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Misoginia impera no Top 10: metade das músicas chama mulheres de "puta"

Das dez músicas mais ouvidas no Spotify Brasil, cinco usam o palavrão "puta" para se referir a mulheres. O post Misoginia impera no Top 10: metade das músicas chama mulheres de "puta" apareceu primeiro em POPline.

25 abr 2026 - 10h09
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A lista das dez músicas mais ouvidas do Spotify no Brasil é marcada pela ausência de mulheres, mas também chama atenção a maneira como elas são retratadas nas letras. "Puta" é a palavra mais usada pelos intérpretes masculinos. O termo pejorativo aparece em metade das faixas do Top 10 - um dado importante diante da ascensão do movimento misógino "redpill" em comunidades virtuais.

(Foto: Spotify)
(Foto: Spotify)
Foto: Popline

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"Famoso Ímã", a segunda música mais tocada da semana na plataforma, com 7,2 milhões de reproduções, é um funk que trata de um homem que virou ímã para as mulheres por ostentar um símbolo de status. A letra traz versos como "Só marchando as puta" (sic). A retratação da mulher como objeto sexual descartável é sintetizada no verso "Eu não trouxe rosa, só vim te comer".

Outros casos de objetificação

Este é um funk de MC Lele JP com MC Poze do Rodo, preso em um esquema de lavagem de dinheiro, MC Leoziho ZS e DJ Gordinho da VF. Mas "Reliquia 2T", do DJ GU com MC Vine7, MC Tuto, MC Joãozinho VT, MDkziin e MC Fr da Norte; "Amo Minha Favela", do DJ Japa NK com MC Meno K; "Carnívoro", do MC Jacaré com MC Lele JP, MC Negão Original e DJ Japa NK; e "Diário de um Cafajeste", de MC Lele JP com MC Meno K, MC Negao Original, MC Ryan SP e MC Tuto, seguem a mesma linha. Estão entre as mais tocadas do país.

Em "Relíquia do 2T", que acumula 72 milhões de streams no Spotify até o fechamento desta matéria, ouve-se "Quantas puta mercenária que eu já comi sem colete" (sic), por exemplo. Quer outro? Em "Carnívoro", entoam "Cê não quer, as puta quer, eu já tô metendo o pé / Se ela larga, outras quer, o que não falta é mulher" (sic). As assessorias de nenhum dos funkeiros quis tratar do assunto quando procuradas pelo POPline.

(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)
Foto: Popline

Visão feminina sobre misoginia no Top 10

"Ainda existe essa visão machista em muitas letras, só que agora a gente também tem mulheres respondendo à altura, ocupando espaço e mostrando que a gente não é descartável coisa nenhuma", Valesca Popozuda, uma das vozes femininas pioneiras no funk, diz ao POPline. Mas os dados mostram que a perspectiva feminina ainda não tem o mesmo alcance. No Top 50 da parada de streaming nesta semana, aparecem apenas sete mulheres, com destaque para Anitta e Marília Mendonça em dose dupla.

Valesca afirma que incomoda o uso da palavra "puta" com intuito de desrespeitar, objetificar e inferiorizar a figura feminina, como ainda acontece em músicas atuais. "Nenhuma mulher é menor ou maior por causa disso. Eu sou uma mulher livre, com muito orgulho. Se quiserem taxar isso como xingamento, que seja", desdenha.

Foto: Instagram/@valescapopozuda
Foto: Instagram/@valescapopozuda
Foto: Popline

Machismo nas letras de músicas sertanejas

A objetificação de mulheres não é exclusividade do funk. Já existem artigos acadêmicos sobre o machismo nas letras de música sertaneja também. Em "O machismo em músicas sertaneja romantizadas: uma análise crítica do discurso", publicado na revista Desenredos, os pesquisadores Maria Micaely Macedo de Melo e Silvio Nunes da Silva Júnior analisam como o machismo é propagado no sertanejo com embalagem romantizada. Para isso, utilizam músicas das duplas Jorge e Mateus e Henrique e Juliano.

A conclusão é que a mulher aparece de forma passiva e submissa nas músicas. "Pode-se afirmar que algumas músicas sertanejas propagam, tanto de forma reinante quanto de modo velado, o machismo na sociedade, isso porque as pessoas se deixam levar pelo ritmo do gênero musical e, outras vezes, pela abordagem romantizada de muitas músicas, naturalizando ideologias machistas", diz o texto.

Já a professora de língua portuguesa Vivianne Freire Valladão tratou do tema em seu TCC em 2021 no IFES - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo. Em "O discurso misógino e machista em letras de músicas sertanejas", ela analisou quatro canções contemporâneas, como "Litrão", de Matheus & Kauan. Esta traz versos como "Você decide a minha boca ou a do litrão" e "Vai escolher amanhecer na farra ou no meu colchão?". A professora destaca que a letra impõe a vontade do homem como a melhor e mais vantajosa para a mulher.

"Em síntese, em um contexto de grandes atos violentos contra a mulher, é necessário refletir, questionar e desconstruir argumentos que são perpetuados na sociedade, mesmo que velados e disfarçados em melodias musicais, a fim de tentar diminuir ou combater um cenário que, muitas vezes, naturaliza atitudes misóginas e machistas, ocasionando um alto índice de feminicídio no país", conclui.

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