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Após 40 anos, apareceu quem colocou o Rush na abertura de 'Profissão Perigo' no Brasil

Desvendamos o gênio por trás da trilha sonora que uniu rock progressivo e ação na TV brasileira.

20 ago 2026 - 16h17
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Resumo
Após 40 anos, revelou-se que Julio Fernandes foi o responsável por escolher a clássica música "Tom Sawyer", do Rush, para a abertura brasileira da série "Profissão Perigo" (MacGyver), na TV Globo. Buscando substituir a trilha original, considerada fraca pela direção, Fernandes editou artesanalmente a faixa em fita de rolo nos anos 1980. A decisão inesperada marcou época na TV brasileira, tornou-se icônica e impulsionou fortemente as vendas e a popularidade da banda de rock no país.
Após 40 anos, apareceu quem colocou o Rush na abertura de 'Profissão Perigo' no Brasil
Após 40 anos, apareceu quem colocou o Rush na abertura de 'Profissão Perigo' no Brasil
Foto: The Music Journal

Quatro décadas se passaram, e o mistério que envolvia uma das mais icônicas aberturas da televisão brasileira finalmente vem à tona. A fusão inusitada entre a série de ação "MacGyver" - conhecida no Brasil como "Profissão Perigo" - e o rock progressivo do Rush, na figura de sua imortal Tom Sawyer, deixou uma marca indelével na memória de gerações.

Agora, o homem responsável por essa sacada genial revela os bastidores de uma decisão que reverberou por todo o país, influenciando vendas e solidificando um legado cultural.

A Faísca de um Clássico Inesperado

A história começa nos anos 1980, nos corredores da TV Globo, com a chegada de Julio Fernandes. Vindo do universo da produção de jingles, sua entrada na emissora foi quase um acaso do destino, um convite inesperado que o colocou no epicentro da criação televisiva. Foi nesse ambiente efervescente que surgiu o "briefing" para a nova aposta da casa: uma série sobre um agente secreto engenhoso.

A abertura original, no entanto, parecia "xoxa", nas palavras de figuras como Boni, então um dos grandes nomes da direção da Globo. Havia uma necessidade latente de algo que causasse impacto, que anunciasse a chegada de "Profissão Perigo" com uma força incontestável.

Foi nesse vácuo criativo que Julio Fernandes, um entusiasta do Rush, vislumbrou a solução. ", ele recorda.

"Escuta, tem uma banda que eu curto, que eu acho que a gente consegue tirar um trecho dessa música e a gente faz a trilha pra sonorizar"

Do Vinil à Fita de Rolo: A Gênese de um Hit

A aprovação não foi imediata, mas a persistência de Julio valeu a pena. No dia seguinte, o disco de vinil foi levado à gerência. A reação foi positiva:

"Ô, que legal, isso tem uma pegada mais firme, mais forte, vou levar isso pra gerência e diretoria do departamento de promoções"

A luz verde veio, e o processo de adaptação começou. Em uma época analógica, a engenhosidade era a chave. Um trecho do disco foi gravado em um gravador de rolo, cortado e emendado artesanalmente para se encaixar nos poucos segundos que precediam a ação de MacGyver. Era uma alquimia sonora, transformando um hino do rock progressivo em uma assinatura televisiva inesquecível.

O Impacto Inesperado de uma Decisão

A repercussão dessa escolha foi monumental, e talvez nem o próprio Julio Fernandes pudesse prever sua magnitude. Tom Sawyer, faixa que abre o seminal álbum Moving Pictures (1981) do Rush, foi concebida por Geddy Lee, Neil Peart e Alex Lifeson em parceria com o letrista Pye Dubois.

Curiosamente, a banda não ficou imediatamente satisfeita com o resultado final da gravação, com Geddy Lee, o baixista, saindo do estúdio com a impressão de que "não haviam capturado o espírito da faixa". Contudo, o Brasil provaria o contrário.

Anos depois, em sua autobiografia "My Effin' Life", o próprio Geddy Lee viria a comentar o fenômeno brasileiro. A popularidade avassaladora de "MacGyver" por aqui, impulsionada pela abertura com Tom Sawyer, gerou um efeito dominó nas vendas da banda no país, um testemunho do poder da televisão como plataforma de divulgação cultural.

Um Legado que Resiste ao Tempo

A revelação de Julio Fernandes não é apenas uma curiosidade histórica; é um lembrete do poder da curadoria musical e da capacidade de um simples detalhe transformar a percepção de uma obra. Em um mundo onde o streaming e a fragmentação do consumo cultural são a norma, a história de Tom Sawyer em "Profissão Perigo" ressoa como um eco de uma era em que a televisão tinha o poder de moldar gostos e criar ícones.

"Eu jamais ia imaginar que isso ia repercutir 40 anos depois, gente falando do Rush", confessa Julio, expressando a surpresa e a satisfação de ver sua decisão ser celebrada décadas mais tarde. É a prova de que, às vezes, um pequeno corte de um disco pode gerar uma das maiores porradas culturais que o Brasil já viu.

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