Rosanne Cash emociona plateia em show em Nova York
- NATE CHINEN
Durante os momentos finais de seu show na sexta-feira (9) à noite, em St. Ann's Warehouse, no Brooklyn, Rosanne Cash ficou sob a imagem dela e de seu pai, Johnny Cash. Era uma fotografia projetada no fundo do placo, que desapareceu rápido o bastante para parecer uma miragem. Considerando que Cash havia acabado de cantar Sweet Memories, uma balada country de lembranças que assombram, essa aparição sugestiva foi bem precisa.
Em outro sentido, seu pai, que morreu em 2003, esteve presente durante todo o show. Rosanne Cash inaugurou a temporada de apresentações dos 30 anos do St. Ann's Warehouse com um programa inspirado em seu novo álbum, The List (Manhattan). É uma lição prática sobre herança: em 1973, quando Cash era uma adolescente na estrada com seu pai, ele fez uma lista de 100 canções country essenciais que ela deveria procurar e absorver. O álbum traz doze delas, interpretadas com doce humildade por Cash e alguns convidados, como Bruce Springsteen e Elvis Costello.
Na sexta-feira (9), ela fez o trabalho sem contar com nenhuma ajuda externa. "O Bruce está aqui?", brincou, olhando ao redor. "Acho que o Bruce está em um evento maior esta noite", continuou, fazendo alusão ao estádio Giants. Ela foi mais do que capaz de conduzir sozinha o material, com o apoio de uma banda precisa e flexível. Seu marido, John Leventhal, que produziu o álbum, atuou como guitarrista principal e diretor musical.
Cash tem uma voz sombria e doce, com um vibrato gentil, mas confiável, e sabe como passar o tormento silencioso de uma dor no coração. Sua Motherless Children, uma canção tradicional, foi dura e impiedosa, sua interpretação de Long Black Veil, descrita por ela como a peça central do álbum, foi um frescor com sua tranquilidade. Antes de cantar Bury Me Under the Weeping Willow, música do Carter Family, ela lembrou-se de como Helen Carter havia lhe ensinado a tocar violão nos bastidores de uma turnê. "Cash é enteada da irmã de Helen, June Carter Cash."
Sendo ela mesma uma compositora, Rosanne Cash fez um sólido desvio do ponto central do show, apresentando as faixas-título de dois álbuns aclamados: Seven Year Ache (1981) e The Wheel (1993). Mas ela permitiu que a sombra de seu pai aparecesse mesmo em alguns de seus originais, como Radio Operator, uma vinheta rockabilly inspirada no namoro de seus pais. Escrita com Leventhal, ela aparece em seu álbum de 2006, Black Cadillac (Capitol).
Outra seleção de Black Cadillac, The World Unseen veio para iluminar o máximo possível o propósito daquela noite. Em um ritmo agridoce de country-rock, Cash criou uma cena evocativa: uma sala vazia, um céu noturno, o som distante de um violão. "Então, vou procurar por você", suspirou, "na melodia das canções que cantamos".
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