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Timbres e texturas do E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante emergem no disco 'Fundação'

Banda se consolida no cenário do rock alternativo paulistano com o primeiro álbum; lançamento é no dia 20/9, no Sesc Pompeia

14 set 2018
06h11
atualizado às 08h50
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Entre timbres, texturas, camadas e produções das suas músicas situadas no rock alternativo e sem letras, a banda paulistana E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, há cinco anos na estrada, lança nesta sexta-feira, 14, seu primeiro disco, Fundação. Na próxima quinta, dia 20, eles lançam o álbum em show na Comedoria do Sesc Pompeia, em São Paulo.

Criada no terreno do pós-rock de Explosions in the Sky, Mogwai e Tortoise, e trilhando no Brasil o caminho do Hurtmold (e também em paralelo aos potiguares do Mahmed), a banda busca nos novos sons maior experimentação eletrônica e mais liberdade aos sintetizadores, sem deixar de lado o trio guitarra-baixo-bateria que fundamenta as canções.

A maior parte de Fundação foi gravada no estúdio que Lucas Theodoro (guitarra, synth, programações) montou em sua casa na Lapa, em SP. "O processo conjunto no estúdio tornou as músicas um pouco mais diretas", explica. "Antes, a gente se pautava em construir introdução com guitarras e acrescentar elementos aos poucos. Agora é diferente."

A ausência de letras abre um espaço de interpretação grande, que começa a ser definido pelos títulos das canções, como Já Não Ligo Se Tudo Der Errado e Todos os Dias Sua Lembrança me Assola, talvez o som mais eletrônico do álbum, com uma guia de guitarra que lembra um western fantasmagórico.

"É meio inevitável não pensar nisso, queremos transmitir alguma coisa e por mais que sejam só som, timbres, arranjos e produção, aquilo fala alguma coisa", diz Lucas Vilella (baixo e guitarra). Para ele, uma maturidade da banda começa a se mostrar aqui com um trabalho sutil e mais concentrado em camadas do que no "preenchimento" das canções.

Um dos fundadores da banda, o baterista Rafael Jonke, diz que o grupo sempre pensou a si mesmo como algo integrado à cena independente do rock alternativo - e não algo segregado como instrumental. "Estar fora de casa causa alguma coisa em você mesmo", diz sobre as turnês. "Tocar em lugares diferentes, e passando por situações difíceis, mas também boas, ser bem recebido, isso fez as músicas da forma que elas saíram."

Fundada em 2013 na capital paulista por Jonke e pelo amigo de infância Luden Viana (guitarra e synth), o EATNMPTD se consolidou no circuito de festivais indie nacional - recentemente, eles ainda abriram o show do Slowdive em São Paulo.

Viana acredita que um ponto de virada para a banda foi uma série de shows em 2013, no Espaço Cultural Walden, na República, fechado desde 2014. "Era um espaço de shows pequeno, muito barato, 40 pessoas ali era uma multidão."

Em cinco anos, foram dois EPs e um compacto, esquema que funcionou até agora. "Foi uma estratégia para conseguir depositar menos tempo e dinheiro nas composições. É muito dispendioso gravar. Os EPs eram um formato que gostamos e funcionou." Mas chegou o momento do disco.

A estética do it yourself (DIY) sempre foi uma marca da banda, que permanece em Fundação. Todos os membros, na faixa dos 26 a 30 anos, mantêm trabalhos paralelos. "Uma dica para quem quer fazer isso é: não larguem o trabalho do dia a dia", avisa Viana. "Ter banda independente é muito massa, muito político, mas tem que pagar as contas. Não adianta ter uma banda se no fim do dia não consegue pagar aluguel, ou mesmo fazer merch, gravar disco." É a primeira gravação do E a Terra que não sai do bolso dos artistas (o disco sai via Balaclava Records).

"Não era mais fácil ser independente antes", reflete o guitarrista. "Em nenhum outro momento houve tanto espaço e tanta necessidade política de ser ativo. Dos anos 1990 para cá, as coisas aconteceram num cenário pouco político. A turbulência bizarra no País acaba sendo força motriz para a cena."

Ouça aqui o disco Fundação nas plataformas digitais.

Ouça duas faixas do disco Fundação, da banda E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante:

Estadão Conteúdo

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