Chegada", música do álbum póstumo de Lô Borges, traz letra assinada pelo próprio compositor
O legado final de um gigante na lírica da canção póstuma revela uma história que desafia o tempo
A reverberação de um mestre da melodia ecoa novamente, mas com um toque de ineditismo que transcende o tempo. O aguardado álbum póstumo de Lô Borges, intitulado A Estrada, chega ao cenário musical carregado de emoção e uma revelação surpreendente: a faixa Chegada, um verdadeiro achado lírico, ostenta a assinatura do próprio compositor.
Este detalhe, por si só, eleva a canção a um patamar de raridade em uma discografia já aclamada, reescrevendo a percepção sobre a versatilidade de um dos pilares da música brasileira, falecido em 2025.
Desde os primórdios no emblemático Clube da Esquina de 1972, Lô Borges se consolidou como um arquiteto sonoro, principalmente através de suas composições instrumentais e arranjos geniais. Contudo, A Estrada, que será disponibilizado nas plataformas digitais em 10 de junho, desvenda uma faceta menos explorada: a voz de Lô como letrista.
O disco apresenta um total de dez obras inéditas, nove delas com a poética de Márcio Borges, seu irmão e parceiro de longa data. Mas é Chegada, com a autoria lírica do próprio Lô, que se destaca como uma joia rara, um presente final que subverte as expectativas e aprofunda o mistério em torno de sua criação.
A história por trás de Chegada é quase mística, um conto que se estende por décadas. "Pelo que me lembro, ele tinha essa melodia por muito, muito tempo na cabeça, desde criança", revela Corrêa.
A revelação ganha contornos ainda mais surpreendentes com a intervenção de Tavinho Moura. "Aí chegou no estúdio um dia dizendo que tinha conversado com Tavinho Moura sobre a música, e chegaram à conclusão de que ela foi feita antes mesmo dele nascer", complementa o produtor. Essa declaração não apenas sublinha a atemporalidade da obra de Lô, mas também insinua uma conexão quase predestinada com sua arte.
A Estrada" não é apenas um álbum, é uma celebração. O disco celebra os 80 anos de Márcio Borges, um tributo fraternal que ressoa nas dez composições inéditas. A faixa Chegada, em particular, ganha uma dimensão ainda maior com a participação de Tavinho Moura. Amigo e colaborador histórico de Lô, Moura empresta sua voz e a inconfundível sonoridade de sua viola de dez cordas, transformando a canção em um "lamento sertanejo" inusitado e profundamente emotivo.
É um encerramento poético para um percurso musical que, mesmo após a partida do artista, continua a surpreender e a emocionar.
A Estrada marca o oitavo disco de inéditas de Lô Borges em oito anos consecutivos, um testemunho da prolífica criatividade que o acompanhou até o fim. A chegada de Chegada, com sua letra autoral e sua melodia ancestral, não é apenas um lançamento musical, mas um portal para a alma de um artista que, mesmo ausente, segue nos presenteando com sua genialidade intemporal.
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