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O show em 1969 que fez Paul Stanley decidir virar rockstar

Vocalista e guitarrista do Kiss relembra impacto avassalador ao ver banda britânica pela primeira vez: 'o ponto de virada para mim'

2 jun 2026 - 12h45
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Muito antes de pintar uma estrela negra em seu olho direito, calçar botas de plataforma e assumir o alter ego de Starchild à frente do Kiss, Paul Stanley era apenas Stanley Bert Eisen — um garoto tímido e parcialmente surdo que crescia na efervescente Nova York dos anos 1960.

Paul Stanley, músico do Kiss, em 1977
Paul Stanley, músico do Kiss, em 1977
Foto: Michael Putland / Getty Images / Rolling Stone Brasil

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Apesar de ter nascido com microtia (uma má-formação na orelha direita que o tornou alvo de bullying na escola), o jovem nutria grande paixão pela música. Segundo ele, seus pais o criaram ouvindo ópera, peças da Broadway e música clássica, mas foi na urgência do rock que ele encontrou seu refúgio.

O momento crucial que mudaria sua percepção sobre a música aconteceu em agosto de 1969. Aos 17 anos, Paul Stanley comprou ingresso para ver uma banda britânica em ascensão que estava redefinindo o rock pesado: Led Zeppelin.

O impacto da performance liderada por Robert Plant e Jimmy Page foi avassalador, levando Stanley a também querer ser um rockstar. Ele recordou esse momento de epifania em entrevista resgatada pelo site Music Radar:

"O ponto de virada para mim, o que realmente abriu meus olhos para a enormidade do que eu queria fazer, foi ver o Led Zeppelin em agosto de 1969. Fiquei sem palavras ao ver aquele tipo de habilidade divina, e foi humilhante saber que eu nunca alcançaria aquilo. Você nunca esquece algo assim."

Apesar dessa sensação mista, Stanley conta que usou o choque, que para muitos poderia ser negativo, como combustível:

"Nós não necessariamente podemos alcançar a mesma altura daqueles que nos inspiram, mas eu sabia que deveria mirar nela. Você não sabe o quão bom pode ser, mas todo mundo ganha quando você dá o seu melhor."

Paul Stanley e o início do Kiss

Pouco tempo após o show do Led Zeppelin, Stanley cruzou o caminho de outro jovem com ambições semelhantes: Chaim Witz, que logo adotaria o nome de Gene Simmons. Juntos, eles passaram por projetos fracassados como as bandas Rainbow e Wicked Lester (que chegou a gravar um álbum nunca lançado pela Epic Records).

A persistência da dupla deu frutos em 1973 quando, ao lado de Ace Frehley e Peter Criss, fundaram o Kiss. Na avaliação de Paul Stanley, sua banda pode não ter chegado ao mesmo patamar do Led Zeppelin, mas aprendeu a lição com os melhores e construiu um legado importante:

"Nossas músicas sempre tiveram introduções, versos, refrões e pontes - os elementos que fizeram com que todos os grandes artistas fossem o que foram. De onde vieram os Beatles? Eles vieram da Motown, de Little Richard, Chuck Berry e dos Everly Brothers, e também do Brill Building - Carole King, Gerry Goffin, Barry Mann e Cynthia Weill, Jeff Barry e Ellie Greenwich… Então, na verdade, em tudo isso você encontra as raízes do Kiss."

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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