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'O Beijo da Mulher Aranha' renasce como musical com Jennifer Lopez: 'Filme que sempre sonhei'

Cantora e atriz dá vida a papel que foi de Sonia Braga no longa há quatro décadas

18 jan 2026 - 10h46
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Quarenta anos é tempo suficiente para que uma história ganhe uma nova roupagem, um novo aroma, um novo significado. O Beijo da Mulher Aranha, obra de Manuel Puig e que Héctor Babenco transformou em um filme marcante e importante nos anos 1980, agora renasce pelas mãos do diretor Bill Condon. Desta vez, o caminho escolhido foi o do música, do teatro, da imaginação -- tudo isso com Jennifer Lopez no papel principal.

A produção, que adapta o espetáculo da Broadway, estreia nesta quinta-feira, 15, nos cinemas brasileiros, propondo um diálogo entre a elegância visual dos clássicos de Hollywood e questões contemporâneas.

A trama acompanha dois prisioneiros em uma cela na Argentina durante a ditadura militar: Molina, um homem gay condenado por corrupção de menores, e Valentin, um revolucionário político. Para escapar da dura realidade do cárcere, Molina reconta para o companheiro de cela os enredos de seus filmes favoritos, especialmente um melodrama protagonizado por Ingrid Luna, a misteriosa Mulher Aranha.

Em evento com a imprensa, Lopez não escondeu sua empolgação em ocupar o posto que foi eternizado por Sonia Braga. "É o que sempre sonhei fazer, um filme musical. Estava vivendo uma fantasia para mim mesma, da mesma forma que Molina tinha essa fantasia em sua mente", disse a artista, que também assina como produtora executiva.

'O Beijo da Mulher Aranha' traz Jennifer Lopez em papel surpreendente
'O Beijo da Mulher Aranha' traz Jennifer Lopez em papel surpreendente
Foto: Paris Filmes/Divulgação / Estadão

O desafio foi considerável. Lopez transita entre três personas distintas: a atriz Ingrid Luna, a heroína Aurora nas cenas do filme fictício, e a enigmática Mulher Aranha. Os 12 números musicais foram filmados sem o tempo que essas produções geralmente exigem, principalmente nos palcos dos teatros. "Não tivemos um ano e meio como os musicais conseguem ter. Foi realmente como correr contra o tempo", explicou.

A escolha estética de Condon dialoga diretamente com os grandes nomes do gênero musical. Inspirado em Fred Astaire, o diretor privilegiou planos longos e contínuos para capturar as coreografias. "Contratei a Jennifer porque sabia que ela conseguiria fazer os números do começo ao fim sem parar", justificou, revelando que foi preciso convencer a estrela a dispensar filmagens alternativas de segurança.

Tonatiuh surge como a grande surpresa do projeto. Sua interpretação delicada de Molina impressionou imediatamente. O ator se preparou de forma radical: perdeu 20 quilos e estudou desde o romance de Puig até ícones como Errol Flynn e Montgomery Clift. "Queria me inspirar em pessoas como Gene Kelly, e foi divertido justapor isso depois com Molina", compartilhou.

Completando o núcleo dramático, Diego Luna interpreta Valentin com a intensidade necessária para ancorar os momentos de fantasia. Descrito pelos colegas como "a cola" do filme, o ator mexicano enfrentou seus próprios receios em relação aos números musicais. A sintonia entre ele e Tonatiuh foi forjada durante três semanas de filmagens nas cenas da prisão, com rotinas que chegavam a 11 páginas de roteiro por dia.

Colleen Atwood assinou os figurinos, criando identidades visuais únicas em colaboração direta com Lopez. Um detalhe técnico impressiona: o vestido dourado de uma das sequências pesa 25 quilos, testando não apenas a técnica da atriz, mas sua resistência física. "É como disse Ginger Rogers: 'Faço tudo que Fred Astaire faz, só que de costas e de salto alto'", brincou Lopez ao comentar os desafios.

Tonatiuh (esq.) e Diego Luna (dir.) são Molina e Valentin em 'O Beijo da Mulher Aranha'
Tonatiuh (esq.) e Diego Luna (dir.) são Molina e Valentin em 'O Beijo da Mulher Aranha'
Foto: Paris Filmes/Divulgação / Estadão

Reverência ao passado, olhar para o presente

O respeito de Condon pela obra de Babenco é evidente. Como jovem gay nos anos 1980, ele ficou marcado por ver William Hurt, no auge da carreira, dar vida a Molina. "Foi extraordinário, realmente foi. Vocês não têm ideia. Era tão raro na época", lembrou. Mesmo assim, esta releitura se mantém mais fiel ao texto original de Puig, abordando aspectos da relação que eram considerados tabu há quatro décadas.

A composição do elenco reflete uma escolha consciente. Lopez defende a decisão de priorizar atores latinos. "Bill foi muito enfático sobre todo mundo ser latino no elenco, e outras versões não tiveram isso, mesmo se passando onde se passa", destacou. Para ela, esse tipo de representação tem o mesmo peso transformador que Rita Moreno exerceu em Amor, Sublime Amor sobre sua própria vida.

O contexto de lançamento adiciona camadas de significado à produção. Temas como identidade de gênero e diversidade sexual dominam os debates públicos nos Estados Unidos. "Escrevemos isso três anos atrás, muito antes da temporada eleitoral", pontuou Condon. "Mas ficou claro que pessoas trans seriam demonizadas, que fariam parte da conversa. É um filme que precisava acontecer agora".

Estadão
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