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'Ao contrário do que todos pensavam, Elvis gostava dos Beatles', revela amigo do Rei do Rock

O cantor de Graceland chegou a descrever a aparência da banda britânica como "suja" e "desleixada" nos anos 70

14 ago 2026 - 16h43
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A relação entre Elvis Presley e os Beatles sempre despertou curiosidade entre fãs de ambos os lados. Embora a carreira de Presley estivesse em declínio nos anos 1960, ele ainda era um dos maiores nomes do mundo quando conheceu a banda britânica. Em 1965, no auge da Beatlemania, os quatro rapazes de Liverpool visitaram Graceland para conhecer pessoalmente seu ídolo. Esse encontro foi, provavelmente, o ponto alto da relação entre eles, já que o Rei do Rock mais tarde se tornaria um crítico ferrenho do grupo.

Os Beatles e Elvis Presley em 1965, às vésperas do encontro (Fotos: Fotos International/Getty Images e Bettmann Collection/ Getty Images)
Os Beatles e Elvis Presley em 1965, às vésperas do encontro (Fotos: Fotos International/Getty Images e Bettmann Collection/ Getty Images)
Foto: Rolling Stone Brasil

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Segundo relatos, os Beatles ficaram "maravilhados" ao conhecer Elvis (via Cheat Sheet). Tendo crescido ouvindo sua música e citando-o como uma de suas primeiras inspirações, o encontro foi descrito como uma ocasião de sucesso por Jerry Schilling, amigo próximo do cantor de Graceland. "Tivemos uma noite maravilhosa", afirmou o amigo presente na reunião. Apesar de muitas declarações públicas do cantor indicarem que a opinião de Presley sobre os Beatles azedou com o tempo, e de que ele nunca pareceu ser tão fã deles quanto eles eram dele, Schilling revelou um detalhe pouco conhecido sobre a real relação entre o astro e a banda britânica: "Ao contrário do que todos pensavam, Elvis gostava dos Beatles e gravou várias de suas músicas."

Segundo o amigo, Elvis realmente apreciava a banda britânica e chegou a gravar covers de diversas canções do grupo, incluindo "Hey Jude", "Yesterday", "Something" e "Get Back". Schilling ainda destacou a regravação da música "I've Never Been to Spain", que contém o verso "I kinda like the Beatles" (em tradução livre, "Eu meio que gosto dos Beatles"), trecho que, segundo o amigo, o próprio astro cantou. "Ele gravou isso", reforçou Schilling.

Relembrando o episódio uma década depois, John Lennon descreveu estar "nervoso pra caramba" antes de visitar seu ídolo. Paul McCartney, por sua vez, notou certa cautela por parte do astro estadunidense, mas guardou apenas boas lembranças do encontro com aquele que considerava seu "maior ídolo". Ao chegarem na mansão em Bel Air, os

Beatles

estavam sob a influência de drogas, além de nervosos com o encontro. "Estávamos apavorados. Ele é nosso ídolo", relembrou

Lennon

em entrevista de 1975 (via

Cheat Sheet

). Quando os Fab Four entraram na sala, Elvis estava sentado assistindo TV sem som, e ninguém parecia saber muito bem o que fazer. "Estávamos basicamente só olhando para ele", contou

Lennon

.

Tony Barrow

, assessor de imprensa dos

Beatles

, se lembrou de um silêncio constrangedor enquanto as cinco megaestrelas se mediam mutuamente.

"Foi um pouco estranho porque eles ficaram só olhando para ele sem realmente dizer nada", relatou Priscilla Presley, que também estava presente no encontro, em 2015 (via Priscilla Australia). Depois de algumas tentativas frustradas de puxar conversa, Elvis pegou um baixo, plugou num amplificador e começou a tocar. Isso animou McCartney, que viu ali a chance de puxar assunto sobre o instrumento. "Então lá estava eu: 'Bem, deixa eu te mostrar uma coisinha, Elvis'", contou o músico no livro The Beatles Anthology". "De repente ele virou um cara qualquer. Foi um ótimo gancho de conversa para mim."

Com o laço musical entre eles, Presley pediu que trouxessem violões para todo mundo, e logo o clima melhorou com uma jam session improvisada. "Até aquele momento, a festa estava meio sem vida e sem graça", relatou Barrow à BBC. "Mas assim que Presley e os Beatles começaram a tocar juntos, o ambiente animou. Não me lembro de tudo que tocaram, mas lembro que uma das músicas foi 'I Feel Fine'."

Depois de uma hora ou duas, o empresário de Prsley, coronel Tom Parker, deu o sinal de que a noite havia chegado ao fim, e logo os Beatles seguiram para suas limusines. Mesmo dez anos depois do encontro, Lennon ainda guardava lembranças vívidas daquela noite. "Eu só me lembro de estar sentado ali, e ele tocando baixo", contou à revista Spin. "E eu pensando: 'É o Elvis! É o Elvis!!' É o Elvis de verdade. Ele estava ótimo naquela época, sem peso nenhum."

Contudo, essa apreciação inicial do americano pela banda inglesa parece não ter resistido ao tempo. Na década de 1970, Elvis já não queria mais os Beatles nos Estados Unidos. Em reunião com o então presidente Richard Nixon, em 1970, quando a banda já havia se separado, ele afirmou, segundo relato publicado pela Vox, que "os Beatles tinham sido uma verdadeira força para o espírito anti-americano." Um ano depois, em 1971, Elvis voltou a criticar os Beatles, desta vez em encontro com J. Edgar Hoover, então diretor do FBI. "Os Beatles lançaram as bases para muitos dos problemas que temos hoje com os jovens, com sua aparência suja e desleixada e sua música sugestiva", afirmou o astro na ocasião. Ironicamente, essas foram exatamente as críticas que muitos fizeram ao próprio Elvis quando ele começou sua carreira.

As declarações feitas por Elvis aos líderes políticos americanos causaram forte impacto nos Beatles, que se sentiram traídos ao descobrir os comentários anos mais tarde. Paul McCartney relembrou o episódio no livro The Beatles Anthology: "Eu vi aquelas famosas transcrições de Nixon onde Elvis começa a tentar nos vender — os Beatles!", disse o baixista e vocalista da banda de Liverpool. "Na transcrição, ele diz — para Richard Nixon, de todas as pessoas — 'Bem, senhor, esses Beatles: eles são muito pouco americanos e usam drogas.' Devo dizer que me senti um pouco traído por isso."

"O mais triste é que, anos e anos depois, descobrimos que ele tentou nos expulsar dos Estados Unidos, porque tinha muita influência no FBI", revelou o bateirista Ringo Starr na mesma publicação. "Isso me entristece muito, que ele se sentisse tão ameaçado a ponto de pensar, como muitas pessoas, que éramos uma ameaça para a juventude americana."

Apesar da mágoa, McCartney fez questão de deixar claro que nunca conseguiu nutrir rancor por Elvis: "Foi triste, mas ainda o amo, principalmente em sua fase inicial. Ele me influenciou muito".

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