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Diogo Nogueira lança DVD gravado em Cuba: "sambam igual brasileiros"

16 ago 2012 - 13h12
(atualizado às 13h45)
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GISELE ALQUAS

Ele é loiro, de olhos claros e canta samba. Mesmo sem ter o estereótipo de um sambista, Diogo Nogueira, 33 anos, conquistou seu espaço perante a classe. Ele é filho do saudoso compositor João Nogueira e, com a inspiração no pai, o cantor, que antes se aventurou nos gramados como jogador de futebol, decidiu levar a música a sério há cincos, quando gravou seu primeiro DVD, Ao Vivo.

O músico acaba de lançar seu CD e DVD Ao Vivo em Cuba, gravado em Havana. "Os cubanos me receberam com muito carinho. Eles são maravilhosos, sambam que nem os brasileiros. Foi bem gostoso", contou em entrevista exclusiva ao Terra. Sobre a escolha daquele país, Diogo disse que foi convidado para se apresentar em um evento e aproveitou para registar. "E já que iria para Cuba, não podia passar em branco", disse.

O CD é composto por clássicos da MPB, como Madalena, O que é o Que é, Verdade Chinesa, É, entre outros. Diogo arrisca até um castelhano na salsa El Cuarto de Tula, em parceria com o grupo cubano Los Van Van. "Foi muito gostoso, uma troca de energia muito boa e interessante", declarou.

A viagem de Diogo a Cuba rendeu um documentário, que está no DVD. O cantor visitou os pontos turísticos de Havana e relata suas experiências e emoções. Ao Terra, o músico fala mais do lançamento do álbum - que já está entre os mais baixados do iTunes - e da carreira, além de vida pessoal.

Terra - Você acabou de lançar o CD e DVD Ao Vivo em Cuba? Por que escolheu aquele país?

Diogo Nogueira - Foi inesperado. Recebi um convite para fazer o show na Feira Internacional de Havana com minha banda. E já que iria para Cuba, não podia passar em branco. Dez dias antes da viagem fizemos contato com Ismael Perdomo, discípulo do grande documentarista Santiago Alvarez, e conversamos com ele para dirigir o documentário que está no DVD. Registrei toda minha viagem e o show. Deu um frio na barriga, mas fui com o coração aberto que o nervosismo passou.

Terra - Você pergunta se tem muitos brasileiros no show. Tinha?

Diogo - Nossa, tinha muitos brasileiros, assim como cubanos e até japoneses. Gente do mundo inteiro

Terra - E como o público cubano te recebeu? Eles gostam da nossa música?

Diogo - Os cubamos me receberam com muito carinho. Eles são maravilhosos, sambam que nem os brasileiros. Foi bem gostoso.

Terra - As regravações do CD são de Martinho da Vila, Djavan, Ivan Lins, Toquinho, Chico Buarque, Gonzaguinha, entre outros. Como foi a escolha do repertório e transformar esses clássicos em samba?

Diogo - Tive pouco tempo para escolher o repertório. Já vinha cantando alguns clássicos da MPB nos meus shows e escolhi alguns que gostaria de gravar neste show em Cuba. E o público aprovou.

Terra - Na música El Cuarto de Tula conta com a participação do grupo cubano Los Van Van. Fale desta parceria!

Diogo - A parceria com os Los Van Van já iria acontecer no show que iríamos fazer no evento. E incluímos a música na gravação. O Ismael nos apresentou o grupo e foi demais. El Cuarto de Tula é uma salsa animada, de sucesso, com uma história engraçada e achei interessante regrava-la.

Terra - Algum momento da viagem que mais te marcou?

Diogo - Na gravação do DVD, o momento com os Los Van Van foi muito gostoso, uma troca de energia muito boa e interessante. No documentário, o momento mais emocionante foi quando visitamos uma escola de música de Havana. Cuba é um país onde o povo é muito feliz com o pouco que tem. Como diz o Ismael Perdomo: 'o Cubano é igual golfinho, está com a água no pescoço mas sempre sorrindo'.

