A história da morte de The Rev, baterista do Avenged Sevenfold
Músico faleceu em dezembro de 2009 durante processo de composição de 'Nightmare' (2010), quinto álbum de estúdio da banda
Em dezembro de 2009, o Avenged Sevenfold sofreu a trágica perda do baterista e compositor Jimmy "The Rev" Sullivan, vítima de uma overdose acidental aos 28 anos. No auge criativo da banda, ele havia acabado de compor grande parte do álbum Nightmare. Apesar do luto devastador, os membros decidiram concluir o disco como tributo ao amigo, contando com Mike Portnoy na bateria para finalizar as gravações. O impacto de Rev e sua memória continuam vivos como parte essencial da trajetória da banda.
A trajetória do Avenged Sevenfold, uma das bandas de metal mais populares do século 21, ficou marcada por tragédia. O motivo reside na perda do baterista Jimmy "The Rev" Sullivan.
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Em 2009, o grupo estava em ascensão. O álbum Avenged Sevenfold (2007) foi um sucesso de vendas, atingindo o quarto lugar nas paradas americanas, seguindo a boa repercussão de City of Evil (2005), seu primeiro disco a realmente fazer sucesso. Os integrantes sentiam a possibilidade de um estouro definitivo e por isso já trabalhavam em novas canções.
Momento criativo
Dentro de um grupo de rock, bateristas normalmente não são vistos como os principais compositores, mas o álbum homônimo do Avenged Sevenfold viu um aumento considerável das contribuições de Rev neste quesito. Em entrevista à Revolver, o guitarrista Zacky Vengeance discutiu o papel do músico no que viria a ser Nightmare:
"Jimmy estava compondo mais para este álbum do que ele jamais havia composto. A mente dele estava simplesmente fluindo. Ele tinha todas essas ideias. Tudo que as pessoas estavam criando, ele amava. E se você mostrasse algo, ele acrescentava algo ou se matava de trabalhar para garantir que pudéssemos usar aquilo. Ele ia para a casa do Matt [o vocalista M. Shadows] e gravava bateria todo dia, ou ia para a casa do Brian [o guitarrista Synyster Gates], eles ficavam bêbados, compunham e depois, às 4 da manhã, ele vinha para a minha casa, tocava piano e a gente ficava lá só curtindo. Ele estava, literalmente, esgotando cada gota do que ainda tinha. É nisso que eu realmente acredito. Ele estava colocando tudo, tipo, mostrando tudo para o mundo."
Rev não era simplesmente um baterista. Ele tocava múltiplos instrumentos, incluindo piano, conforme citado por Vengeance. Contava com influências abrangentes que iam do jazz ao progressivo e o experimental de Frank Zappa. Se a música do Avenged Sevenfold estava se tornando mais ambiciosa e aventureira naquela época, era em grande parte por causa de sua influência.
Morte de The Rev
Ao final de dezembro de 2009, a banda já havia terminado de compor as músicas do que viria a ser Nightmare. Restava o trabalho de fazer letras e depois gravar tudo. Perto do Natal, Rev terminou a letra de uma canção batizada "Death". Nos versos, o músico parecia prever seu fim:
"Gave you all I had to give
Found a place for me to rest my head
While I may be hard to find
Heard there's peace just on the other side."
["Te dei tudo que tinha para dar
Achei um lugar para descansar
Eu posso ser difícil de achar
Mas ouvi falar que há paz do outro lado"]
No dia 28 de dezembro de 2009, Rev foi encontrado desacordado na sua casa em Huntington Beach, na Califórnia. Paramédicos o levaram a um hospital, onde foi declarado morto. Um exame toxicológico apontou overdose acidental de calmantes, opióides e álcool, exacerbada por um coração maior que o normal. Ele tinha apenas 28 anos.
Em entrevista à Revolver, Synyster Gates discutiu como a letra de "Death" - que foi rebatizada como "Fiction" em Nightmare - parecia uma despedida, mas ao mesmo tempo lembrou que isso era parte de um comportamento fatalista do músico desde a adolescência. Zacky Vengeance também contou sobre um episódio de uma festa de aniversário perto do fim na qual Rev parecia estar estranho em retrospecto por não ter bebido uma gota de álcool.
Sullivan teve problemas com bebida ao longo da carreira da banda e seu consumo de drogas era prodigioso. Todos os integrantes do Avenged Sevenfold concordam com a hipótese de morte acidental.
M. Shadows contou à Revolver sobre como estava o baterista na noite anterior a ele falecer. Parecia tudo normal.
"Eu sei que ele estava completamente bêbado, mas era assim que ele era. Não tinha nada de diferente de qualquer outra noite. Até dei uma bronca nele naquela noite. Eu disse: 'Cara, você tá realmente trêbado agora'. Ele ficou tipo: 'Isso não é uma coisa boa, né?'. Tipo, realmente transtornado. Mas ele sempre era tão animado, que você não conseguia ficar bravo com ele. E o que eu ia fazer? Ele é um homem de 28 anos. Tirar a cerveja da mão dele? Ele estava se divertindo pra caramba, tocando piano, cantando, as pessoas sentadas só observando e ele enlouquecendo, barba grande e tocando com cinco drinks ao redor dele, porque era assim que ele era. Seis horas depois, ele morreu."
