Finneas deixa turnê de Ed Sheeran após expulsão de rapper por discurso pró-Palestina
Em adição à saída de Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda Beoga, a Loop Tour oficialmente perde todos os seus atos de abertura
Artistas como Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda Beoga deixaram a turnê de Ed Sheeran em solidariedade a Macklemore, demitido dos shows de abertura após discursos pró-Palestina. Os músicos criticaram a censura ao rapper e prestaram apoio à causa palestina. Sheeran alegou que a decisão foi da produção e que prefere não politizar seus shows. A saída de Finneas deixa sem atração de abertura as apresentações de Sheeran em São Paulo, agendadas para dezembro, que ainda não têm substitutos.
Após a demissão de Macklemore como ato de abertura nas datas norte-americanas da turnê de Ed Sheeran após discurso pró-Palestina em duas apresentações, Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda de apoio Beoga anunciaram sua saída da Loop Tour. Finneas faria as aberturas da etapa sul-americana da turnê, incluindo as duas datas confirmadas no Allianz Parque, em São Paulo, em dezembro. Rowe seria o encarregado pela etapa final pelos Estados Unidos, nas datas seguintes à Macklemore.
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O irmão e produtor de Billie Eilish se pronunciou contra a atitude de Sheeran por meio das redes. "Artistas não devem ser silenciados por se manifestar contra a opressão", escreveu Finneas. "Eu decidi me retirar das próximas datas da minha turnê com Ed Sheeran. Eu apoio a Palestina e o seu povo", concluiu.
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O movimento de apoio do vencedor de 10 Grammys e 2 Oscars ao povo palestino e à Macklemore veio acompanhado de outros músicos. Aaron Rowe, que dividia a abertura dos shows americanos com Macklemore desde setembro, também anunciou sua saída, relacionando o momento à história de seu próprio país. "Tomei a decisão de me retirar como ato de abertura da turnê norte-americana 'The Loop' do Ed Sheeran", escreveu ele nas redes. "Não tomei essa decisão de ânimo leve. Ed tem sido um amigo para mim e mudou minha vida, nunca poderei agradecê-lo o suficiente por isso."
O cantor, que também atuou como ato de abertura dos shows de Sheeran Na Austrália, relacionou a luta palestina com a história de opressão em seu próprio país: "Mas como irlandeses, sabemos muito bem o que é genocídio, fome forçada e ocupação violenta. Não posso ficar de braços cruzados enquanto bilionários usam sua posição de poder para silenciar as vozes legítimas daqueles que se manifestam contra o genocídio israelense e que denunciam o assassinato brutal de crianças. Eu perderia todo o respeito por mim mesmo se continuasse como se nada tivesse acontecido. Preciso ser fiel a mim mesmo e aos meus ancestrais que resistiram à colonização e lutaram pela liberdade que hoje desfruto na Irlanda." Ele encerrou sua mensagem declarando: "Palestina Livre" (via Variety).
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O grupo irlandês Beoga, que integra a banda de apoio de Sheeran desde a parceria na faixa "Galway Girl", confirmou que também deixariam a turnê em solidariedade a Macklemore. "Como músicos, tocar para essas multidões todas as noites é o tipo de coisa com que sonhamos, mas tocar em locais que silenciam qualquer pessoa que defenda uma Palestina livre simplesmente não é uma opção para nós", declarou a banda nas redes.
Responsável pela abertura das apresentações da Loop Tour ao lado de Macklemore, Lukas Graham também se posicionou contra a demissão do rapper. "Édifícil ver famílias em outras partes do mundo enterrando as pessoas que amam. Devemos poder falar sobre guerra, sobre civis sendo mortos, sobre crianças que merecem crescer. Onde quer que vivam. Qualquer que seja a bandeira que tremule sobre elas", escreveu no Instagram. "Eu cresci em Christiania, uma pequena comunidade na Dinamarca onde expressar sua opinião fazia parte do cotidiano. Ter mais dinheiro não fazia sua opinião valer mais do que a de qualquer outra pessoa. Dinheiro não lhe dá o direito de dominar a conversa. O saldo bancário de ninguém deve decidir quem pode falar ou qual sofrimento podemos reconhecer.
"Eu amo o Ed e sou grato por tudo que compartilhamos. Isso não mudou. Mas não posso divulgar essas palavras e continuar com esta turnê como as coisas estão. Estamos cancelando as datas restantes. Sinto muito que não estaremos lá. Esta é uma decisão difícil, mas é uma que preciso manter", concluiu Graham.
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Entenda o caso
O rapper retirado da programação da Loop Tour expressa apoio à causa palestina há vários anos, e juntou-se à turnê de Sheeran no início deste mês, realizando dois shows no estádio MetLife, nos arredores de Nova York, nos dias 4 e 5 de setembro. No primeiro show, o rapper de Seattle gritou "Palestina Livre" no palco e expressou solidariedade ao povo de Gaza e da Cisjordânia. Ele também exibiu imagens da devastação em Gaza e apresentou sua canção de protesto, "Hind's Hall". Na segunda data, Macklemore voltou a utilizar uma keffiyeh (lenço quadriculado tradicional palestino) e expressar palavras de amor e soliedariedade ao povo palestino, além de se dirigir aos fãs judeus: "A todos os meus irmãos e irmãs judeus: criticar Israel, criticar o apartheid e ser contra o genocídio de forma alguma significa criticar vocês", afirmou. "Minha mensagem é de paz, amor e de que todos os seres humanos sejam tratados com dignidade, respeito e igualdade."
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Sheeran, por sua vez, negou ter tomado a decisão de demitir o rapper. "A decisão de Macklemore de encerrar a turnê foi do produtor, não minha", escreveu em um comunicado. "Não sou cúmplice. Tenho minhas opiniões pessoais sobre esse conflito devastador. O fato de eu escolher não falar publicamente não significa que eu não tenha opiniões, nem significa que eu não me importe", acrescentou Sheeran. "Também não significa que eu não apoie causas à minha maneira, pessoalmente. Existe uma razão pela qual não uso minha plataforma profissional para fazer política: meu público inclui jovens, muitas vezes crianças, de todas as origens. As pessoas que vão aos meus shows não esperam encontrar um fórum político", se justificou o cantor
Com a saída de Finneas, as datas de 5 e 6 de dezembro em São Paulo ficam sem atração de abertura confirmada. Até o momento, a organização do show no Allianz Parque não se pronunciou sobre um possível substituto.
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