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Caso contra D4vd, cantor acusado de matar adolescente, seguirá para julgamento

Segundo a promotoria, o músico era "um adulto muito astuto", abusou sexualmente de Celeste Rivas Hernandez, manipulou psicologicamente a adolescente e, posteriormente, a assassinou

28 jul 2026 - 12h13
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Um juiz de Los Angeles decidiu nesta segunda-feira que a promotoria apresentou provas suficientes para que o músico D4vd, cujo nome verdadeiro é David Anthony Burke, seja levado a julgamento pela morte de Celeste Rivas Hernandez, quando ela tinha 14 anos.

D4vd
D4vd
Foto: Timothy Norris/Getty Images para Coachella / Rolling Stone Brasil

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"Pelo que pude avaliar nesta audiência preliminar, a acusação cumpriu seu ônus da prova em relação a todas as acusações", afirmou a juíza Charlaine Olmedo. "Determino que o sr. Burke seja levado a julgamento." A nova audiência de apresentação formal do réu foi marcada para 31 de agosto.

Pouco antes da decisão, a promotora-adjunta de Los Angeles Beth Silverman afirmou ao tribunal que D4vd era "um adulto muito astuto", que abusou da adolescente, a manipulou psicologicamente (gaslighting) e acabou sendo acusado de matá-la após submetê-la a intenso sofrimento emocional, quando ela ameaçou revelar o relacionamento.

Silverman falou no quinto e último dia da audiência preliminar do cantor. Ela respondia a um pedido da defesa, que alegava que a promotoria não havia apresentado provas suficientes para levar Burke a julgamento por homicídio em primeiro grau, além das circunstâncias especiais de que ele teria premeditado o crime por ganho financeiro e para impedir que a adolescente o denunciasse.

A advogada de defesa Marilyn Bednarski argumentou que Celeste foi por conta própria à casa de Burke na noite de 23 de abril de 2025 e que, nos minutos anteriores à chegada dela, o cantor estava participando de um jogo de realidade virtual multiplayer, e não se preparando para cometer o crime.

Segundo Bednarski, as dezenas de mensagens de texto apresentadas ao tribunal na sexta-feira demonstravam "o oposto de uma intenção homicida". Burke, afirmou ela, "expressou repetidamente seu amor e carinho [por Celeste], mesmo depois do fim do relacionamento".

Burke também responde por acusações relacionadas a abuso continuado de menor e ocultação e tratamento ilegal de restos mortais. A promotoria afirma que ele tentou ocultar o corpo da adolescente após sua morte.

"O desmembramento é uma conduta posterior à morte. Não diz nada sobre a causa da morte, nem quando, onde ou como ela ocorreu", argumentou Bednarski. "Não há provas de uma intenção deliberada de matar. Não podemos presumir dolo apenas pelo ato de ocultar o corpo. O que resta é, no máximo, uma suspeita de ocultação de uma morte, o que não configura homicídio."

Após a defesa concluir sua sustentação, Silverman afirmou que os investigadores reuniram "uma montanha de provas" que comprovaria as acusações "muito além do padrão exigido" em uma audiência preliminar.

"Temos uma menor de idade que foi manipulada durante muitos meses. Ela foi aliciada e sofreu gaslighting", afirmou a promotora. "O réu dizia repetidamente que ela havia consentido com o relacionamento e que ele apenas concordava. Isso é um caso muito claro de aliciamento. Temos uma vítima muito jovem que sequer compreendia o que estava por vir."

Silverman disse que as mensagens trocadas entre Burke e Celeste continham conteúdo íntimo e abordavam temas como contracepção, gravidez e aborto. Mesmo depois de encerrar o relacionamento no fim de 2024, segundo ela, "ele infelizmente continuou explorando a vítima".

"Vimos algumas das consequências devastadoras disso nas mensagens da própria adolescente, que revelavam problemas de saúde mental causados pela forma como ela era usada por um adulto que dizia amá-la", argumentou Silverman. "Ela queria ter um futuro e demonstrava maturidade suficiente para dizer ao homem por quem estava completamente apaixonada que queria algo mais para sua vida."

A última testemunha foi o detetive da polícia de Los Angeles Corey Farell, que voltou ao banco das testemunhas após depor na sexta-feira. Durante o contra-interrogatório, a advogada Blair Berk pediu que ele confirmasse uma mensagem enviada por Celeste a Burke em 22 de abril de 2025, um dia antes da data em que a promotoria afirma que ela morreu. A mensagem fazia parte de uma conversa em que a adolescente demonstrava ciúmes da relação entre Burke e outra mulher, Aysia Collins, que havia ido ao festival Coachella com o cantor semanas antes.

A defesa também pediu que Farell confirmasse que os pais de Celeste sabiam que ela passava tempo com Burke depois de tê-la denunciado como desaparecida anteriormente. O detetive afirmou que eles permitiram que a adolescente morasse com uma tia em Los Angeles durante o verão de 2024. Posteriormente, essa tia contou aos investigadores que Burke saía com Celeste para programas como ir ao cinema.

Farell também disse que mensagens de texto mencionavam planos para Burke participar de cultos religiosos com Celeste e familiares dela. Em setembro de 2024, segundo ele, os pais da jovem assinaram um documento reconhecido em cartório autorizando que ela viajasse para Londres com Burke.

Quando Berk perguntou se o detetive tinha conhecimento de acusações de que Celeste havia sido violenta com Burke, a juíza considerou a pergunta irrelevante e ele não respondeu. Em seguida, Berk questionou se Farell sabia que a adolescente havia mencionado, em outras ocasiões, pensamentos suicidas. "Já tinha visto isso antes. Mas não sei dizer se foram várias ocasiões", respondeu.

Nas alegações finais antes da decisão da juíza, Bednarski afirmou que o legista responsável pelo caso — que testemunhou que Celeste morreu em decorrência de dois ferimentos perfurantes — "não conseguiu descartar" a possibilidade de que essas lesões tenham ocorrido após a morte. Durante o depoimento do perito, a advogada perguntou se informações adicionais sobre o histórico da vítima, como uma possível tendência suicida ou episódios de violência, poderiam influenciar a determinação da causa da morte. O médico respondeu que esse tipo de informação poderia, de fato, alterar a conclusão, mas afirmou que não conversou com a família de Celeste antes de seu escritório concluir que a morte havia sido um homicídio.

Após a decisão da juíza nesta segunda-feira, o advogado que representa os pais de Celeste criticou duramente a estratégia da defesa de sugerir que a adolescente teria causado a própria morte. Patrick Steinfeld classificou como "muito perturbador" que Burke insinuasse que Celeste "poderia ter tirado a própria vida ou que fosse uma pessoa violenta".

"A família ficou horrorizada ao ver os advogados de defesa tentando colocar a culpa em uma criança de 14 anos", afirmou Steinfeld. Ele acrescentou que, embora Burke e seus advogados aleguem que Celeste mentiu sobre a própria idade, o cantor foi informado da idade verdadeira da adolescente quando os pais dela registraram seu desaparecimento, em fevereiro de 2024. Segundo Steinfeld, agentes do departamento do xerife entraram em contato diretamente com Burke e deixaram claro que Celeste era menor de idade.

"David Anthony Burke sustenta que Celeste disse ter 18 anos e que ele não sabia que ela era uma criança. Mas ele sabia, porque foi informado, em fevereiro de 2024, de que Celeste tinha apenas 13 anos", declarou o advogado do lado de fora do tribunal.

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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