Do porta malas de um carro a uma empresa de R$ 80 milhões como Ravell Nava construiu a Brl Educação
Antes de liderar uma empresa que já capacitou mais de 20 mil empresários, o empreendedor vendia roupas e tênis trazidos do Paraguai, perdeu todo o capital em um golpe e recomeçou com R$ 600 emprestados da irmã
Quando tinha pouco mais de 20 anos, Ravell Nava levava um pé de cada modelo de tênis para a faculdade. Durante o intervalo das aulas, espalhava os produtos sobre um banco para que colegas escolhessem os modelos. Nos demais dias da semana, o porta malas do carro funcionava como escritório. Era dali que saíam roupas, calçados, eletrônicos e acessórios comprados em São Paulo e Paraguai para abastecer clientes em Brasília.
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Aquela rotina estava longe do universo da educação executiva. Filho de um auditor fiscal e de uma professora, Ravell cursava Propaganda e Marketing e fazia estágio no Ministério da Defesa quando descobriu, por acaso, que tinha talento para vendas. Ao mostrar a peça para uma tia, perguntou quanto ela acreditava que o produto valia. A resposta foi R$ 800. Ela respondeu que sim. A venda foi concluída naquele momento.
"Foi ali que entendi que vender não era apenas oferecer um produto. Existia uma diferença enorme entre comprar bem, gerar valor e construir confiança. Aquela venda mudou completamente a minha maneira de enxergar negócios."
Durante quase quatro anos, Ravell viveu exclusivamente da revenda de mercadorias. Comprava tênis por cerca de R$ 100 e revendia por até R$ 500. Em algumas semanas, chegava a comercializar 50 pares, obtendo lucro próximo de R$ 10 mil por semana, um valor expressivo para um jovem no início da carreira.
Mais do que o retorno financeiro, o período se transformou em sua principal escola de negócios. Negociação, relacionamento com clientes, cobrança, gestão de estoque e resolução de problemas passaram a fazer parte da rotina muito antes da criação da empresa que anos depois se tornaria sua principal atividade.
A trajetória, no entanto, sofreu uma interrupção brusca. Ravell foi vítima de um estelionatário e perdeu praticamente todo o capital acumulado ao longo dos anos. Sem recursos para recomeçar, recorreu ao cheque especial da irmã, que lhe emprestou R$ 600.
"Naquele momento eu podia aceitar que tinha dado errado ou começar tudo de novo. Escolhi recomeçar. 200, depois em pouco mais de R$2 mil e continuei reinvestindo até recuperar tudo. O dinheiro pode acabar. O conhecimento permanece."
O episódio redefiniu sua visão sobre empreendedorismo. O que antes era uma atividade voltada ao lucro passou a ser encarado como um processo permanente de aprendizado. Anos depois, essa experiência serviria de base para a criação da Brl Educação.
Fundada para oferecer formações voltadas exclusivamente a empresários, a empresa nasceu da percepção de que muitos donos de negócios dominavam seus mercados, mas encontravam dificuldades para crescer por falta de conhecimento em vendas, gestão e liderança. Em cinco anos, a BRL Educação alcançou R$ 80 milhões de faturamento acumulado, capacitou mais de 20 mil empresários e estima que as empresas de seus alunos movimentam mais de R$ 17 bilhões.
Hoje, enquanto conduz a expansão nacional da BRL, Ravell afirma que a principal referência para construir a empresa continua sendo o período em que vendia produtos no porta-malas do carro.
"As pessoas enxergavam um jovem vendendo mercadorias. Eu enxergava uma oportunidade de aprender uma profissão. Tudo o que faço hoje como empresário começou naquela época. A Brl nasceu muito antes de existir como empresa. Ela nasceu quando descobri que vender é, antes de tudo, construir confiança."
A companhia prepara uma nova etapa de crescimento com expansão para novos mercados, fortalecimento das formações presenciais e investimentos em inteligência artificial para apoiar empresários na tomada de decisão.
Para Ravell, porém, a tecnologia apenas potencializa um princípio que aprendeu ainda no início da carreira: empresas crescem quando pessoas sabem gerar valor para outras pessoas.
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