Plebe Rude resgata o inconformismo de 1986 diante de um povo à espera da ajuda de Deus no C6 no Rock
Banda de Brasília abriu a programação do novo festival que ocorre neste sábado, 22, e domingo, 23, no Parque Ibirapuera e celebra discos clássicos do gênero
A banda Plebe Rude abriu o festival C6 no Rock, em São Paulo, tocando na íntegra o clássico álbum O Concreto Já Rachou (1986). Liderado por Philippe Seabra, o quarteto reviveu a sonoridade punk e a urgência de suas letras politizadas com faixas como Até Quando Esperar. Comandando um show enérgico que preencheu o set com outros sucessos da carreira, o grupo provou a atemporalidade de sua crítica social no evento, que celebra discos históricos dos anos 1980 no Parque Ibirapuera.
Apenas 21 minutos foram necessários para tornar O Concreto Já Rachou (1986), da Plebe Rude, um clássico do rock nacional. 40 anos depois, espanta a maneira como a obra pouco envelheceu, não apenas por causa da sonoridade atemporal do punk, influenciada por bandas como The Clash e Sex Pistols, mas principalmente pelas letras politizadas do grupo de Brasília comandado por Philippe Seabra.
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A urgência e o inconformismo com o Brasil de 1986, pós-ditadura militar, foram bem traduzidos na abertura do C6 no Rock, neste sábado, 22, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. O festival estreia na capital paulista com a proposta de celebrar a história dos roqueiros brasileiros reproduzindo no palco - e na íntegra - alguns discos emblemáticos dos anos 1980.
Debaixo de um sol intenso, a Plebe tocou todas as faixas de seu mini-LP, não nesta ordem: Proteção, Johnny Vai à Guerra (Outra Vez), Minha Renda - com vídeo de Chacrinha introduzindo a "Plebe Rrrrude!!" -, Sexo e Karatê, Seu Jogo, Brasília e o hino Até Quando Esperar, com aquela certeira introdução de violoncelo, eternizada na gravação original por Jaques Morelenbaum, mas que no palco foi transmitida de forma pré-gravada. O som de peso ainda estava ali, desconfortável, direto, genuíno, sem que um clima nostálgico sufocasse a essência da obra.
A banda precisou preencher o tempo restante do set de uma hora com outras faixas da carreira, com destaque para o pop retrô de Este Ano e a balada A Ida. Foram escolhas que mostraram amplitude de estilo, mas se o LP clássico fosse repetido de cabo a rabo ninguém iria reclamar.
Seabra cantou com a ferocidade que o repertório pedia, amparado pelo desempenho sólido de André X, Marcelo Capucci e Clemente Magalhães, este último recém-recuperado de um problema cardíaco. Diante de um povo que "espera a ajuda de Deus", eles soaram, de fato, como comentaristas ácidos de um País que rachou há muito tempo.
O Concreto Já Rachou, vale lembrar, foi produzido por Herbert Vianna, uma espécie de padrinho da banda que também se apresenta neste sábado com os Paralamas do Sucesso. Tocam ainda no evento, que termina no domingo, 23, nomes como Titãs, Paulo Ricardo, IRA! e Marina Lima.
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