Presente todos os dias
A banda seguiu em frente com a benção da família do baterista e nunca perdeu a oportunidade de homenageá-lo ou manter sua memória viva. Em entrevista a Igor Miranda para a Rolling Stone Brasil, Zacky Vengeance lembrou de como o A7X saiu do luto para honrar o trabalho do companheiro:
"Não sabíamos se seríamos uma banda depois, mas tínhamos que terminar esse disco por nosso amigo."
As partes que seriam gravadas por Rev em Nightmare ficaram a cargo de um de seus heróis, Mike Portnoy, do Dream Theater, também a cargo da turnê. Arin Ilejay se tornou o baterista do Avenged Sevenfold depois disso, até 2015, quando foi substituído por Brooks Wackerman. Este contou à Rolling Stone Brasil em 2025 sobre como o músico parece ainda viver em meio à banda:
"Era o melhor amigo deles desde a escola. Não há um dia sem menção a Jimmy. Sempre compartilham comigo uma lembrança ou anedota."
Na mesma conversa, M. Shadows tentou imaginar como seria a música do grupo se Sullivan ainda fosse vivo. Segundo o vocalista, a ideia talvez permanecesse igual ao estado atual, mas o baterista injetaria mais brilho à fórmula.
"Falávamos a mesma língua de um jeito que só se consegue quando se cresce junto e tem as mesmas experiências e referências. Algo assim não se substitui. Se ele ainda estivesse conosco, acho que teríamos mais algumas músicas brilhantes. Acho que a ideia seria a mesma — Synyster, Zacky e eu sempre impulsionamos isso —, mas acho que haveria brilho extra e mais elementos. Só podemos imaginar."
O que cada membro do Avenged Sevenfold diz sobre 'Nightmare'
*Trecho de entrevista à Rolling Stone Brasil.
M. Shadows: "Super sólido, obviamente ofuscado pela morte do The Rev. Mike Portnoy entrou e fez um trabalho incrível. Acho que este é o ponto da nossa carreira em que talvez fomos um pouco mesquinhos demais. Acho que o Nightmare uniu todos os sons anteriores e criou algo, mas não me pareceu inovador. Era um ponto da nossa carreira em que poderíamos ter ficado realmente entediados e começado a fazer um monte de discos como o Nightmare, mas sinto que acertamos em cheio no que estávamos tentando acertar."
Synyster Gates: "Nightmare foi difícil. Acho que o Matt realmente queria voltar às suas raízes metal e outras coisas. E eu não queria isso naquela época. Então foi meio difícil para mim. Mas quando o Jimmy faleceu e as letras do Matt mudaram, isso me tocou de uma forma que eu não consigo expressar. É tão profundo. E acho que esse disco foi crucial pois foi aí quando, para mim, ele se tornou o maior letrista do planeta. Ele sempre foi um grande contador de histórias, mas conseguir falar com o coração, contar histórias e ter essa inteligência emocional que ele conseguia articular nos discos, foi alucinante. Algumas das minhas músicas favoritas estão naquele disco. Foi uma transição meio difícil. Queria enlouquecer depois do disco homônimo. Só queria entrar no modo Beatles, ser um Beatles pesado. Na minha opinião, nós meio que regredimos. Mas estou feliz por termos feito isso, porque é um disco tão sombrio e é uma base tão boa para o lirismo brilhante do Matt."
Zacky Vengeance: "Nightmare foi o disco mais difícil de gravar. Cada um de nós carregava um ao outro todos os dias, porque nunca se sabia quem estaria na pior situação. Estávamos todos extremamente tristes e deprimidos. Sempre que alguém mal conseguia funcionar, todos os outros sempre o pegavam e o traziam de volta. A única coisa que nos sustentou naquele álbum foi saber que essas músicas seriam ouvidas pelos nossos fãs. Não sabíamos que seríamos uma banda depois disso. Não esperávamos fazer mais shows. Mas sabíamos, pelo nosso amigo, que tínhamos que terminar este álbum, não importa o quão difícil fosse. Gravá-lo foi realmente fazer jus ao seu nome. Foi um pesadelo, mas ficamos muito orgulhosos de termos conseguido."
Johnny Christ: "Tempos difíceis, cara. Quando você pensa em Nightmare, são tempos difíceis mesmo. Tenho muito orgulho desse disco. Grande parte dele, 99%, foi composto com The Rev. E o desafio que nos deram e que conseguimos superar foi algo que nos uniu. Uma banda de irmãos ainda mais unida."
Brooks Wackerman: "Avenged Sevenfold clássico. Obviamente triste e melancólico devido às circunstâncias, mas, considerando a época, eles fizeram um disco lindo. Acho que dava para sentir as emoções naquele disco em particular após a morte de Jimmy. Acho que foi uma bela homenagem a ele."
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