Gravadora tomou decisão após saber de caso envolvendo D4vd
Milhões na Interscope contrastam com acusações chocantes em caso que abala a indústria musical
A notícia de que D4vd, dono do hit Romantic Homicide, teria embolsado milhões de dólares em seu contrato com a Interscope Records, antes mesmo das graves acusações de assassinato virem à tona, lançou uma sombra ainda maior sobre o trágico caso de Celeste Rivas Hernandez.
A revelação, feita em tribunal por um funcionário da gigante da indústria musical e revelada pela Billboard, adiciona uma camada perturbadora de motivação e desespero a um enredo já sombrio e complexo.
O depoimento, ocorrido nesta quarta-feira (22), durante a audiência preliminar, chocou a todos. Um executivo do Interscope Capitol Labels Group, uma divisão da Universal Music, confirmou que D4vd havia recebido mais de US$ 7 milhões, um valor estratosférico para um artista em ascensão.
Essa cifra eleva a aposta no julgamento para um patamar onde o sucesso estrondoso, alcançado em grande parte graças à viralização no TikTok em 2022, se choca diretamente com a barbárie de um crime chocante.
O Voo Meteórico e a Queda Vertiginosa
O artista, cujo nome verdadeiro é David Anthony Burke e que hoje tem 21 anos, é acusado de esfaquear e desmembrar Celeste Rivas Hernandez, de apenas 14 anos, em abril de 2025. O Ministério Público do Condado de Los Angeles sustenta que o motivo por trás do ato hediondo seria encobrir um relacionamento sexual ilegal entre os dois.
A teoria da promotoria é estarrecedora: Celeste teria ameaçado expor o relacionamento dias antes do lançamento do álbum de estreia de D4vd, Withered, e o assassinato teria sido uma tentativa desesperada de silenciar a adolescente e proteger sua carreira multimilionária.
Para sustentar essa tese, os promotores buscaram quantificar o potencial prejuízo financeiro que D4vd enfrentaria caso sua carreira desmoronasse. O executivo da Interscope Capitol, que assinou com D4vd para a Interscope/Darkroom após a explosão de Romantic Homicide nas redes sociais, revelou que a gravadora desembolsou mais de US$ 7,5 milhões ao longo do contrato.
Contudo, em dezembro de 2025, a Interscope/Darkroom rompeu com o artista, logo após o corpo de Celeste ser descoberto no porta-malas de um Tesla registrado em nome de D4vd.
Além do depoimento da Interscope, o tribunal ouviu o ex-contato financeiro de D4vd na Mogul Vision, sua empresa de gestão. Segundo a Rolling Stone, essa testemunha estimou que o artista gerou ganhos brutos entre US$ 10 milhões e US$ 11,5 milhões com gravações, publicações e merchandising. Valores que, agora, se tornam um ponto central na argumentação da promotoria.
A Linha do Tempo da Tragédia e a Resposta da Gravadora
Contrariando a percepção inicial de que a Interscope teria mantido laços comerciais com D4vd por longos oito meses após o suposto assassinato de Celeste Rivas, a realidade dos fatos é bem mais matizada. Fontes próximas ao caso indicam que a gravadora agiu com rapidez decisiva assim que as informações oficiais se tornaram disponíveis através do Departamento de Polícia de Los Angeles (LAPD).
A narrativa se desenrola a partir de abril, mês em que os promotores alegam ter ocorrido o assassinato de Celeste. No entanto, o corpo da vítima só seria encontrado em 8 de setembro, dentro de seu Tesla apreendido.
Embora D4vd continuasse vinculado por contrato até dezembro, essa permanência não significou apoio contínuo. A gravadora esclareceu que, durante esse período de três meses - e não oito, como inicialmente especulado -, o rapper não havia sido formalmente preso ou acusado de qualquer crime. Sua menção como possível suspeito só emergiu em meados de novembro, alterando drasticamente o panorama.
O Dilema Moral e a Rescisão Contratual
Com a evolução das investigações e a inclusão de D4vd como suspeito, a Interscope não conseguiu mais justificar o suporte ao artista. Fontes internas da gravadora afirmam que a empresa estava monitorando de perto o desenrolar do caso, levando-o com a seriedade que a situação exigia. A decisão de rescindir o contrato, embora o artista ainda não estivesse sob custódia policial, foi pautada por um imperativo moral.
A rescisão ocorreu discretamente em dezembro, quatro meses antes de D4vd ser finalmente preso e formalmente acusado do assassinato de Celeste Rivas. Essa antecipação por parte da gravadora sublinha o cuidado em distanciar-se de um cenário que se tornava progressivamente insustentável.
Declarações Oficiais e o Impacto Financeiro
De acordo com o site TMZ, a confirmação da rescisão veio a público através do testemunho de Louis Poimiroo, vice-presidente sênior de finanças da Interscope, durante o segundo dia da audiência preliminar de D4vd. Poimiroo declarou que o contrato do cantor com a Mogul Vision foi efetivamente encerrado em dezembro de 2025 e que nenhum pagamento foi feito ao artista em 2026.
O executivo revelou a magnitude do investimento em D4vd: o contrato de gravação possuía um valor potencial mínimo de US$ 7 milhões, podendo alcançar a impressionante marca de US$ 19 milhões caso a Interscope optasse por exercer suas opções para álbuns adicionais. Além disso, a gravadora se beneficiava de uma porcentagem em parcerias comerciais significativas, incluindo marcas como Bose, Hollister, Crocs e AMC.
A interrupção abrupta desse fluxo de receita e projeção de carreira é um testemunho brutal do impacto das acusações.
Acusações Graves e a Defesa do Artista
Atualmente, D4vd enfrenta acusações pesadíssimas, que incluem homicídio, abuso sexual contínuo de uma criança menor de 14 anos e mutilação de cadáver. O artista se declarou inocente de todas as acusações, e o processo legal segue seu curso, com desdobramentos que prometem continuar a chocar e reverberar tanto na esfera jurídica quanto no universo do entretenimento.
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