'Ousada e inventiva': canadense Anne Carson vence Prêmio Nobel de Literatura
O Prêmio Nobel de Literatura foi concedido nesta quinta-feira (8) à poeta e escritora canadense Anne Carson por sua "obra ousada e inventiva que, em um diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea", anunciou a Academia Real de Ciências da Suécia.
A escritora canadense Anne Carson venceu o Prêmio Nobel de Literatura. Conhecida pela ousadia, inventividade e forte influência dos clássicos gregos em obras como "Nox" e "Autobiografia do Vermelho", Carson é a 19ª mulher laureada entre 123 vencedores na história do prêmio. Escolhida pela Academia Sueca, ela receberá cerca de 1,07 milhão de euros, em uma premiação que volta a evidenciar debates sobre a representatividade geográfica e de gênero no cânone literário internacional.
A Academia Sueca conseguiu informar rapidamente a boa notícia à autora canadense, que está na Islândia, onde, segundo relatou, estava "ouvindo o vento". A escritora é especialmente conhecida por Nox, obra marcante publicada em 2010 em homenagem ao irmão Michael, que desapareceu misteriosamente antes de ser encontrado morto na Dinamarca, em 2000, explica a Academia Nobel.
Anne Carson é conhecida por suas traduções da literatura grega clássica, que exerce forte influência sobre sua obra. Sua produção inclui desde libretos de ópera e crítica literária até romances em verso, como Autobiografia do Vermelho, publicado em 1998.
Seu estilo também pode ser observado em Norma Jeane Baker of Troy, obra encenada pela primeira vez em 2019 que entrelaça o mito de Helena de Troia, tal como aparece na tragédia Helena, de Eurípides, com a trajetória de Marilyn Monroe. Norma Jeane era o nome de batismo da estrela de Hollywood.
Anne Carson passa a integrar a lista de grandes nomes laureados com o Nobel, como Aleksandr Soljenítsin, Alice Munro, outra canadense premiada em 2013, e Ernest Hemingway, em uma premiação que frequentemente desperta debates no meio literário.
A Academia tem sido alvo de críticas por ter deixado de premiar alguns dos maiores nomes da literatura dos últimos 120 anos, como Liev Tolstói, Virginia Woolf e Jorge Luis Borges. Ela também foi acusada de ignorar autores americanos nos últimos anos, embora tenha concedido o prêmio ao cantor e compositor Bob Dylan em 2016 e à poeta Louise Glück em 2020, além de privilegiar escolhas consideradas excessivamente obscuras por parte da crítica.
Nobel da Paz será anunciado na sexta
Os defensores da Academia argumentam, por outro lado, que a instituição também premiou autores que alcançaram enorme popularidade, como o colombiano Gabriel García Márquez, em 1982, e a britânica Doris Lessing, em 2007. A obra se desdobra na forma de uma única folha contínua de vários metros de comprimento.
No ano passado, o autor húngaro László Krasznahorkai recebeu a prestigiosa distinção por sua obra distópica e melancólica. Desde sua criação, o Nobel de Literatura tem sido dominado por homens e por autores da tradição literária ocidental.
Entre os 123 vencedores do prêmio, apenas 19 são mulheres, e apenas uma minoria escreve em línguas asiáticas ou do Oriente Médio. Nenhuma língua africana está representada entre os laureados.
Os vencedores do Prêmio Nobel de Literatura são escolhidos pela Academia Real de Ciências da Suécia. A premiação é acompanhada de um cheque de 12 milhões de coroas suecas (cerca de 1,07 milhão de euros).
O Nobel de Literatura é o quarto prêmio anunciado neste ano, seguindo a tradição, após os anúncios dos vencedores de Medicina, na segunda-feira, Física, na terça-feira, e Química, na quarta-feira. Nos próximos dias, serão anunciados os vencedores dos prêmios Nobel da Paz (sexta-feira) e de Economia (na próxima segunda-feira).
Com agências
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