Por que Paul McCartney reinventou o baixo, segundo Johnny Marr
Guitarrista dos Smiths exalta a revolução imposta pelo Beatle ao instrumento e comenta que ele era de um "nível superior"
Para muitos, Paul McCartney é o arquiteto de algumas das melodias mais incríveis da história e a voz por trás de hinos insuperáveis. No entanto, Johnny Marr, guitarrista dos Smiths, destaca outra genialidade do eterno Beatle no ofício como baixista.
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Em recente declaração ao podcast The Overlap (via Guitar World), Marr classificou o trabalho de McCartney nas quatro cordas como algo de "nível superior". O célebre fã afirma categoricamente que o ídolo não apenas tocou o instrumento, mas o reinventou.
A admiração de Marr não é apenas teórica. Logo após o fim dos Smiths, o guitarrista teve a oportunidade de participar de uma sessão com McCartney. Foi nessa convivência direta que Marr percebeu a dimensão da revolução imposta por Macca ao instrumento.
Segundo o guitarrista, Paul transformou o baixo — tradicionalmente um instrumento de fundo, focado apenas em marcar o tempo — em uma "força melódica". Ele comenta:
"Na verdade, a gente esquece o que é a arte dele. Paul McCartney reinventou uma maneira de tocar baixo. A gente pensa nele como compositor e cantor, mas como baixista, ele é de outro nível, de verdade. Acho que isso foi realmente intencional. Acho que ele tinha muito orgulho de ser... ele queria ser o melhor baixista do mundo."
Paul McCartney fala sobre seu lado baixista
Embora Johnny Marr veja Paul McCartney como o revolucionário do instrumento, a relação do Beatle com o baixo começou de forma quase involuntária. Em entrevista à Reverb, ele relembrou que sua ambição inicial era ser guitarrista.
"Eu era o guitarrista solo, mas no primeiro show eu travei. Fiquei com as mãos trêmulas e não consegui tocar.
Uma vez no comando das quatro cordas, McCartney decidiu que não se limitaria a tocar apenas as notas fundamentais. Influenciado por James Jamerson (da Motown) e Brian Wilson (Beach Boys), ele começou a tratar o baixo como um instrumento também protagonista.
"Eu não queria apenas tocar a tônica, eu queria criar uma melodia que passasse de um acorde para o outro"