Separados entre Lisboa, Rio e São Paulo, Lunares rompe hiato com "Triptofano"
Lançado em parceria com a Algohits, single instrumental chega às plataformas nesta quinta-feira (17) e integra o primeiro EP do trio carioca, produzido pelos selos Abraxas e Urutu Discos
Após seis anos de hiato causado pela pandemia e pela distância geográfica entre Lisboa, Rio e São Paulo, o trio instrumental Lunares retoma as atividades com o single "Triptofano". A faixa, gravada ao vivo em 2020 e marcada por influências de rock progressivo, psicodelia e stoner rock, antecipa o primeiro EP homônimo do grupo carioca. O lançamento consolida o retorno da banda aos palcos, que teve início com apresentações em 2024 e inclui planos para novas composições e turnês.
Seis anos depois de entrar em estúdio e interromper as atividades em consequência da pandemia, o trio instrumental Lunares retoma sua trajetória com "Triptofano". O single, composto pelo guitarrista Guilherme Vaz, acaba de chegar às plataformas de música, em parceria com a Algohits, e integra o primeiro EP da banda, realizado pelos selos Abraxas e Urutu Discos.
Formado no Rio de Janeiro por Bauer França, Guilherme Vaz e Vicente Barroso, o Lunares constrói em "Triptofano" uma experiência instrumental que alterna momentos de contemplação e explosões sonoras. A faixa combina riffs de guitarra, ritmos intensos, improvisação e psicodelia pesada, atravessando referências do hard psych, rock progressivo, stoner rock e fusion.
O título faz referência ao triptofano, aminoácido relacionado à produção de serotonina e à regulação do sono. A escolha também traduz a sensação provocada pela música: uma espécie de suspensão da rotina, conduzida por mudanças de dinâmica e por uma guitarra que assume o papel normalmente ocupado pela voz.
"'Triptofano' foi uma das primeiras músicas apresentadas pelo Lunares e, desde os primeiros ensaios no Coletivo Machina, era a que mais parecia definir a identidade da banda. Sempre nos sentimos bem tocando essa faixa, e o nome vem um pouco disso. Produzir esse tipo de som instrumental e pesado sempre foi instigante para nós", explica Bauer França, baixista do trio.
Gravada no início de 2020, no Estúdio Terra, "Triptofano" faz parte do EP homônimo do Lunares, composto por quatro faixas. O trabalho foi produzido pela própria banda, com coprodução de Daniel Duarte e Francisco Patetucho. O percussionista Tom Andrade participa das quatro músicas, enquanto Patetucho também assina mixagem, masterização e sintetizadores.
As bases foram registradas ao vivo, preservando a interação entre os integrantes e abrindo espaço para improvisos durante as sessões. Influenciado por nomes como Earthless, Psilocibina e Quarto Astral, o trio apostou em arranjos enxutos, nos quais a guitarra conduz a narrativa em meio a blocos rítmicos e passagens psicodélicas.
Pouco depois das gravações, a pandemia interrompeu os planos de lançamento. A mudança de cidade dos integrantes ampliou a distância: atualmente, Guilherme vive em Lisboa, Bauer permanece no Rio de Janeiro e Vicente mora em São Paulo. A primeira reunião do trio aconteceu somente em 2024, com apresentações no Rio e em São Paulo, reacendendo o desejo de concluir e lançar o projeto.
"Tocar essas músicas é um momento de escape da rotina. Também é um prazer reencontrar pessoas que, mesmo com o passar dos anos, continuaram acompanhando e valorizando nosso trabalho. Agora queremos voltar aos shows, lançar as outras faixas, compor e nos divertir juntos novamente", completa Bauer.
O lançamento também chega acompanhado de um visualizer formado por imagens de apresentações realizadas pela banda em São Paulo, em 2024. O registro conecta o material gravado antes da pandemia à retomada do Lunares nos palcos.
Uma trajetória entre psicodelia e esportes radicais
Criado em 2016, o Lunares começou sua trajetória no Coletivo Machina, espaço da Lapa que funcionou como estúdio, casa de shows e ponto de encontro da cena independente carioca. Foi ali que os músicos desenvolveram sua linguagem instrumental enquanto também trabalhavam na produção de eventos e acompanhavam de perto a movimentação de diferentes vertentes do rock nacional.
Desde então, o trio passou por espaços e eventos como Audio Rebel, Aparelho, Void, Aldeia Rock Festival, Hocus Pocus Festival e produções do selo Abraxas. A relação dos integrantes com o skate e outros esportes radicais também levou a banda a campeonatos e encontros de rua, entre eles o MIMPI Surf Skate Film Sessions, o Osklen Surfing Concrete Sessions e o encerramento do festival I Love XV, em 2019.
Foi justamente durante o I Love XV que o fotógrafo Matheus Perissé registrou a imagem escolhida para a capa do primeiro EP do grupo, lançada sete anos depois do clique original.
Com "Triptofano" e a chegada do EP homônimo, o Lunares transforma um projeto interrompido em ponto de partida para uma nova fase. Além das próximas faixas do trabalho, a banda já prevê novos shows e gravações para 2027.
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