúvida se instaura: teria alguém tentando sabotar o longa ou as respostas seriam mais macabras?

Na obra, Sager lida justamente com este dilema: aquilo que estão presenciando é real ou não? Em entrevista ao Estadão, ele explica que o desconhecido é justamente aquilo que mais assusta.

O desconhecido como motor narrativo

Ao longo do livro, a protagonista é levada a se questionar sobre a situação que vive. A incerteza sobre direcionar as dúvidas a algo sobrenatural ou buscar respostas no real move a narrativa e leva os leitores a duvidarem de todos os personagens.

O desconhecido torna-se um terreno fértil para um suspense: "Simplesmente não se sabe o que vai acontecer", comentou. "Realmente tentei passar isso para o livro, essa sensação de que não apenas há muitas possibilidades sobre o que pode estar acontecendo nesta ilha, mas também quis cultivar essa impressão de que não fazemos a menor ideia do que vai acontecer a seguir."

A incerteza é justamente a peça chave para a história: "E é aí que o suspense realmente funciona: quando você simplesmente não sabe para onde nada disso vai dar", completou.

A ambientação em uma ilha de difícil acesso e a falta de rotas de fuga também serviram como pano de fundo para a criação de uma maior urgência — e terror — nos personagens. "Havia uma maneira de sair daquela ilha se eles tivessem um barco, mas eles não têm. E se pudessem nadar duas milhas (cerca de 3,2 km), algo que nem têm certeza se conseguem."

"Gostei do fato de que dava para ver o continente de onde eles estavam - e que ele estava simplesmente fora de alcance, o que tornou tudo muito mais frustrante para eles. É essa sensação de estar simplesmente preso", disse, ao descrever a ilha como uma forma de "armadilha" para a equipe.

A dúvida que acompanha a história

Em um livro de suspense, o autor tem a necessidade de trabalhar, de certa forma, para que os eventos não sejam descobertos de primeira. Aqui, a escrita entra como forma de até mesmo enganar seus leitores para que as revelações sejam feitas apenas ao final.

Trata-se de uma espécie de jogo psicológico que exige precisão. Para o autor, é algo que depende inteiramente da capacidade de manipular a atenção de quem lê.

"É um processo muito difícil porque é como jogar com a mente do leitor. Por isso, há momentos em que quero que eles estejam pensando em certas coisas, e outros momentos em que quero que não estejam considerando algo de jeito nenhum", revela.

A construção da ambientação envolve um trabalho direcionado ao olhar, e a verdadeira revelação tem que acontecer quando o leitor menos espera: "É um pouco como tentar fazer um truque de mágica onde, como autor, eu digo: 'Olhe para cá, preste atenção aqui', quando na verdade o que interessa está acontecendo do outro lado".

"Eu nunca sei se funciona até que as pessoas comecem a ler o livro", completa. "Essa é sempre a parte difícil: eu acho que sei que funciona, mas só tenho certeza depois que outras pessoas leem a obra sem saber de nada e dizem 'eu previ isso' ou 'eu não esperava por essa'. É só aí que eu realmente sei se tive sucesso ou não", diz.

Mensagem final e crítica a Hollywood

Para Sager, a realidade e as dúvidas que rodeiam Hollywood desempenharam papel importante na decisão do livro acompanhar uma equipe cinematográfica: "Eu realmente amo cinema e amo os mitos que cercam Hollywood. A realidade de Hollywood é muito diferente. E eu gostava dessa brincadeira de: o que é real? O que é falso? Em quem a Marin pode confiar?", explicou.

Essa incerteza de qual seria a verdade, ou se sequer haveria alguém de seu lado, foram inspirados por essa realidade: "Ela está em uma ilha repleta de atrizes e pessoas do cinema, que nem sempre são conhecidas por sua honestidade. Então, realmente queria brincar com essa ideia de: 'Será que todos estão mentindo para mim? Ou isso é real? Eles são apenas atores muito bons? Ou isso está realmente acontecendo?' Queria que o leitor se sentisse sempre desestabilizado, da mesma forma que a Marin se sentia".

Um leve spoiler que fará mais sentido ao decorrer da leitura: "Vi isso meio que como um microcosmo da indústria de cinema e de Hollywood, e todas essas pessoas diferentes que poderiam habitar Hollywood estão nessa ilha. E sim, este livro é bastante anti-Hollywood."

O autor finaliza dizendo que gostaria que os leitores se perguntassem exatamente o que um personagem perguntou à protagonista bem no final do livro: "Valeu a pena?".

Capa de novo livro de Riley Sager 'Desconhecido'.
Capa de novo livro de Riley Sager 'Desconhecido'.
Foto: Intrínseca/Divulgação / Estadão

Desconhecido

  • Autor: Riley Sager
  • Tradução: Renato Marques
  • Editora: Intrínseca (384 págs., R$ 69,90; R$ 46,90 o e-book)
Estadão
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