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J. Cole promete sair da 'zona de conforto' após encerrar 'Trunk Sale Tour'

Rapper anuncia entrevistas iminentes e reflete sobre turnê mundial de seis meses, que começa em julho

19 mar 2026 - 09h36
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J. Cole encerrou a Trunk Sale Tour e agora planeja os próximos passos. Em um post publicado no blog pessoal Inevitable, o rapper de 41 anos refletiu sobre a quase-turnê que acabou de concluir — na qual vendia cópias físicas de The Fall-Off diretamente do porta-malas do carro — e revelou estar exausto, mas animado com o que vem pela frente.

Foto: Prince Williams/WireImage / Rolling Stone Brasil

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"Eu estava exausto depois de sair de Los Angeles nessa última parada; isso me fez pensar sobre essa turnê que vem… seis meses de duração!!", escreveu. "Estou empolgado. A gente não faz uma turnê internacional desde '4 Your Eyez Only'", escreveu.

A turnê mundial de The Fall-Off — álbum que J. Cole insinuou poder ser seu último projeto de estúdio — está marcada para começar em julho, com 73 datas distribuídas até dezembro. O roteiro passa pela América do Norte, Europa, Austrália e África do Sul, representando o maior compromisso internacional do rapper em anos.

Cole foi transparente sobre o dilema que muitos artistas no auge da carreira enfrentam: como equilibrar responsabilidades familiares com demandas profissionais globais. A paternidade o manteve perto de casa nos últimos anos, mas Cole reconhece que The Fall-Off exige uma presença internacional que não pode ser evitada.

O rapper também explicou a decisão deliberada de evitar entrevistas no primeiro mês após o lançamento do álbum, querendo que ouvintes processassem a música sem interferência de suas próprias interpretações autorais. "Minha intenção era lançar esse álbum e deixar ele respirar por pelo menos um mês antes de fazer qualquer entrevista. Eu queria dar às pessoas a chance de sentir quaisquer emoções que a música trouxesse e formular seus próprios pensamentos, ideias, opiniões ou interpretações antes de eu aparecer e dar as minhas", escreveu.

A Trunk Sale Tour recém-concluída exemplificou retorno às raízes, com Cole dirigindo entre cidades vendendo cópias físicas do álbum do porta-malas, interagindo pessoalmente com compradores ao invés de depender de arenas lotadas e campanhas digitais milionárias.

Quanto ao futuro, sinais permanecem ambíguos sobre um novo disco: embora tenha insinuado que The Fall-Off poderia ser último álbum de estúdio, Cole voltou atrás parcialmente ao admitir que "pode fazer" outro projeto, deixando porta entreaberta enquanto reduz pressão sobre si mesmo. A ambiguidade parece proposital, permitindo flexibilidade criativa sem compromissos rígidos. Para artista que construiu carreira baseada em autenticidade, conexão pessoal e rejeição de fórmulas convencionais da indústria, o caminho adiante parece envolver mais comunicação direta com fãs, mais vulnerabilidade e possivelmente menos música.

Sobre The Fall-Off

O conceito é simples, mas devastador: duas viagens que Cole fez para Fayetteville, North Carolina, sua cidade natal. Uma aos 29 anos, recém-saído de Nova York, com a fome ainda afiada. Outra aos 39, casado, pai de dois filhos, carregando a bagagem emocional de uma década inteira no topo. E cada uma delas se transformou em um disco (Disco 29 e Disco 39), que funciona como fotografias de um homem que voltou para casa, mas não é mais a mesma pessoa, e que descobriu da pior forma possível: você não consegue mais viver no lugar que te criou quando a fama te transformou em outra coisa.

O tema central atravessa o álbum inteiro: Cole sempre quis ser famoso, mas hoje quer voltar a sentir o que sentia no começo da carreira. A conexão com Fayetteville — carinhosamente apelidada de "the Ville" — se distanciou no meio do caminho. Não por falta de amor, mas porque o sucesso cria esse espaço. Ele volta, mas as pessoas que ficaram não vivem mais a mesma realidade. Os amigos estão presos, mortos, ou olham pra ele como celebridade em vez de Jermaine. Ele frequenta os mesmos lugares, mas agora precisa calcular cada movimento por medo de violência ou de virar manchete. E nada disso é culpa da cidade. É culpa do que ele se tornou. Essa tensão — querer pertencer, mas não conseguir mais — é o motor que faz The Fall-Off funcionar como narrativa completa. E Cole aceitou, e é isso que torna o álbum maduro.

The Fall-Off é um clássico instantâneo, quase perfeito. Com 2014 Forest Hills Drive (2014) e o conceitual 4 Your Eyez Only (2016), forma a tríade definitiva da carreira de J. Cole. É ambicioso. É denso. Tem muita coisa pra digerir. Mas cada audição revela uma nova camada, um novo detalhe, uma nova conexão entre músicas que pareciam soltas, mas, na verdade, estão amarradas. A saída dele da briga Kendrick-Drake não agradou ninguém — tirando ele mesmo. E isso fez bem. Deixou ele focar no que sempre foi melhor: rap introspectivo, honesto, tecnicamente impecável, que não tenta impressionar a indústria, mas sim fazer as pazes com o homem no espelho. Não acredito que The Fall-Off seja o último álbum de Cole. Mesmo assim, se ele estiver falando a verdade, estamos diante de uma obra que tem tudo para envelhecer bem, que será revisitada, estudada e referenciada. Foram dez anos que valeram a pena.

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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