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Como é assistir a um show do Iron Maiden em seu próprio festival, Eddfest

Evento histórico realizado em Knebworth, no Reino Unido, fechou porção europeia da turnê 'Run for Your Lives', que será trazida ao Brasil em outubro

14 jul 2026 - 17h55
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"Qualquer um pensaria que está passando um jogo de futebol", diz Bruce Dickinson, radiante, no último sábado, 11, enquanto observa os cinquenta mil fãs de metal bronzeados à sua frente. Estamos quatro músicas adentro do histórico retorno do Iron Maiden a Knebworth e o vocalista está de ótimo humor enquanto bolas de futebol infláveis quicam pela multidão. "Peço desculpas a qualquer norueguês na plateia", acrescenta, provocando vaias em referência à Copa do Mundo antes de vislumbrar o futuro: "Podemos discutir isso depois que vencermos!"

Bruce Dickinson durante show do Iron Maiden no Eddfest, em 2026
Bruce Dickinson durante show do Iron Maiden no Eddfest, em 2026
Foto: Jim Dyson / Getty Images / Rolling Stone Brasil

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Estamos, é claro, no Eddfest, o festival da própria banda. Pessoas do mundo todo fizeram a peregrinação até o sagrado terreno de Knebworth para este evento de dois dias que celebra o legado da banda.

Ao chegar ao local, não é difícil entender porque essa é uma experiência imperdível tanto para os fãs mais antigos quanto para os novatos, mesmo que a turnê Run for Your Lives da banda já esteja na estrada há mais de um ano. A noite anterior viu apresentações de contemporâneos do Iron Maiden na cena New Wave of British Heavy Metal, assim como ex-membros como Blaze Bayley, enquanto o sábado contou com apresentações selecionadas a dedo de Airbourne, The Hu e The Darkness.

Longe dos palcos, o público aproveita o sol enquanto explora o local cuidadosamente planejado. Você pode fazer tatuagens do Iron Maiden, beber a cerveja Trooper - produzida pela própria banda - em bares temáticos, ganhar bichinhos de pelúcia do Eddie no parque de diversões ou explorar a experiência do museu Infinite Dreams, um acervo que abrange toda a carreira da banda, incluindo raridades do início da carreira e uma coleção fantasmagórica de bonecos icônicos do Eddie de turnês passadas.

Fiel às exigências de sua produção épica e impecável, o show em si deixa pouco espaço para surpresas. Após uma sequência de clássicos do começo da carreira remontando às raízes da banda na cena dos pubs do East End de Londres, Dickinson reconhece que o setlist é talvez o mais próximo de uma turnê focada em sucessos desde Somewhere Back In Time, de 2008. "Eu sei que muitos de vocês ouviram a maioria dessas músicas no ano passado", diz ele à plateia, "mas não neste lugar incrível com o parque de diversões e o museu. Eu nunca tinha ido a um museu antes e agora estou em um!"

Uma surpresa muito bem-vinda e um dos pontos altos do show surge logo no início com a recente adição da balada emocionante e arrebatadora "Infinite Dreams", uma música que não era tocada ao vivo há 38 anos. Dickinson diz calorosamente à plateia: "Pareceu uma ótima ideia trazê-la agora porque é uma das músicas mais legais que já escrevemos juntos como banda."

Enquanto as linhas de guitarra de Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers ecoam e um Eddie clarividente surge entre velas acesas rabiscando em algum pergaminho antigo, seria difícil discordar dele. É o tipo de música que só poderia pertencer ao Iron Maiden, especialmente quando Dickinson solta seu grito estrondoso, aproximando-se do clímax dramático.

Quando questionado sobre o público único da banda em uma entrevista recente, Dickinson tentou explicar porque o Iron Maiden tem uma legião de fãs tão devotos em todos os cantos do planeta. "Quando você se junta ao Maiden, você se junta a um mundo inteiro, um universo, uma constelação de músicas, de monstros, de histórias. Muitas bandas ótimas apenas fazem discos, enquanto nós criamos mundos."

Ao assistir aos cenários animados que dão vida às suas obras de arte ao longo das décadas, é impossível não mergulhar de cabeça nesses mundos esta noite. Somos transportados das ruas sombrias do East End durante "Killers" para o antigo Egito em "Powerslave", onde relâmpagos iluminam grandes pirâmides, e depois para navios amaldiçoados e rangentes em "Rime of the Ancient Mariner", uma das favoritas dos fãs.

A pequena questão da Copa do Mundo volta à tona quando Dickinson lembra a quem precisava ser lembrado: "São 10 horas e o jogo acabou de começar! Gritem por mim, Inglaterra, a maldita Donzela de Ferro!", enquanto o encerramento do pré-bis dá as boas-vindas ao gigante Eddie da era do álbum Piece of Mind (1983), que se impõe sobre 50 mil fãs enlouquecidos.

Mesmo com um repertório repleto de clássicos do catálogo e tesouros consagrados, o incrível do Iron Maiden é que eles quase sempre deixam um gostinho de quero mais. Durante uma execução incomumente antecipada no setlist de "The Number of the Beast", Dickinson dá uma de suas maiores dicas sobre o futuro ao enfatizar, de forma quase ameaçadora, as palavras "nós voltaremos".

Com o Eddfest, o Iron Maiden triunfou ao trazer seu universo dos palcos para a arena do festival, homenageando com elegância aqueles com quem compartilhou a jornada. Um item em particular em exibição é a jaqueta de couro e a camiseta vermelha que definiram a era do falecido vocalista Paul Di'Anno, um homem que certamente teria um papel importante nos eventos deste fim de semana.

No entanto, nada desse espetáculo seria possível sem o talento musical e a ética de trabalho de uma banda que ainda anseia por tudo aquilo a que se dedica. Podem ser uma das maiores forças do planeta, mas o Iron Maiden ainda não demonstra sinais de acomodação. Cinquenta anos depois, e contando, agem como uma gangue com tudo ainda a provar.

*Texto: Rhys Buchanan | Rolling Stone UK

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