Terra - Você já sofreu algum tipo de rejeição por não ter um estereotipo de um sambista?

Diogo - Sempre acontece alguma coisa desse tipo, mas nunca parei para dar atenção a isso. A gente faz o que gosta e o que as pessoas gostam, isso é o mais importante.

Terra - Seu pai, João Nogueira, foi um sambista notório. Ele te influenciou a cantar? Como foi aquele momento em que você soube que a música era sua vida?

Diogo - Quando gravei meu primeiro DVD, em 2007. Ali, naquele processo de construção, vi que aquele era o momento de me tornar cantor.

Terra - O que você fazia antes?

Diogo - Eu já fui jogador de futebol das categorias de base, já distribui santinhos no semáforos, já consertei prancha, enfim, já fiz muitas coisas (risos).

Terra - E porque não seguiu na carreira de jogador, por exemplo?

Diogo - Eu tive uma lesão no joelho, já estava com 23 anos e a situação financeira estava complicada em casa. Tinha que tomar decisões, precisava de dinheiro, resolver minha vida e da minha família. E começou o processo de cantar.

Terra - Qual o momento de sua carreira que considera mais importante?

Diogo - Desses cinco anos de carreira, acredito que o momento muito importante foi a gravação do DVD e CD Sou Eu (2010) com a participação do Chico Buarque, Ivan Lins, Hamilton de Holanda e da Alcione. Para mim foi um dos momentos mais especiais da minha vida. Estava com ídolos do meu lado cantando no mesmo palco. Foi de chorar.

Terra - Você já ganhou o Grammy Latino de Melhor Disco de Samba e o VMB de Melhor MPB pela MTV, emissora que agora valoriza outros gêneros musicais. Como você encara o reconhecimento por esses prêmios?

Diogo - É consequência de todo um trabalho que você constrói, com dedicação e carinho. Nunca fazemos um trabalho pensando em ganhar prêmio e sim para agradar a nós mesmos e ao público.

Terra - Você tem três CDs gravados ao vivo. A energia de ter o público como seus "backing vocal" é diferente do que gravar em estúdio?

Diogo - É muito diferente. Ao vivo você está em contato com o povão, é outra vibe, outra energia.

Terra - Mas tem algum projeto para gravar um CD com músicas inéditas e em estúdio?

Diogo - Sim, para o ano que vem. Na verdade era para lançar esse ano o CD com inéditas, mas a EMI resolveu lançar o DVD e CD Ao Vivo em Cuba antes. Mas já estamos preparando o repertório e o produtor será o Leandro Sapucahy.

Terra - Com a invasão do sertanejo universitário e grupos pops cada vez mais teens, o samba pode perder algum espaço no gosto do jovem?

Diogo - Acredito que não, pois a grande maioria do meu público é de jovens. O samba nunca vai perder seu espaço. Claro que a mídia da ênfase aos grandes sucessos e acontecimentos, mas o samba sempre está comendo pelas beiradas (risos).

Terra - Você apresenta o Samba de Gamboa na TV Brasil. O que significa este programa para você, uma vez que entrevista lendas da MPB?

Diogo - Recebi o convite da TV Brasil. Fizemos o piloto e deu certo. Já estamos na quarta temporada e vou gravar mais 24 programas. Estou muito feliz com este projeto. Já participaram Caetano Veloso, Zeca Pagodinho, Beth Carvalho e tantos outros. Bate um nervosismo por estar na frente deles, mas depois fico tranquilo.

Terra - Quais são seus ídolos, suas influências?

Diogo - Todos que participaram dos meus DVDs, como Chico Buarque, Ivan Lins, entre outros.

Terra - Você é casado há sete anos com a musa do Salgueiro, Milena Nogueira. Ela é ciumenta?

Diogo - Ela é ótima, linda, cobiçada. O assédio é normal e ela entende.

Terra - E você é ciumento? A deixaria posar nua?

Diogo - Depende de como seriam feitas as fotos. Eu acho interessante mostrar a sensualidade do corpo, desde que não explore a vulgaridade.

Foto: Divulgação
Fonte: Terra
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