Andy Bell (Erasure) fala à RS sobre shows no Brasil, novo álbum e Debbie Harry
Cantor realiza 5 apresentações no Brasil entre os dias 19 e 24 de janeiro, com repertório que equilibra hits e material recente em "jogo de cartas" com o público
A história de Andy Bell no Brasil é longa. Faz 36 anos desde a primeira visita do vocalista ao país como parte do duo synthpop Erasure, formado junto com Vince Clarke em 1985. A diferença agora é que o cantor virá para cá na condição de artista solo.
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Em entrevista à Rolling Stone Brasil, o artista se mostrou empolgado de retornar ao país, uma vez que não toca por aqui desde 2018, quando fez três shows com o Erasure. Bell tem um carinho especial pelo público brasileiro, porque os fãs daqui sempre demonstraram um conhecimento do catálogo do grupo além dos maiores hits. E o setlist desta turnê - marcada para Rio de Janeiro (19/01), Porto Alegre (21/01), Curitiba (22/01), Belo Horizonte (23/01) e São Paulo (24/01) - é pensado para essa plateia.
O vocalista está na estrada para promover seu álbum solo mais recente, Ten Crowns (2025), mas usa o repertório do Erasure para trazer os fãs ao seu universo solo. Um ato que ele próprio comparou a um jogo praticado com a plateia, de encontrar os momentos certos nos quais tocar as novas músicas.
Andy explicou:
"É como ser um DJ. Sabe, é o mesmo que quando você está compilando um álbum: você tem a ordem das faixas do álbum e tudo acontece totalmente por intuição. Você acaba colocando uma nova música aqui e ali, que você acha que, quando o público tiver paciência o suficiente e já tiver ouvido músicas suficientes do Erasure, então você encaixa uma rapidinho. É como um jogo de cartas. Eu adoraria ser teatral, mas ao mesmo tempo, o público precisa estar junto com você. Então você tem que ter muito cuidado."
Legado do Erasure
Quanto à presença dos hits do Erasure, Andy Bell brincou que é impossível fazer shows sem eles, por ameaça de repreensão do público. Afinal, trata-se de um grupo com 40 anos de carreira e sucessos eternos na cultura popular. Então, fãs podem ficar tranquilos que hinos da dupla como "A Little Respect", "Drama", "Chains of Love", "Stop!" e "Blue Savannah" fazem parte do repertório da turnê.
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Esta última canção, fançada originalmente no álbum Wild! (1990), foi até destacada por Bell. O fato do público brasileiro conhecê-la especificamente o deixa muito grato até hoje. A relação com os admiradores nacionais é tão boa que chega ao ponto de ele tentar conversar com essas pessoas pela internet em português. Mesmo que seja uma versão quebrada do idioma, o cantor quer retribuir o carinho.
Ele afirmou:
"Eu me sinto tão sortudo que, mesmo que tenha um sucesso, sabe, mesmo que a gente tenha só um hit, mesmo que tenha sido top 10 ou top 20 ou menor, seja lá o que for: é legal ter esse legado e até mesmo ter uma música que as pessoas consideram meio que a sua trilha sonora pessoal."
Ainda assim, essas trocas com fãs podem render momentos engraçados. O próprio Bell reconheceu que já houve ocasiões nas quais jovens lhe abordaram por autógrafos não para eles próprios, mas para seus pais. O cantor sempre leva esses momentos na esportiva.
https://www.youtube.com/watch?v=HZPQtb6NWKM&list=RDHZPQtb6NWKM&start_radio=1&pp=ygUVZXJhc3VyZSBibHVlIHNhdmFubmFooAcB
Álbum solo
De volta à primeira declaração de Andy Bell, o citado jogo de cartas com a plateia para saber quando tocar as faixas de Ten Crowns até tem seu motivo. O primeiro álbum solo do músico desde Non-Stop (2010) aposta numa sonoridade um pouco diferente da dupla que lhe tornou famoso. Enquanto o Erasure é synthpop clássico, as novas canções vão atrás das influências do cantor pré-Erasure, com foco especial na discoteca e toques de gospel.
Ele descreveu:
"Minha música favorita para dançar é música eletrônica com linha de baixo, que sempre se conecta ao Italo disco e sempre se conecta a Bobby O., o produtor original do Pet Shop Boys, e à Divine. Para mim é muito punk, porque é muito cru. Não é muito elaborado como as coisas de hoje em dia, em que você tem 20 pessoas para fazer uma música."
O processo de criação de Ten Crowns durou mais de uma década, no qual Bell trabalhou principalmente com o produtor Dave Audé. Entretanto, uma colaboradora em especial do projeto chama a atenção. Debbie Harry, eterna vocalista do Blondie, ajudou a compor e participou da faixa "Heart's a Liar", uma balada feita para as pistas que virou figura frequente nos setlists da turnê solo do cantor.
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Apesar dos dois se conhecerem de boates pelo mundo, Andy não esperava que Debbie aceitasse fazer a participação. O "sim" chegou justamente quando ele estava em Nova York para a Parada Gay. Para ele, um sinal do universo para a viabilidade do álbum.
Entretanto, a vocalista do Blondie reservou mais uma surpresa agradável para o amigo. Quando a turnê Ten Crowns passou pelo estado americano de Nova Jersey no final de outubro, Debbie estava lá. Um amigo dela aparentemente viu que o show estava marcado, contou para ela, e a artista fez questão de prestigiar a apresentação.
Bell lembrou:
"Ela disse: 'Ah, sim, bem, meu amigo passou aqui perto e viu seu nome na porta. E eu pensei, bem, é, claro, vou entrar e dar um oi'. Então ela ficou pra metade do show. Não contou para ninguém que ia aparecer. Só ouvi uma batida na porta. Era a Debbie. E eu pensei: 'Oh, meu Deus'."
Além de "Heart's a Liar", Ten Crowns é muito bem representado no repertório atual. O álbum é o único lançamento solo de Bell cujas canções aparecem no setlist da turnê. "Don't Cha Know", citada pelo cantor como a primeira composição feita com Audé, é outra figura recorrente, e "Breaking Thru The Interstellar" abre todos os shows. Andy costuma tocar seis ou sete canções do disco novo por data, com 12 ou 13 do Erasure de forma complementar.
https://www.youtube.com/watch?v=pWxJvlkYwLc&list=RDpWxJvlkYwLc&start_radio=1&pp=ygUYYW5keSBiZWxsIERvbid0IENoYSBLbm93oAcB
Uma inclusão curiosa no setlist é um cover de "Xanadu", originalmente gravada por Olivia Newton-John e a Electric Light Orchestra para o filme de mesmo nome em 1980. Bell começou a tocá-la ao vivo e o número ficou tão popular entre fãs a ponto de virar single em outubro, como parte de uma versão expandida de Ten Crowns.
https://www.youtube.com/watch?v=egkJ4_uqg1o&list=RDegkJ4_uqg1o&start_radio=1&pp=ygUQYW5keSBiZWxsIHhhbmFkdaAHAQ%3D%3D
Andy Bell no Brasil em 2026
- 19/01: Rio de Janeiro (Qualistage) - ingressos via Ticketmaster
- 21/01: Porto Alegre (Auditório Araújo Vianna) - ingressos via Sympla
- 22/01: Curitiba (Teatro Positivo) - ingressos via DiskIngressos
- 23/01: Belo Horizonte (BeFly Hall) - ingressos via Sympla
- 24/01: São Paulo (Suhai Music Hall) - ingressos via Ticket Store
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