Roberto Medina diz que artistas é quem deveriam pagar para tocar no Rock in Rio: 'privilégio'
'Eles deviam pagar pra mim, mas eles não concordam', declarou o organizador do evento, em aparente tom de brincadeira, durante entrevista
Roberto Medina revolucionou a organização de shows internacionais no Brasil com a criação do Rock in Rio em 1985. Entretanto, o empresário sabe que o grande trunfo do país é seu público.
Em entrevista ao TMDQA, Medina lembrou como alguns artistas estrangeiros foram impactados pelas plateias brasileiras. O produtor de shows citou o exemplo do Queen na primeira edição do festival e comparou a uma cena do filme Bohemian Rhapsody.
Ele disse:
"O retorno pra eles… Eles saem do palco [cara de assombro]... É muito bom. Foi assim com o Freddie Mercury, com todos. Quando fui ver o filme do Freddie Mercury no cinema. Você tá com aquele público ali. A gente emocionou ele. Não é ele... A gente que emocionou ele."
A outra lembrança de Medina é ainda mais antiga. Antes de criar o Rock in Rio, ele foi o responsável por trazer Frank Sinatra para o Brasil. Segundo o promotor de eventos, o cantor americano chorou após sua performance para um público estimado em 175 mil pessoas no Maracanã em 26 de janeiro de 1980.
"Eu me lembro de quando trouxe o Frank Sinatra para o Brasil, me lembro dele falando assim: 'Esse é o momento mais importante de toda a minha vida profissional'. Você pegar o cara, que a geração de vocês não conheceu bem a força, mas ele era ao lado de Deus. O sujeito virar pra 170 mil. Ele nunca tinha… o máximo que ele queria era 60 mil. 170 mil pessoas em silêncio, ouvindo ele falar. Ele saiu chorando. Um ano depois eu o encontrei e ele tava chorando. Então a gente emociona ele."
O empresário aproveitou todos esses relatos para justificar um argumento bem-humorado. Segundo Medina, quem devia receber o cachê é ele:
"É um privilégio o artista cantar aqui. Eles deviam pagar pra mim, mas eles não concordam."
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Boicote ao Rock in Rio em 2001
A brincadeira do criador do festival traz a lembrança de algo incômodo, inclusive na seção de comentários do vídeo no Instagram. Durante a terceira edição do Rock in Rio, em 2001, seis bandas brasileiras conhecidas do grande público - O Rappa, Cidade Negra, Raimundos, Charlie Brown Jr, Skank e Jota Quest - formaram um boicote ao festival.
A medida serviu como protesto contra questões que incluíam cláusulas contratuais consideradas desfavoráveis, ausência de passagem de som para artistas nacionais e condições técnicas inferiores às oferecidas a atrações internacionais. O resultado do boicote foi uma renovação do debate quanto à valorização da música brasileira em grandes festivais.
Em entrevista de 2019 ao g1 (via site Igor Miranda), Roberta Medina, filha de Roberto e hoje também responsável pelo Rock in Rio, caracterizou o caso como uma "bobagem". Apesar disso, admitiu que o caso inspirou a criação do palco Sunset, que estreou na edição 2011 do evento:
"Aquilo, na minha opinião, foi uma bobagem. Foi por muito pouco. Depois de seis meses, eles ficaram nervosos? Aí a gente falou: 'Se vocês não querem, não é a gente que ia ceder'. […] Eu acho que [o cenário artístico do Brasil] evoluiu, vejo o mercado se profissionalizando. As bandas foram virando empresas, né? Não é aquela informalidade. Não vejo esses conflitos acontecerem. É muito irritante essa conversa de que [banda brasileira grande] só tem que tocar de noite. E na Europa que não tem noite?"
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