Vince Staples rebate críticos de música: 'Álbuns não são para ser perfeitos'
No programa semanal, o rapper de Long Beach usou uma analogia inusitada para defender a liberdade criativa dos artistas
Em seu programa na Apple Music, o rapper Vince Staples rebateu com veemência as cobranças irreais de críticos da internet, afirmando que álbuns não precisam ser perfeitos. O desabafo ocorre após reações mistas do público ao seu sétimo disco e primeiro projeto independente, Cry Baby (2026), marcado por influências do punk rock e rap político. Conhecido pela postura pragmática e autêntica em relação à própria obra, Staples agora se prepara para iniciar a turnê norte-americana do novo álbum em outubro.
Vince Staples tem sete álbuns no currículo, um programa semanal na Apple Music e paciência zero para críticos de internet. No episódio mais recente do 5 on Fridays — seu programa semanal no serviço de streaming da Apple —, o rapper de Long Beach usou uma analogia escatológica para fazer um ponto sobre expectativas irreais na música. "
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"Álbuns não precisam ser perfeitos, seu idiota. Você não é perfeito... Você limpa a bunda como todo mundo, cara. E a gente sabe que você não usa lenços umedecidos. A gente sabe que não tem bidê". disse.
E continuou: "Você entra na internet com a bunda suja e fala mal das escolhas criativas das pessoas. Não é legal. A gente não vai falar daquela marca que está aparecendo porque você não tem um pacote de lenços umedecidos. Limpa a bunda antes de falar do álbum dos outros".
Vince Staples had a message for people who are overly critical of new music during his Apple Music show '5 on Fridays' 😭
"Albums aren't supposed to be perfect, you asshole. You're not perfect... You wipe your butt like everybody else, pal."
"You get on the internet with your… pic.twitter.com/KSyhvldPOw
— Kurrco (@Kurrco) September 29, 2026
Cry Baby (2026), seu sétimo álbum, lançado em junho, também é seu primeiro projeto independente, lançado por seu próprio selo, Section Eight Arthouse. O disco marca uma virada estética, onde Staples incorpora elementos de punk e rock a uma base de rap político agressivo, abordando a violência racial, as hipocrisias dos Estados Unidos e as injustiças sistêmicas. Apesar de ter sido bem recebido pela crítica, o público, porém, nem sempre acompanhou o entusiasmo, e parte das reações negativas foi motivada pela mudança de direção em relação a Dark Times (2024).
O desabafo tem origem em um episódio ocorrido algumas semanas antes. No início de setembro, Staples foi entrevistado pelo criador de conteúdo FDffromthefuture, que perguntou qual era sua música favorita de seu próprio catálogo. A resposta soou pragmática demais para alguns fãs: "Não sei, cara. Uma delas. Qualquer uma que tiver mais reproduções." A declaração repercutiu no X e dividiu opiniões: alguns fãs a interpretaram como desrespeito; outros, como sinceridade. Diante da reação, Staples não recuou. Pelo contrário, organizou um evento de um único dia em Los Angeles, com venda de hambúrgueres, em alusão a um comentário anterior, no qual havia comparado sua relação com as próprias músicas à de um funcionário do McDonald's com os hambúrgueres que prepara ao longo do dia.
Staples está prestes a iniciar a Cry Baby Tour, com datas pela América do Norte a partir de outubro de 2026. Em julho, também se apresentou no Tiny Desk, da NPR, com cinco músicas do novo álbum. Ele segue como uma das vozes mais singulares e consistentes do rap contemporâneo dos Estados Unidos. No fundo, a crítica à crítica não é novidade: Staples sempre soube que sua obra exige paciência e abertura. A diferença é que agora ele tem um programa semanal de rádio para dizer isso — sem economizar nas analogias e palavrões.
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